Nova tarifa horária pode mudar a forma como brasileiros consomem energia e reduzir custos

Consulta pública da Aneel discute novo modelo tarifário para consumidores de baixa tensão e reforça o papel da medição inteligente
A possibilidade de consumidores pagarem valores diferentes pela energia elétrica conforme o horário de consumo voltou ao centro das discussões do setor elétrico. Em análise pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a Consulta Pública nº 46/2025 propõe uma nova modalidade de tarifa horária para consumidores de baixa tensão com consumo mensal a partir de 1.000 kWh, ampliando o debate sobre mecanismos capazes de tornar o sistema mais eficiente diante do crescimento das fontes renováveis.
A proposta ganha relevância em um momento em que a expansão da geração solar altera o perfil de oferta de energia no país. Durante o dia, a produção fotovoltaica cresce significativamente, enquanto no início da noite a geração cai rapidamente justamente quando o consumo permanece elevado, exigindo o acionamento de fontes mais caras para atender à demanda.
Segundo Vanessa Huback, Head de Inteligência de Mercado da TYR Energia, a tarifa horária cria um sinal econômico que incentiva consumidores a deslocarem parte do consumo para os períodos em que há maior disponibilidade de energia e menor custo para o sistema.
“A tarifa horária é uma ferramenta importante para aproximar o comportamento do consumidor das necessidades do sistema elétrico. Ao incentivar o consumo nos períodos de maior oferta de energia, ela reduz custos operacionais, melhora o aproveitamento das fontes renováveis e contribui para uma rede mais eficiente e equilibrada”, afirma Vanessa.
Experiências internacionais demonstram que consumidores capazes de adaptar seus hábitos aos sinais de preço podem obter economias próximas de 10%, além de contribuir para reduzir a pressão sobre a infraestrutura elétrica e adiar investimentos em expansão da rede.
No Brasil, já existem modalidades com sinalização horária, como a Tarifa Branca para consumidores de baixa tensão, com baixa adesão, e as tarifas Verde e Azul para consumidores do Grupo A.
Digitalização e armazenamento impulsionam novo modelo
Para Vanessa, a evolução desse modelo depende diretamente da digitalização do setor elétrico.
“A tarifa horária só alcança todo o seu potencial quando o consumidor consegue visualizar seu perfil de consumo e tomar decisões com base nessas informações. A expansão dos medidores inteligentes e de plataformas de gestão energética será fundamental para essa transformação.”
Outro elemento apontado como estratégico é o armazenamento de energia por baterias (BESS). Esses sistemas permitem armazenar energia nos horários de maior oferta e utilizá-la nos momentos em que os preços são mais elevados, aumentando a flexibilidade da operação e favorecendo a integração das fontes renováveis.
“A combinação entre tarifa horária, medição inteligente e armazenamento representa um dos caminhos mais promissores para modernizar o setor elétrico brasileiro. São soluções complementares que aumentam a eficiência, reduzem desperdícios e tornam o sistema mais preparado para a transição energética”, conclui Vanessa.









Um comentário em “Nova tarifa horária pode mudar a forma como brasileiros consomem energia e reduzir custos”