Para Abimaq, medidas anunciadas para estimular economia são importantes, mas insuficientes para reverter quadro alarmante de endividamento

O diagnóstico do Governo é que o principal problema da economia é o desequilíbrio das contas públicas, e o foco no ajuste fiscal daí decorrente. No entanto, há meses a Abimaq vem alertando que o motivo da crise brasileira vai além deste diagnóstico, está na combinação perversa de excessivo endividamento e queda da rentabilidade das empresas não financeiras, o que levou à retração dos investimentos e, consequentemente, da atividade econômica.

Antes tarde do que nunca, o governo parece finalmente ter reconhecido o problema do excessivo endividamento do setor privado não financeiro e, entre outras medidas, anunciou um Programa de Regularização Tributária. Na avaliação da Abimaq, porém, as medidas ainda são insuficientes para reverter quadro alarmante de endividamento e baixa rentabilidade da indústria.

Segundo levantamento da entidade realizado a partir de dados do Serasa em 7,5 mil CNPJs da indústria de máquinas, 50% não têm acesso à Certidão Negativa de Débito (CND), ou seja, têm algum tipo de dívida junto à Receita Federal ou a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), e outros 25% têm algum tipo de restrição junto ao fisco.

A situação das empresas é extremamente crítica e, portanto, para a Abimaq, seria preciso estabelecer também um período de carência, acompanhado por outras medidas de estímulo à economia, como uma forte queda dos juros, para que, retomado o acesso ao crédito, normalizada a situação, as empresas pudessem, então, começar a quitar seus débitos. Além disso, para a Abimaq, o prazo de parcelamento da dívida é muito curto diante da situação crítica da indústria, que também precisaria ser protegida de futuras recessões, já que, segundo as estatísticas, muitas das empresas que entram nesse tipo de programa acabam não conseguindo cumpri-lo até o final.

No mais, a taxa de correção dos valores da dívida cobrada, não deveria ser a Selic, mas, sim, IPCA mais 1 ou 2%, taxa compatível com o retorno da atividade produtiva. As Medidas Provisórias (MP) ainda não foram publicadas, no entanto, a Abimaq espera que haja um período de carência para o início do pagamento das dividas tributárias. Espera-se um prazo maior, pelo menos 20 anos para o parcelamento dos débitos e algum tipo de “gatilho”, que permita a suspensão do pagamento das parcelas em períodos de retração da atividade, possibilitando, assim, que as empresas tenham condição de cumprir inteiramente o programa, além de uma redução de juros e multas.

A Abimaq ressalta que, sem essas melhorias na proposta, não vai haver adesão ao programa. As medidas relacionadas à desburocratização são desejáveis, mas têm pouco efeito no curto prazo. A proposta de estimulo ao comércio exterior não contemplou medidas especificas voltadas a um sistema eficiente de apoio às exportações brasileiras. O que o Brasil precisa é de financiamento às exportações com taxas competitivas, créditos para estes financiamentos e seguro de crédito.

A redução gradual da multa adicional de 10% do FGTS na razão de 1 ponto percentual ao ano durante 10 anos também vai ao encontro de um antigo pleito da Abimaq, pois diminui o custo da mão de obra, e é, portanto, louvável, mas é lento e terá pouco efeito no momento, visto que grande parte do ajuste no mercado de trabalho já foi realizado.

O refinanciamento de dívidas vencidas com o BNDES é uma medida importante, defendida pela Abimaq. Contudo, sem ações agressivas de estímulo ao investimento e uma forte queda dos juros de mercado, os impactos do pacote anunciado pelo governo tendem a ser bastante limitados, conclui a Entidade.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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