Professor da FGV analisa o papel do Brasil na presidência temporária do Mercosul

O coordenador do MBA em Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Oliver Stuenkel, acredita que mesmo com a crise política, a presidência brasileira do Mercosul deverá ser centrada na recuperação econômica do bloco e as relações e acordos internacionais no setor, como ocorreu desde a liderança de Macri.
De acordo com o professor da FGV, as negociações para um acordo bilateral entre a União Europeia e o Mercosul deve dar o tom da presidência brasileira, já que líderes de ambos os lados esperam que o pacto seja fechado até o fim deste ano. Pelo fato do documento ser feito por “equipes técnicas que trabalham de forma independente”, Stuenkel acredita que as turbulências em Brasília não vão afetar as negociações. “Acredito que existe um interesse mútuo de avançar com isso e as chances são relativamente boas porque Argentina e Brasil estão interessados em concluir esse acordo”, disse o especialista.
Oliver Stuenkel diz ainda que a crise na Venezuela deve ser o principal problema político a ser enfrentado pelo Brasil, porém, relata que o governo brasileiro não tem condições de influenciar nesta situação agora. Segundo ele, a melhor via seria a Organização dos Estados Americanos (OEA). “Está muito evidente que o governo chavista tem pouco interesse em negociar”, diz. E o Brasil, por outro lado, “perdeu a janela de oportunidade que tinha [de negociar] quando estava um pouco melhor”, ressalta Stuenkel.
O professor da FGV destaca também que o Brasil terá debates focados em outras parcerias, como no caso de um pacto de livre comércio do EFTA (European Free Trade Association), que reúne países europeus que está fora da zona do euro e uma tentativa de aproximação com a Aliança do Pacífico. Oliver Stuenkel cita que também estarão na pauta as conversas para acordos bilaterais com países específicos, como Canadá, Japão e Coreia do Sul.








