Telecomunicações e Internet na pauta do Supremo Tribunal Federal

Ericson M. Scorsim.

A título exemplificativo, tramita à Ação Direta por Omissão (ADO 37), apresentada pela OAB, Rel. Min. Ricardo Lewandowski contra a omissão da Presidência da República e do Congresso Nacional em relação à utilização dos recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST), na realização de investimentos em infraestruturas de redes de telecomunicações e internet. Destaque-se que os recursos que integram este fundo de telecomunicações decorrem do pagamento de valores pelas empresas de telecomunicações. Alega-se que a Lei 9998/2000 que trata FUST voltada à aplicação de recursos públicos na universalização dos serviços de telefonia fixa não corresponde mais às demandas dos usuários, estes preferem o consumo de serviços de internet por banda larga. Daí a falta de sincronia entre a lei e das demandas da população.

A propósito do tema, há também em tramitação no Senado Federal o projeto de lei 427/2014 que trata da liberação de recurso do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST) para ampliação do serviço de acesso à internet em banda larga, com a promoção da inclusão digital em áreas remotas e de difícil acesso das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Se aprovado este projeto de lei poderá repercutir na análise da ADO 37, ora sob julgamento do Supremo Tribunal Federal.

Estes dois casos afetam significativamente a realização de novos investimentos privados nos setores de telecomunicações e internet. Primeiro, a aprovação do projeto de lei 79/2016 cria incentivos à realização de novos investimentos em infraestruturas de redes de telecomunicações e internet. A atualização da Lei Geral de Telecomunicações, com a flexibilização do regime jurídico para fins de permitir a substituição das obrigações de pagamento de multas por investimentos em infraestruturas de internet, é condição necessária à realização de novos investimentos privados. A mudança legal possibilita maior segurança jurídica quanto à aplicação dos recursos em infraestrutura de rede pelas empresas prestadoras de serviços de telecomunicações.

Segundo, o contingenciamento dos recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações, para fins de metas do Tesouro Nacional, também é obstáculo à realização de novos investimentos em infraestruturas de redes de telecomunicações. Conforme informações na petições inicial, o total de recursos do FUST arrecadados em 2016 é no valor de R$ 1.464.915.520,00 (um bilhão, quatrocentos e sessenta e quatro milhões, novecentos e quinze mil, quinhentos e vinte reais.

Terceiro, de acordo com informações oficiais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA, 11,6 milhões de domicílios brasileiros teriam condições de pagar pelos serviços de acesso à internet, no entanto o serviço de conexão à internet não está disponível na localidade. Além disto, 2.325 municípios não possuem fibra ótica em sua infraestrutura de rede, sendo que 58% deles encontram-se nas regiões norte e nordeste. E mais, nos municípios que contam com infraestrutura de rede com fibra ótica apresentam baixa de velocidade, em torno de 5% Mbps em média. Em síntese, segundo dados da Anatel, 14% da população brasileira não tem acesso aos serviços de internet.

Ora, a inadequação da infraestrutura de telecomunicações é obstáculo para a competitividade das empresas brasileiras, bem como à criação de novas empresas, empregos e renda. Igualmente, impacta o mercado de trabalho e a produtividade dos trabalhadores. Também, a falta de infraestrutura ou a sua má qualidade impede o acesso aos serviços públicos básicos, tais como: saúde e educação. Por outro lado, há maior oferta de serviços de 3 G e 4 G na telefonia móvel permite a intensificação do consumo de pacotes de dados, com utilização de aplicativos de mensagens, tais como o WhatsApp.

O futuro digital depende da criação de condições favoráveis para a criação de empresas de tecnologias, comércio e consumo digital, educação digital, garantindo-se o acesso aos serviços de telecomunicações e internet e o livro fluxo das comunicações privadas, para todos os brasileiros, em todo o território nacional. Em tempos modernos, é fundamental a percepção da essencialidade destas redes de comunicação digital, para fins de livre comércio digital, educação e cultura.

Neste contexto, a universalização dos serviços de banda larga fixa e móvel é a condição fundamental nesta jornada de desenvolvimento econômico-social do País. E, especialmente, no interior do País os pequenos provedores de acesso à internet possuem papel fundamental na universalização dos respectivos serviços de comunicação digital.
É incerta a data da decisão final do mérito das referidas ações, ora em análise, no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Esta incerteza do tempo de duração do julgamento causa, por evidente, insegurança na perspectiva da regulação setorial de telecomunicações e internet, especialmente quanto ao ambiente mais restritivo à realização de investimentos privados.

O artigo foi escrito por Ericson M. Scorsim, que é advogado, consultor em Direito Público, especializado em Direito da Comunicação, e doutor em Direito pela USP. É autor dos livros Direito das comunicações: Regime jurídico – Telecomunicações – Internet – TV por radiodifusão – TV por assinatura; TV digital e comunicação social – Aspectos regulatórios; Direito Constitucional Brasileiro – Teoria da Constituição e direitos fundamentais. Scorsim lançou recentemente a obra “Temas de Direito da Comunicação na Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: Telecomunicações, internet, TV e radiodifusão, TV por assinatura e imprensa”, que tem venda exclusiva no site da Amazon

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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