Empresas utilizam o passado para despertar memórias afetivas nos consumidores

Gabriel Rossi: “É sempre interessante para uma marca saber interagir com o lado emocional e inconsciente do cliente”.

A onda vintage e até a cultura do movimento hipster tomam conta de vitrines e gôndolas. São apostas de marcas que investem em reedições de seus produtos, tornando-se sucesso de vendas ao atingir emoções dos consumidores. São diversos casos que demonstram o quão efetivo é a nostalgia na busca por atingir memórias afetivas. Para o estrategista em marketing Gabriel Rossi, o momento da estratégia é muito bem acertado em tempo de dificuldade econômica e incerteza política.

Rossi destaca que, em momentos de dificuldade, seja política, econômica ou cultural, as pessoas tendem a ser mais nostálgicas. E são os produtos que representam integridade, estabilidade e felicidade, denotando segurança e fuga da realidade. Por isso, as marcas tentam ajudar os consumidores a se sentir bem em relação ao mundo. “Consumidores tendem a acreditar que dias do passado são dias melhores. As pessoas sentem carinho por lugares e produtos que evocam e remetem tempos mais felizes”, relata o especialista.

A Polengui lançou uma embalagem retrô de seu principal produto, o Polenguinho, usando sua logomarca original. A Nestlé usou o saudosismo em dois produtos distintos de seu portfólio. Resgatou o uso de receitas nas embalagens de lata do Leite Moça e trouxe de volta o chocolate Lollo, sucesso dos anos 1980. Há inúmeros exemplos. Outra marca que investiu pesado neste seguimento foi a Yakult, que, para comemorar seus 80 anos de existência, injetou cerca de R$ 10 milhões em mídias para reforçar a memória afetiva de consumidores.

Rossi ressalta a legitimidade desta estratégia. “É sempre interessante para uma marca saber interagir com o lado emocional e inconsciente do cliente, além de causar estímulos que serão armazenados na memória. Se articulados cuidadosamente, os elementos permanecerão na lembrança do público-alvo, criando uma associação entre o consumidor e o imaginário criado pela marca”.

Essas campanhas tendem sempre a reafirmar a identidade central da marca, evocando as sensações de herança, tradição e originalidade, sem serem evasivas. “Despertam o encantamento no consumidor final. Quando os mercados, governos e outras instituições importantes deixam de entregar de alguma forma bem-estar, o consumidor recorre a outras fontes para não perder a esperança. Eles vão se dirigir para marcas que buscam os bons e velhos tempos, com a promessa de experiências seguras e familiares”, finaliza o estrategista.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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