Para superar desafio da sucessão é preciso profissionalizar a gestão e promover a imagem do agronegócio

Será essencial investir na promoção do agronegócio e na profissionalização da gestão da atividade para vencer o desafio da sucessão no campo. Segundo especialistas presentes no 5º Fórum de Agricultura da América do Sul, a propriedade rural precisa ser administrada como uma grande empresa e estar preparada para receber um novo gestor. O evento ocorreu nos dias 24 e 25 de agosto, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba (PR), e teve como tema “Sucessão, gestão e tecnologia. É o campo do futuro e em transformação”.

A cada década a população rural perde em número absoluto de habitantes e, desde 2008, há mais pessoas vivendo nos centros urbanos do que no campo. “Nos últimos 10 anos, o Censo apontou uma redução de mais de 2 milhões na população do campo. E os jovens de 15 a 29 anos já são em número menor que o de estabelecimentos rurais”, contextualizou o oficial nacional da Organização Mundial das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), Valter Bianchini.

Diante deste cenário, é preciso investir em ações de manutenção dos jovens no meio rural, avaliou o técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho, que também participou do debate. “É importante promover a imagem da atividade rural, de forma a torná-la mais respeitada e objeto de desejo como atividade profissional dos jovens. As pessoas desconhecem a importância desse grande setor, que emprega quase 20% da mão de obra ocupada no país”.

Para o presidente executivo da SPRO IT Solutions, Almir Meinerz, a tecnologia tem papel fundamental nesse processo. “Como filho de produtores rurais, vejo agora que a transformação digital [que chegou ao campo] está aliando sucessão e tecnologia. E a gestão precisa ser profissionalizada, com softwares de gestão para toda a cadeia produtiva. Afinal, [em uma mesma propriedade] temos várias atividades: suinocultura, piscicultura, avicultura”.

Segundo Meinerz, há muito tempo o agricultor deixou de ser visto como colono e agora precisa passar por uma nova evolução: é momento de ser visto como empresário do agronegócio. A opinião é corroborada pelo técnico do Ipea, que acredita que as propriedades rurais tem de ser administradas como grandes empresas para superarem o desafio da sucessão. “Temos que preparar a fazenda para a sucessão e não apenas um sucessor para essa fazenda. Os estabelecimentos de médio e grande porte, são os que se mostram mais habilitados para a sucessão familiar”, ressaltou Vieira Filho.

Agronegócio globalizado

Durante os dois dias de programação, mais de 500 pessoas participaram dos 13 painéis, com 40 palestrantes de 10 países diferentes. Para o gerente do Núcleo de Agronegócio Gazeta do Povo e coordenador do projeto, Giovani Ferreira, a adesão reflete a importância da região para o agronegócio mundial.

“O mundo precisa olhar para o Brasil e para a América do Sul como player decisivo nessas relações comerciais de oferta e demanda. Porque se o agronegócio é globalizado, a discussão não pode ser diferente, também precisa ser ampliada e global. A grande questão no entanto não é só a mudança que estamos estimulando, mas a velocidade dessa mudança. É isso que vai nos diferenciar”, destacou.

Em 2018

A próxima edição do evento já tem data marcada: 23 e 24 de agosto de 2018. O 6º Fórum de Agricultura da América do Sul tem como tema “O campo digital e conectado. O grande desafio do Século 21”. Segundo Ferreira, a intenção é fomentar o debate sobre o uso de novas ferramentas, como a Internet das Coisas, para ganhar produtividade. “Ou o campo incorpora tecnologia, ou está fora do processo. O desafio é conectar isso à inteligência artificial para sermos mais competitivos. É preciso integrar a tecnologia com inteligência”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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