Setor de energia não pode aguardar crise econômica e política para se modernizar

Paulo Pedrosa fala durante seminário em Curitiba.

“Se formos esperar acabar uma crise econômica ou diminuir o calor do momento político, não se faz mais nada. A oportunidade é agora. Parar o país e esperar dois ou três anos para recomeçar a discussão seria muito ruim para o setor elétrico. Nós estamos maduros, e a sociedade está pronta”, afirmou o ministro interino de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, na sessão plenária sobre o marco legal do setor elétrico, evento que abriu o segundo dia do Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia Elétrica (SNPTEE), que ocorre em Curitiba até a próxima quarta-feira (25).

Entre julho e agosto deste ano, o Ministério de Minas e Energia (MME) abriu uma consulta pública a respeito do marco legal do setor, recebendo mais de 120 contribuições, visando aperfeiçoar o texto. Ao todo, o documento conta com 18 propostas, divididas em quatro grupos: Compromisso de Reforma e Elementos de Coesão; medidas de destravamento; alocação de custos e racionalização; medidas de sustentabilidade e desjudicialização. Entre as medidas, encontram-se regras para a privatização de empresas (caso, por exemplo, da Eletrobras), abertura ao mercado livre, mudança na formação de preços, alterações na política de subsídios, racionalização de descontos, além de outros assuntos relacionados à área.

De acordo com Pedrosa, o documento discute a modernização do setor elétrico. “Precisamos reconhecer que a gente não conta mais, como contou no passado, com um governo que investia muito no setor e que o financiava com recurso barato do BNDES. Ao mesmo tempo, deve-se reconhecer que a tecnologia chegou ao setor elétrico”, afirmou na sessão, que também contou com o presidente da Thymos Energia, João Carlos de Oliveira Mello; o presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales; e a mediação do diretor de Geração e Transmissão da Copel, Sergio Luiz Lamy.

As diferentes pressões

Há um consenso de que o setor de energia elétrica sofre com pressões em, ao menos, três fontes: questionamento tecnológico, aspectos ligados ao meio ambiente – até mesmo em função das dificuldades hidrológicas vividas pelo país – e uma voz cada vez mais presente e forte dos consumidores. “Esses três fatores impedem que se tenha uma visão saudosista do sistema. O marco estabelece um norte para que esse processo de mudança seja organizado”, explicou Pedrosa.

Na avaliação de Mello, a participação da sociedade faz com que a consulta pública se legitime. “Essas 18 medidas vão mexer com o setor como um todo e o texto pode ainda ser melhorado, retirando algumas travas e dando vantagens para cada modelo de geração de energia”, afirmou. “Qual será o nosso futuro? Essas propostas não podem resolver apenas problemas do passado, mas projetar o futuro”, ressalta.

Para Sales, o atual marco regulatório impede que se dê vazão aos ajustes necessários ao sistema, que vive um “ciclo vicioso insustentável”. “Houve falta de gestão de risco e uma diferença entre os projetos que foram concebidos e o que foi, de fato, realizado. Sabemos que essas mudanças não são fáceis, especialmente em um país como o Brasil”, analisou.

Qual será a bandeira?

Não é segredo que, nos últimos meses, o Brasil tem vivido uma seca, que está afetando praticamente todas as regiões. De acordo com Pedrosa, o Brasil não vive um risco de desabastecimento, mas de uma mudança no valor da energia em função do acionamento da bandeira vermelha em outubro. “Vivemos um momento de baixa hidrologia em um país com muitas hidrelétricas e isso causa impactos. Isso significa apenas que a energia está mais cara, mas temos recursos para gerar energia, se houver necessidade”, afirmou.

Apesar de ser vista com maus olhos, as bandeiras, segundo Pedrosa, são uma importante fonte de informação ao consumidor. “Antes, a energia era gerada da mesma forma, a conta era acumulada e cobrada com juros, escondendo do consumidor a realidade. O mais honesto é ir à população e dizer que a energia está mais cara por meio das bandeiras, o que permite que a população combata o desperdício”, declarou.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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