Como a guerra comercial entre EUA e China pode afetar mercado brasileiro
Para o mercado financeiro, o momento do acirramento da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China não poderia ser pior. Na mesma semana que o Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos (FED) anunciou aumento dos juros nos EUA e o Banco Central Europeu determinou o encerramento (em dezembro) do seu programa de compra de títulos, a possível guerra comercial entre EUA e China diminuiu as projeções de crescimento econômico global.
O atrito entre as duas principais economias do mundo foi o suficiente para fazer com que o Shanghai Composite (principal índice acionário da China) fechasse em queda de 3,78%. Nos EUA, Dow Jones e S&P 500 também caíram nesta semana. Pela Europa, o índice Stoxx 600 também fechou em queda. De acordo com o CEO da WM Manhattan, mesa proprietária que atua no mercado financeiro e ensina traders a investirem na bolsa de valores, Pedro Henrique Rabelo, os países emergentes que já sofriam com a fuga de capitais para economias desenvolvidas poderão ser diretamente impactados. Argentina e Turquia já elevaram suas taxas de juros a fim de tentar reter o avanço do dólar. No Brasil, o COPOM decidiu que a taxa SELIC será de 6,5%.
Para Pedro Henrique Rabelo o Brasil pode ser um dos principais afetados, pois apesar da alta de 2,4% do IBOV (na terça-feira), Vale e Gerdau fecharam no terreno negativo, acompanhando a queda do minério de ferro. “Tratam-se de duas empresas que precisam de boas projeções de crescimento mundial para alavancar seus ganhos. Não podemos nos esquecer que o período eleitoral à frente aumenta as incertezas para as projeções de crescimento do Brasil e o apetite por risco do investidor externo”, explica.
Os investidores alertam que é preciso monitorar o tom da retórica e a escalada das tensões, porque Donald Trump tem adotado esse padrão mais duro quando precisa negociar assuntos internacionais. Ao longo de sua campanha foi enfático ao falar que renegociaria a participação dos EUA em diversas organizações mundiais e vem cumprindo o prometido. “Não podemos descartar que essa pressão midiática seja um pano de fundo para interesses maiores por parte dos EUA, como abrir espaço para empresas americanas no mercado financeiro chinês, por exemplo”, finaliza Pedro.


