Confira 6 pontos que justificam a ampliação dos canais de atendimento bancário no Brasil

Confira 6 pontos que justificam a ampliação dos canais de atendimento bancário no Brasil

De acordo com estudo divulgado pelo Banco Central (BC), este mês, o Brasil registrou Índice de Cidadania Financeira (ICF), nos últimos dois anos de 41,5 em escala que vai de 0 a 100. Este dado permite monitorar os avanços da inclusão e da educação financeira no país. Para a consultoria JL Rodrigues, Carlos Átila & Consultores Associados, o índice revela que apesar da regulação do sistema financeiro no país ter evoluído muito nos últimos anos, ainda são necessárias algumas revisões em normas que proporcionem melhorias no atendimento bancário.

“É muito importante que a sociedade como um todo seja bem atendida. A moeda eletrônica e as operações bancárias digitais têm avançado no mundo todo, ainda que o dinheiro seja o principal meio de pagamento. No entanto, as peculiaridades do Brasil, tanto no quesito social quanto nas dimensões geográficas, dificultam o acesso digital em alguns estados como o Pará, por exemplo, que apresentou índice de 7,7 na pesquisa”, aponta José Luiz Rodrigues, sócio da consultoria.

Confira a seguir 6 pontos citados pela JL Rodrigues, Carlos Átila & Consultores Associados, que precisam ser observados para garantir maior Cidadania Financeira:

1 – Número de agências bancárias no país vem caindo nos últimos dois anos.

Segundo o BC, em outubro de 2008 havia 18.863 agências no Brasil, quantidade esta que passou para 22.740 em apenas cinco anos (2013). Já em 2017 houve uma grande redução no número de unidades, sendo que em seu primeiro trimestre foram fechadas 929 agências. Atualmente, o Brasil possui cerca de 21.600 agências em operação.

Houve também uma mudança de conceito: se antes as agências eram focadas em ser pontos de atendimentos, hoje elas atuam mais como espaços de negócios e consultoria para investimentos. Com isso, aos poucos, os bancos voltaram a reduzir o número de agências bancárias em operação no país, inclusive nas capitais, e a tendência é uma redução ainda maior. Entre as principais razões, estão o alto custo operacional para manutenção das unidades e o crescente desenvolvimento tecnológico para operações digitais.

De acordo com a JL Rodrigues, Carlos Átila & Consultores Associados, uma das alternativas para não deixar desprovida a população que culturalmente prefere realizar pagamentos e transações bancárias presencialmente é a interoperabilidade entre redes de autoatendimento bancário. “Há municípios brasileiros em localidades remotas que possuem, no máximo, uma ou duas agências, geralmente dos maiores players do mercado financeiro. Instituições de menor porte, que não possuem condições de operar fisicamente em todas as regiões, poderiam viabilizar seus serviços por meio de estruturas tecnológicas que permitissem o compartilhamento de informações entre essas redes, de forma a proporcionar a entrada de novos players que possam suprir a ausência da principal rede operante no país (Tecban) naqueles municípios desprovidos de atendimento e, ainda, permitir que mais instituições compartilhem das redes a custos justos”, aponta o consultor José Luiz Rodrigues

2 – A concorrência bancária atual não é igualitária

Somente cerca de 10% dos municípios brasileiros possuem caixas eletrônicos 24h, o que complica ainda mais o acesso ao sistema financeiro no país. A interoperabilidade dos ATMs (Automated Teller Machine), os chamados caixas eletrônicos, criaria condições de concorrência igualitária para que bancos de médio porte ou com maior atuação em meios digitais pudessem ser acessados pela população.

Outro ponto positivo desta medida é que moradores de localidades com poucas agências físicas teriam acesso mais fácil a operações de crédito e saque em dinheiro em unidades de autoatendimento.

A interoperabilidade entre redes de autoatendimento bancário requer investimento em tecnologia e uma maior abertura por parte dos integrantes do Sistema Financeiro. Além disso, segue a tendência mundial de diminuir custos operacionais, o que permite oferecer serviços mais baratos à população, bancarizada ou não. “Esse problema poderia ser resolvido por meio de autorregulação, sem que o Banco Central necessitasse intervir”, comenta José Luiz Rodrigues.

3 – É necessário prover crédito com maior acessibilidade

Com o crescimento do mercado de fintechs, as pessoas passaram a ter a possibilidade de realizar operações de crédito com melhores taxas. Só que para ter acesso ao saque desses créditos, os clientes das fintechs precisam efetuar transferências bancárias para uma instituição que possua redes de autoatendimento ou agências bancárias.

Para a JL Rodrigues, Carlos Átila & Consultores Associados, o compartilhamento limitado de operações entre os bancos e as fintechs encarece as transações financeiras e as tornam menos acessíveis.

4 – Pagamento digital não é para todos

Tornar o sistema financeiro mais acessível à população significa prover cidadania financeira. É certo que a tecnologia abriu a possibilidade de bancarizar mais pessoas a custos menores, porém, as soluções digitais não atendem brasileiros de regiões mais carentes do país ou pessoas idosas que possuem dificuldades em se adaptar a essa realidade.

O Banco Central, ao longo dos anos, adotou medidas regulatórias que trouxeram uma maior flexibilidade para que cada empresa do sistema financeiro pudesse atuar conforme sua conveniência e estratégia e vem modernizando as normas para permitir a interoperabilidade entre meios de pagamento e até mesmo o open banking. Entretanto, é essencial que não haja precarização do atendimento à sociedade e que seja observado que inclusão digital- acesso à internet e telefonia celular- no país ainda deixa muito a desejar, principalmente em termos de custos.

5 – Brasileiro gosta de dinheiro vivo

A maioria da população brasileira (96%) tem o costume de realizar pagamentos de até R$50 reais em dinheiro vivo (dados do Banco Central). Esta realidade é ainda mais evidente em municípios do interior e entre profissionais autônomos.

6 – Uso indevido de contas poupanças

Para abrir uma conta corrente, em geral, é essencial ter comprovante de renda e não ter o conhecido (e indesejado) “nome sujo”. Estes fatores, muitas vezes, não condizem com a realidade de todos os brasileiros. Com isso, uma alternativa muito popular para ter acesso à rede bancária é abrir uma conta poupança por requerer menos exigências cadastrais. Contudo, esta é uma conta que visa oferecer correção monetária para quantias que ficam paradas nesta modalidade pelo prazo de um mês, o que não ocorre quando é usada inadequadamente.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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