Brasileiros voltam a buscar crédito para comprar automóveis novos

A poucos dias do recebimento da segunda parcela do décimo terceiro, com o começo de uma curva de recuperação de confiança na retomada econômica do país tem levado ao mercado automobilístico uma maior procura por financiamentos para a troca de carros. É o que aponta recente levantamento do Banco Central, que indica crescimento da carteira de crédito de veículos em cerca de 12% em setembro quando comparada ao mesmo período em 2017 – um aumento que acontece em um momento em que juros e inadimplência recuam.
Os dados são reforçados pelos resultados apresentados pelas diferentes instituições bancárias do país no terceiro trimestre deste ano. Ajuda ainda neste movimento a coincidência com a época de renovação da frota, que ocorre em média a cada dois ou três anos. Fato é que as montadoras estão satisfeitas com os resultados de 2018 e confiantes na continuidade de crescimento para 2019.
Mas, mesmo diante da euforia do mercado, consumidores dispostos a investir o dinheiro que estava guardado, apenas esperando o momento certo de ser colocado em circulação novamente, encontram dificuldades para decidir sobre a modalidade de crédito mais adequada para a troca de seus carros. Juros, prazos, documentos, análises… São muitas informações que devem ser analisadas com cuidado, já que o compromisso de um empréstimo é de médio a longo prazo.
Para quem está na fase de estudo de condições, trazemos aqui detalhes, prós e contras das melhores opções de financiamento para a aquisição de um carro novo. Uma delas será ideal para o seu perfil.
Consórcio – Como funciona
Pessoas com um propósito de compra em comum são reunidas em um grupo por uma administradora financeira e fazem depósitos mensais em uma conta por um período predeterminado. A partir do momento em que há um valor acumulado, a administradora inicia sorteios mensais pelos quais um participante por vez recebe uma carta de crédito para a aquisição de seu bem. Quem não quiser depender do sorteio pode dar um lance para acelerar a liberação de sua carta de crédito.
Prós
– Não existe a necessidade de pagar uma entrada para aderir ao consórcio.
– Não há taxa de juros, mas sim taxa de administração de cerca de 15% do valor total + ajuste de inflação anual. Diluída entre as parcelas, essa porcentagem adicional ao valor do bem costuma ser bem suave (em média, em torno de 0,5% ao mês).
– Não exige renda mínima para a entrada no grupo.
– Não tem parcelas intermediárias.
Contras
– É preciso ter sorte para conseguir a carta de crédito rapidamente sem precisar dispor de um valor mais alto para o lance.
– O bem fica alienado ao banco e, no final do pagamento das prestações, é preciso informar a desalienação e pagar uma taxa para transferir o bem para o seu nome em definitivo.
Financiamento bancário – Como funciona
A pessoa interessada em adquirir um bem solicita o valor a uma instituição financeira. Em caso de aprovação após uma análise de crédito, a quantia é liberada e o comprador passa a pagar prestações mensais por um período predeterminado.
Pró
– O valor total é disponibilizado na conta e o bem pode ser adquirido imediatamente, sem precisar contar com a sorte.
Contras
– É necessário dar uma entrada referente a uma porcentagem do valor do bem. Dependendo da instituição financeira, essa entrada precisa equivaler a algo entre 10% e 50% do total.
– O empréstimo é negado caso o CPF esteja negativado.
– Se o sistema de análise de crédito entender que a pessoa não é capaz de honrar as prestações (por já ter sua renda comprometida com outros empréstimos, por exemplo), o financiamento não é liberado.
– O acréscimo no valor do bem é alto: são juros mensais + taxa de administração + ajuste de inflação anual. Em geral, a porcentagem adicional costuma ser alta, acima de 1% ao mês.
– O bem fica alienado ao banco e, no final do pagamento das prestações, é preciso informar a desalienação e pagar uma taxa para transferir o bem para o seu nome em definitivo.
Crédito consignado – Como funciona
A instituição financeira libera o valor pedido pela pessoa e desconta o pagamento todo mês diretamente de seu contracheque ou do extrato do INSS. Não é preciso declarar oficialmente que bem será comprado com o valor emprestado.
Prós
– O valor total é disponibilizado na conta e o bem pode ser adquirido imediatamente, sem precisar contar com a sorte.
– O bem não fica alienado ao banco, pois sequer é necessário declarar qual bem será comprado com o crédito.
– CPF negativado não é impeditivo para conseguir o crédito.
– Não é preciso pagar uma entrada.
– Por ser considerada de baixo risco, essa modalidade de crédito costuma ter juros mais baixos que os do financiamento bancário.
– Não há o risco de esquecer de pagar uma parcela e precisar pagar multas e juros devido ao esquecimento, já que o desconto é automático no salário ou no extrato do INSS
Contras
– É obrigatório ter um emprego registrado em carteira de trabalho ou o benefício do INSS.
– Se o sistema de análise de crédito entender que o salário ou INSS não é capaz de honrar as prestações (por já ser comprometido com outros empréstimos, por exemplo), o financiamento não é liberado.
Crédito reputacional – Como funciona
O conceito, ainda novo no país, é baseado no comportamento do pagador a partir da contratação do serviço. Basicamente, a solução libera o total do montante necessário para aquisição do automóvel após um período pré-determinado de pagamento das parcelas estabelecidas.
Por enquanto, o crédito reputacional está disponível no Brasil por meio do PoupCar, produto criado pela financeira BMP Money Plus. A pessoa que deseja adquirir um carro acessa a ferramenta pela internet ou por aplicativo, escolhe o valor de que precisa (o máximo é R$ 100 mil) e a quantidade de parcelas (de 12 a 60), faz a simulação do empréstimo e, se considerar adequado, fecha o negócio. Quando tiver pago metade das prestações, recebe o valor total para a aquisição do bem e continua pagando o financiamento.
Prós
– Não é feita análise de crédito – daí ser um crédito reputacional, pois o comprador começa com score zero e constrói sua reputação na própria ferramenta, à medida que honre os pagamentos de suas prestações.
– É a melhor alternativa para quem está com o CPF negativado e não tem emprego registrado em carteira de trabalho nem benefício do INSS.
– Não é preciso comprovar renda. O que importa é pagar as prestações.
– Não existe a necessidade de pagar uma entrada.
– A taxa de administração é baixíssima: 0,59% do valor total do bem, independentemente da quantidade de parcelas.
– O valor das prestações é fixo, do começo ao fim, sem reajustes anuais ou em qualquer outro período ao longo do caminho.
– É possível se planejar para receber o valor do crédito e comprar o carro quando ele for necessário (para a renovação de uma frota comercial ou para prestar serviços específicos em uma obra, por exemplo).
Contras
– É preciso se programar com antecedência para a realização da compra do automóvel, já que o valor total contatado só é liberado após o pagamento de 50% das parcelas estabelecidas (metade do tempo do financiamento).
– Não resolve o problema de quem tem urgência em obter o crédito para aquisição do carro ou da frota.








