Quatro estratégias para instituições financeiras adotarem o Open Banking

Quatro estratégias para instituições financeiras adotarem o Open Banking
Davi Cunha.

O Open Banking é um assunto que desafia a curiosidade de diversos profissionais do setor financeiro. Desde que entrou em vigor a regulamentação da PSD2 (ou Payments Services Directive 2), norma européia que exige a disponibilização de acesso aos dados dos clientes via APIs, cresce a quantidade de questionamentos a respeito de como será possível manter e ganhar novos clientes em meio a esse novo cenário. O fato é que este novo modelo deve facilitar a entrada de novos players e acirrar a disputa pelos consumidores.

Apesar de toda a transformação digital envolvida nesse momento, as melhores tecnologias e práticas têm de estar orientadas ao principal fator que vai trazer um grande saldo positivo para as instituições: entregar uma experiência encantadora aos seus clientes.

Nesse sentido, abrir APIs (ou Application Programming Interfaces) não trará desvantagem para grandes players de mercado. Muito pelo contrário: são a base para que instituições financeiras consolidadas sejam capazes de atuar em um ambiente de colaboração e de parceria com os novos players. Ao parceirizar com startups, fintechs e empresas terceiras, serão capazes de acelerar a inovação, acelerar a oferta de novos produtos e entregar a experiência excepcional que os consumidores tanto buscam.

Este é o Open Banking com o que buscamos trabalhar e que, pela nossa experiência, deve trazer resultados consolidados às instituições atuais.

Nem por isso implementá-lo é um processo simples. Está diretamente relacionado a uma mudança completa de paradigma em relação ao modo tradicional de operar, e que pode implicar em riscos. Para minimizá-los, é necessário adotar a abordagem correta para o tipo de objetivo que se pretende atingir – e claro para o papel que se pretende desempenhar em meio a esse novo cenário.

De acordo com a nossa experiência e de práticas de mercado, podemos afirmar que há quatro formas essenciais de instituições consolidadas adotarem o Open Banking atualmente: exercendo o papel de Integradora, de Produtora, de Distribuidora ou de Plataforma.

Na primeira opção, a instituição é responsável pela oferta e distribuição de seus próprios produtos, normalmente através de desenvolvimento interno. Nesse caso, o banco pode alavancar APIs internamente para acelerar a oferta de novos produtos e serviços, além de melhorar a governança interna. A experiência do cliente é completamente controlada pelo banco. O risco aqui é demorar pra lançar novos produtos e serviços, altos custos e perda do passo da inovação.

No segundo papel, de “Produtora”, a instituição atua como uma “fábrica de produtos” financeiros, e permite que outros membros do ecossistema (um terceiro ou uma fintech, por exemplo) cuidem do relacionamento com o cliente e distribuam os produtos dela. A entidade externa (ou Fintech) neste caso além de distribuir o serviço, pode se tornar um agregador distribuindo produtos que agregam dados de diferentes instituições financeiras. E quais os Riscos neste caso? Risco de “comoditização”, pois os bancos fornecem a infraestrutura e o receio aqui está em perder o relacionamento com o cliente.

No terceiro modelo, instituições podem considerar estender sua presença digital, distribuindo serviços e produtos de terceiros, através de seus próprios canais de distribuição. Neste modelo, o banco usa insights de clientes e ativos de distribuição para vender produtos originados do ecossistema. Um exemplo bem interessante aqui é da do HSBC do reino unido, que criou uma aplicação chamada de HSBC Connected Money, que agrega dados financeiros e informações de cerca de 21 instituições financeiras diferentes. E qual o risco neste modelo? De canibalização, quando os bancos começam a distribuir produtos que competem com as próprias ofertas existentes.

Na quarta estratégia, o banco se transforma em uma Plataforma digital, cujo objetivo é estreitar ainda mais o relacionamento com o cliente ao conectá-los a novos players. Para compreender o conceito de plataforma, basta olhar no mercado exemplos como Airbnb e Uber, que atuam como “facilitadores” entre os consumidores e os fornecedores dos serviços.

Aplicado ao mercado financeiro, esse conceito se traduz em um ambiente que facilita a troca de valor entre produtores e consumidores, um modelo que conecta bancos e fintechs e move toda uma indústria por meio de forte colaboração.

Neste caso, grandes instituições financeiras tornam-se um verdadeiro marketplace de serviços e, como plataformas, podem oferecer uma série de novos serviços adicionais, entre eles: verificação de identidades, Know Your Customer (KYC), identificação de fraudes, entre outros. E qual o risco neste último caso? De erosão de margens, já que os clientes podem optar por novos serviços com taxas mais competitivas.

É interessante observar que as instituições financeiras podem fazer definições estratégicas e atuar em qualquer um dos modelos, ou quem sabe, adotar os quatro modelos apresentados aqui ao mesmo tempo.

O fato é que o Open Banking e seu modelo baseado em APIs abertas representam uma oportunidade única para as instituições financeiras tornarem mais rápida a oferta de novos produtos e serviços, alavancando um ecossistema vibrante e permitindo às instituições financeiras retomar o controle da jornada do cliente, oferecendo novas experiências com extrema personalização.

O artigo foi escrito por Davi Cunha, que é head de Digital Banking da Sciensa.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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