A tributação sobre os dividendos e os potenciais reflexos sobre o mercado

A tributação sobre os dividendos e os potenciais reflexos sobre o mercado
|Luciano De Biasi.

O Brasil passa por um momento em que aprovar reformas é prioridade número um. Se a da Previdência tem ganhado os holofotes atualmente – e com razão, pois ela se faz urgente – a Reforma Tributária também precisa de seu espaço nos debates e discussões nacionais importantes, já que os impostos no país, além de complicados, são altos e desiguais.

Além da sugestão da simplificação tributária, o governo tem acenado com a tributação sobre os dividendos, dando em troca a redução da tributação das pessoas jurídicas, com o objetivo de tornar o Brasil mais competitivo para investidores estrangeiros.

No entanto, até o momento, o governo não indicou qual seria a forma de tributação de dividendos e qual seria a contrapartida na tributação das pessoas jurídicas. Parece ser pouco provável que o governo gaste energia com essa questão simplesmente para trocar seis por meia-dúzia no que diz respeito à arrecadação. Possivelmente, considerando a atual situação orçamentária do País, o que se busca é um aumento da arrecadação.

A taxação de dividendos não é algo novo. A legislação brasileira tributava dividendos antes de 1988 e também nos anos de 1994 a 1995. Uma retomada dessa prática, no entanto, requer algumas considerações sobre seus efeitos.

Seguindo a teoria da preferência tributária, (Litzenberger e Ramaswamy, 1979), os investidores tenderão ir para opções com tributação menor. Assim, caso o tributo sobre dividendos resulte em ônus tributário maior do que o da tributação sobre o ganho de capital, o investidor deve preferir ações com mais valorização às ações que paguem mais dividendos. Assim, o investidor perceberá uma redução no retorno sobre investimento, principalmente nas ações com altos dividendos, o que pressionaria o preço delas para baixo num primeiro momento.

Além das empresas de capital aberto, logicamente, a mudança trará impactos sobre as demais empresas de capital fechado. Os sócios dessas empresas terão os lucros impactados pela nova tributação, seja o sócio pessoa física ou jurídica. No caso de sócio pessoa jurídica, a tributação de dividendos (caso seja feita sem qualquer redução de tributos sobre o lucro) pode vir a inviabilizar a constituição de holdings, seja para fins de planejamento, tributários, societário ou de sucessão familiar, já que incidirá tributo para toda distribuição de lucro.

Assim, o lucro auferido por uma pessoa jurídica, será tributado na distribuição para holding e será novamente tributado quando a holding distribuir esse mesmo lucro aos seus sócios, físicas ou jurídicas.

Portanto, se a proposta de taxar os dividendos for levada adiante, sem que haja qualquer redução em outros impostos, de forma até “compensatória”, o mercado reagirá de maneira geral de forma negativa, os acionistas e cotistas teriam menos a ganhar onerando o retorno de investimento no setor produtivo do País.

É fundamental que as reformas, ainda que não saiam do papel de forma perfeita, tenham ferramentas que, de fato, conseguissem modificar o sistema, tornando-o mais atraente, menos desigual e mais justo. O capital econômico e político para se aprovar esse tipo de mudança é grande e não pode ser desperdiçado com reformas que não irão beneficiar a economia. Por isso é indispensável que tal iniciativa de se tributar dividendos seja amplamente debatida para se evitar entraves, distorções e desincentivo ao investimento no País.

O artigo foi escrito por Luciano De Biasi, que é MBA pela Western Washington University, Mestre em Ciências Contábeis pela FECAP, Bacharel em Ciências Contábeis pela FEA-USP e sócio-diretor da De Biasi Auditoria, Consultoria e Outsourcing.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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