Estudo da Deloitte e IBRI revela alterações no ecossistema das Relações com Investidores

Estudo da Deloitte e IBRI revela alterações no ecossistema das Relações com Investidores

A pesquisa Novo Ecossistema das Relações com Investidores – Tecnologia e Comunicação na era dos negócios digitais, elaborada pela Deloitte em parceria com o IBRI – Instituto Brasileiro de Relações com Investidores, está em sua 12ª edição e lança luz sobre como os profissionais de RI estão lidando com um cenário de incertezas, um ecossistema multifacetado e um momento de intenso uso de tecnologias e novas plataformas de investimento.

“As transformações na função de RI têm seguido principalmente a direção de acompanhar o atual dinamismo do mercado e apoiar um processo de comunicação mais eficaz e personalizado com os públicos de interesse. Para lidar com as mudanças em curso, advindas da evolução da tecnologia digital, o profissional de Relações com Investidores precisa agora desenvolver não apenas habilidades técnicas, mas também as chamadas soft skills – aquelas que se relacionam a características como comportamento, comunicação e liderança”, declara Ronaldo Fragoso (foto), líder do Centro de Excelência em Aspectos Regulatórios e Governança Corporativa da Deloitte Brasil.

A edição de 2019 da pesquisa aborda os diferentes temas que compõem o universo das Relações com Investidores, tais como estrutura organizacional, percepção de valor, tecnologias emergentes, perspectivas para o mercado de capitais e novas regulamentações.

“A pesquisa reforça como a adoção de tecnologia permeia todo o universo das Relações com Investidores, e pode ser aplicada de forma a apoiar uma estratégia robusta de comunicação para lidar com o aumento detectado de investidores pessoa física”, declara Guilherme Setubal, presidente da Diretoria Executiva do IBRI.

Estrutura organizacional

Apesar dos desafios colocados pelo recente cenário econômico e de negócios no Brasil, houve esforço das empresas participantes da pesquisa em preservar o seu capital humano de Relações com Investidores, bem como em identificar talentos no mercado. Três em cada quatro respondentes indicaram que o quadro de profissionais de RI de sua empresa manteve-se em 2018. Do total de respondentes, 75% mantiveram o seu quadro de profissionais de RI em 2018, 20% aumentaram e 5% diminuíram. Quanto às expectativas para 2019, 25% das organizações pesquisadas identificaram a tendência de aumentar a equipe de RI, enquanto 71% pontuaram que esperam manter o quadro de profissionais.

“Os dados mostram que, embora ocorra uma perspectiva de se incorporar tecnologias para automatizar e digitalizar processos, há uma preocupação das empresas em manter a sua estrutura organizacional para atender às demandas advindas da transformação digital do ambiente financeiro e de negócios”, analisa Fragoso.

Dois terços (67%) dos entrevistados afirmaram que o líder de RI de sua organização também lidera outra área da empresa. Este é um indicador na natureza interdisciplinar das Relações com Investidores e também demonstra que a estrutura das organizações brasileiras é enxuta para o relacionamento com acionistas e demais agentes de mercado. Em mais da metade (56%) dos casos em que o líder de RI responde também por outra área na empresa, esse profissional está à frente da área financeira. Ainda dentro do grupo que também responde por outra área, 12% conduzem as iniciativas de planejamento estratégico, o que revela que há um conjunto de empresas que busca, por meio de estrutura organizacional, aliar o relacionamento com investidores e acionistas aos objetivos de negócios da organização como um todo.

Tecnologia aplicada ao ecossistema de Relações com Investidores

Há um esforço de grande parte dos entrevistados em acompanhar o desenvolvimento tecnológico por meio do investimento em novas ferramentas e formas de trabalhar. No entanto, a aplicação de tecnologias como analytics, robótica e inteligência artificial ainda não chegou com força às áreas de RI. Do total, 69% investiram em novas ferramentas e formas de trabalhar. No entanto, apenas 8% aplicaram tecnologias de dados, automação cognitiva para funções de RI e 62% ainda não pensaram a respeito da adoção dessas tecnologias na área.

Entre as práticas de inovação mais adotadas pelas empresas estão acompanhar indicadores de RI, implementar novas tecnologias para ampliar os canais de comunicação e utilizar novos formatos de relatório. Esse é um indicador de como as transformações na função de RI têm seguido principalmente a direção de acompanhar o atual dinamismo do mercado e também a de apoiar um processo de comunicação mais eficaz e personalizado com os públicos de interesse. Quando perguntados sobre o uso de IA – Inteligência Artificial, 80% destacaram ainda não ter pensado a respeito de sua adoção no atendimento a investidores.

“Essas tecnologias podem ajudar a área de RI a captar e monitorar frequentemente o valor percebido do mercado sobre sua organização por meio do acompanhamento dos diversos canais de comunicação da empresa, o que ajuda a tornar mais eficientes as suas estratégias de captação. A Inteligência Artificial pode ser, por exemplo, especialmente útil para a melhoria da percepção de valor de pequenos acionistas e investidores, que se apresentam de forma mais fragmentada”, frisa Ronaldo Fragoso

Percepção de valor

O monitoramento da percepção de valor de mercado de uma empresa por analistas e investidores é uma função complexa, que demanda do RI o estabelecimento de ferramentas e critérios consistentes e estruturados. É natural que o mercado tenha uma percepção de valor diferente sobre uma empresa do que os profissionais que nela atuam. No entanto, cabe ao RI o estabelecimento de ferramentas e critérios consistentes e estruturados.

Administrar a lacuna entre a percepção do valor de mercado da empresa e a de analistas e investidores ainda é um desafio crescente para as organizações, especialmente em um cenário econômico incerto como o atual. Para 33%, há uma grande lacuna entre a percepção de valor de sua empresa e a de analistas e investidores. Já para 37%, existe uma pequena lacuna e a porcentagem daqueles que não enxergam lacuna é de 15%, a mesma daqueles que responderam que não têm certeza ou que a questão não era aplicável.

Para efeitos de comparação, na edição de 2014 da pesquisa, a porcentagem de respondentes que indicou haver uma grande lacuna naquele ano foi de 25% – o que revela que gerir a diferença na avaliação de analistas e investidores ainda é um desafio crescente para as organizações.

Como principais práticas de aproximação com stakeholders, as organizações combinam ações presenciais como roadshows (81%), encontros anuais (59%) e investor days (54%) a iniciativas virtuais com o apoio da tecnologia, como os webcasts, que contam com a adoção de 65%. Outros canais digitais, como aplicativos e chatbots, podem ser explorados de forma mais adequada. Investidores pessoa física

Investidores pessoa física

Com a maior disponibilidade de plataformas, canais de informação e agentes de investimentos, além da manutenção da taxa de juros em um patamar baixo, o mercado de capitais passa a se tornar mais atraente para as pessoas físicas. O que demonstra a necessidade dos profissionais de Relações com Investidores se prepararem para as demandas de um crescente público formado por pessoas físicas cada vez mais bem informadas.

Seis em cada dez empresas identificaram um aumento de investidores pessoa física. No entanto, apenas 21% das empresas que notaram crescimento de investidores pessoa física têm uma prática voltada à captação desse grupo de investidores. Este resultado sugere que há um importante espaço para um posicionamento mais ativo das organizações.

Ainda, de acordo com os entrevistados, os fatores que impulsionaram esse crescimento de investidores pessoa física foram o maior interesse pelo mercado de capitais, a popularização das plataformas de investimento, a baixa taxa de juros, a confiança na recuperação da economia e o aumento de agentes autônomos de investimento.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa Novo Ecossistema das Relações com Investidores – Tecnologia e Comunicação na era dos negócios digitais contou com a participação de 64 empresas – 30% das quais estão entre as 20 de maior liquidez no Ibovespa, 37% entre as 27 empresas do segmento N1 e 30% entre as 20 empresas do segmento N2.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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