Inflação calculada pelo IPCA sobe 0,01% em junho e acumula elevação de 2,23% no primeiro semestre

Inflação calculada pelo IPCA sobe 0,01% em junho e acumula elevação de 2,23% no primeiro semestre

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho teve variação de 0,01% e ficou 0,12 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de maio (0,13%). A variação acumulada no ano foi de 2,23% e a dos últimos 12 meses recuou para 3,37%, abaixo dos 4,66% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em junho de 2018, a taxa fora de 1,26%. Em Curitiba, o IPCA subiu 0,21% em junho, acumulando no primeiro semestre elevação de 1,81%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

PeríodoTAXA
Junho de 20190,01%
Maio de 20190,13%
Junho de 20181,26%
Acumulado no ano2,23%
Acumulado nos 12 meses3,37%

Os grupos Alimentação e bebidas e Transportes respondem, juntos, por cerca de 43% das despesas das famílias e apresentaram deflação em junho, respectivamente, -0,25% e -0,31%, ambos com -0,06 p.p. de impacto. Comunicação (-0,02%) também teve variação negativa de preços. Já Saúde e cuidados pessoais (0,64%) foi o grupo com a maior variação e o maior impacto (0,08 p.p.), conforme mostra a tabela a seguir.

Grupo(%)Impacto (p.p.)
MaioJunhoMaioJunho
Índice Geral0,130,010,130,01
Alimentação e Bebidas-0,56-0,25-0,14-0,06
Habitação0,980,070,150,01
Artigos de Residência-0,100,020,000,00
Vestuário0,340,300,020,02
Transportes0,07-0,310,01-0,06
Saúde e Cuidados Pessoais0,590,640,070,08
Despesas Pessoais0,160,150,020,01
Educação-0,040,140,000,01
Comunicação-0,03-0,020,000,00
Fonte: IBGE

Apesar das altas do tomate (de -15,08% em maio para 5,25% em junho) e das carnes (de 0,25% em maio para 0,47% em junho) o grupo Alimentação e bebidas teve queda (-0,25%) em junho, acumulando variação de 2,89% em 2019. Essa deflação deveu-se à intensificação na queda dos preços de frutas (-6,14%) e feijão-carioca (-14,80%). Os dois itens já haviam recuado em abril e maio: respectivamente, -0,71% e -2,87% para as frutas e de -9,09% e -13,04% para o feijão-carioca.

O grupo Transportes (-0,31%) concentrou os impactos mais intensos sobre o IPCA de junho, em ambos os sentidos. No lado positivo está o item passagem aérea com 18,90% de variação e 0,07 p.p. de impacto. Influenciando negativamente estão os combustíveis (-2,41%) com destaque para a gasolina (-2,04% e -0,09 p.p.).

Regionalmente, a gasolina variou entre os -4,66% da região metropolitana de Porto Alegre e o 0,57% de São Luís. Tanto o óleo diesel (-0,83%) quanto o etanol (-5,08%) ficaram mais baratos, sendo que o etanol recuou em todas as áreas pesquisadas: de -8,51% na região metropolitana de Belo Horizonte até -0,35% na de Salvador. Já o gás veicular (2,38%) subiu, principalmente pelo aumento de 8,38% em São Paulo, por conta de reajuste em vigor desde 31 de maio.

Outro destaque nos Transportes foi o item ônibus urbano, cuja variação de 0,39% deveu-se ao reajuste 9,09% nas tarifas em Belém (7,27%) em vigor desde 5 de junho. A alta dos ônibus intermunicipais (0,43%) considera o reajuste de 6,66% nas passagens na região metropolitana de Porto Alegre (0,28%), em vigor desde 1º de junho; o reajuste de 10,00% na região metropolitana de Fortaleza (7,91%), a partir de 25 de maio, e os reajustes entre 3,30% e 7,50% na região metropolitana de Salvador (0,97%), desde 6 de maio.

O grupo Habitação desacelerou de maio (0,98%) para junho (0,07%), especialmente por conta do item energia elétrica (-1,11%) que exerceu pressão de -0,04 p.p. no IPCA. Isto se deve à vigência, em junho, da bandeira tarifária verde, sem cobrança adicional para o consumidor. Em maio vigorava a bandeira tarifária amarela, com custo adicional de R$ 0,01 por quilowatt-hora consumido.

Os preços da energia elétrica recuaram em quase todas as áreas pesquisadas, exceto nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte (4,42%) e de Vitória (4,81%). A primeira reflete o reajuste de 7,89% em vigor desde 28 de maio e a segunda, a alta da alíquota de PIS/COFINS. Adicionalmente, na região metropolitana de Porto Alegre (-2,82%), duas das suas três concessionárias se fundiram e, para unificar as tarifas, houve reajustes de 3,61% e 6,19% a partir de 19 de junho. Em Curitiba (-1,67%) o reajuste foi de 1,99%, com vigência desde 24 de junho.

Ainda no grupo Habitação, o gás encanado subiu (7,33%), devido ao reajuste de até 27% nas tarifas em São Paulo (19,93%), desde 31 de maio. Já o item taxa de água e esgoto (1,56%) reflete os seguintes reajustes: 4,72% em São Paulo (1,60%), desde 11 de maio; de 3,45% em Brasília (3,23%), desde 1º de junho (em complemento ao de 2,99% em 1º de abril) e de 4,70% em Salvador (2,62%), desde 12 de junho. Na região metropolitana de Curitiba (8,38%) houve a apropriação integral do reajuste de 8,38% com vigência desde 24 de maio e não incorporado anteriormente.

O grupo Saúde e cuidados pessoais foi o responsável pela maior variação e o maior impacto (0,64% e 0,08 p.p.) sobre o IPCA, entre os grupos pesquisados, devido à alta de 1,50% do item higiene pessoal, cujo impacto no IPCA foi de 0,04 p.p.

Quanto aos índices regionais, a região metropolitana de Vitória (0,54%) apresentou a maior variação, em função das altas observadas nas passagens aéreas (20,21%) e na energia elétrica (4,81%) devido ao reajuste na alíquota do PIS/COFINS. O menor índice ficou com a região metropolitana de Porto Alegre (-0,41%), influenciado pela queda nos preços das frutas (-14,37%) e da gasolina (-4,66%).

RegiãoPeso Regional (%)Variação (%)Variação Acumulada (%)
MaioJunhoAno12 meses
Vitória1,780,090,542,223,67
Fortaleza2,910,210,263,313,85
Curitiba7,79-0,030,211,812,63
Campo Grande1,510,420,182,572,95
Belém4,230,050,162,573,56
Belo Horizonte10,860,210,142,303,08
Brasília2,80-0,050,131,662,91
Rio de Janeiro12,06-0,050,052,263,48
Salvador6,120,110,012,283,33
São Paulo30,670,13-0,042,203,74
Recife4,200,33-0,082,542,83
Goiânia3,590,48-0,101,823,23
Aracaju0,790,34-0,123,104,07
Rio Branco0,420,67-0,142,414,71
São Luís1,870,25-0,242,773,22
PortoAlegr8,400,12-0,411,973,07
Brasil100,000,130,012,233,37

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *