Reforma diminuiu em 36,5% número de processos trabalhistas

Reforma diminuiu em 36,5% número de processos trabalhistas

O juiz Marlos Melek, considerado uma das vozes de destaque dos debates que antecederam a reforma trabalhista, resumiu em números, na última segunda-feira em Curitiba, os impactos da nova legislação após dois anos de vigência. “Tivemos queda de 36,5% em novos processos, queda de 60% de reparação moral, alta de 24% no valor dos acordos, alta de 1.804% em acordos extrajudiciais, queda de 86% de arrecadação sindical, queda de 28% de convenções coletivas. Todos esses números atestam que a reforma está funcionando e melhorando nosso país”, explica.

Marlos Melek: reforma trabalhista está funcionando.

Melek defendeu que os empresários ofereçam premiações variáveis para os funcionários, a fim de incentivar a meritocracia. “O empregador já pode pagar mensalmente uma remuneração aos seus funcionários sem que isso gere encargos previdenciários para a empresa e para o trabalhador. O valor não entra na base de cálculo de férias, 13º salário, horas extras e nenhum outro encargo. Esta é a grande revolução da reforma trabalhista”, diz Melek.

Segundo ele, a reforma já trouxe esta possibilidade e isso foi reforçado recentemente com a resposta da Receita Federal a uma consulta pública, que apagou qualquer dúvida sobre o assunto. “Este posicionamento da Receita Federal confere segurança jurídica à medida e garante a tranquilidade para empregadores colocarem a medida em prática”, observou.

O juiz falou durante debate com os advogados Sérgio Rocha Pombo, José Affonso Dallegrave Neto e André Gonçalves Zippere. O evento foi realizado pela Faculdade Panamericana de Administração e Direito (Fapad) e patrocinado pelo leiloeiro público Helcio Kronberg, no hotel Grand Rayon, em Curitiba. Dallegrave, Rocha Pombo e Kronberg são os fundadores da Câmara Nacional de Arbitragem Trabalhista (Canatra), entidade sem fins lucrativos.

Acordo entre empregado e empregador

No evento, o advogado Sergio Rocha Pombo falou sobre a jurisdição voluntária, na qual prevalece o acordo entre empregado e empregador. Pombo comentou a recente decisão do a 4ª turma do TST, que admitiu a homologação de acordo extrajudicial com cláusula de quitação geral do contrato de trabalho. Com a medida, as pendências ficam solucionadas e o trabalhador não pode entrar com outros pedidos na Justiça.

“Isso é uma novidade que pode facilitar o acordo, já que o TST entendeu que a atuação do Judiciário se resume a homologar, ou não, o acordo.” analisa.

Arbitragem

José Affonso Dallegrave Neto, presidente da Câmara Nacional de Arbitragem Trabalhista (Canatra), abordou a mediação para questões trabalhistas. Ele salientou que os empresários devem buscar um meio termo. “A arbitragem é um modelo moderno e atualizado, uma tendência no mundo, com vantagens para os trabalhadores e os empresários, pois traz benefícios como a possibilidade de escolha dos seus árbitros, a expertise dos árbitros de acordo com o tema da ação, o baixo custo em comparação com o processo envolvendo advogados, entre várias outras”, afirmou.

O advogado esclareceu que, com a reforma trabalhista, é possível a arbitragem nos contratos individuais de trabalho desde que a remuneração do empregado seja superior a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social (acima de R$ 11 mil) e a cláusula compromissória seja acordada por iniciativa do empregado ou mediante sua concordância expressa, nos termos previstos na Lei de Arbitragem.

REFORMA TRABALHISTA EM NÚMEROS

  • Queda de 36,5% em novos processos
  • Queda de 60% de reparação moral
  • Alta de 24% de valor dos acordos
  • Alta de 1.804% de acordos extrajudiciais
  • Queda de 86% de arrecadação sindical
  • Queda de 28% de convenções coletivas.

Reforma trabalhista e plataformas digitais

André Gonçalves Zipperer, autor do livro A Intermediação de trabalho via plataformas digitais, falou sobre o direito do trabalho a partir das novas realidades do século XXI. O jurista analisou o futuro do trabalho e trouxe informações sobre cada tipo diferente de prestação de serviços desenvolvida nos espaços virtuais.

“A real reforma trabalhista é pensar no aprendizado durante a vida inteira e isso exige uma mudança de paradigma. Se pensarmos que 65% das crianças vão trabalhar no futuro em atividades que ainda não existem, eu proponho uma reflexão sobre a necessidade de se repensar as relações de trabalho e pensar as dificuldades em inserir este novo tipo de trabalhador no clássico modelo que existe hoje legislado”, alerta.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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