Saques do FGTS podem servir para iniciar negócio próprio ou melhorar o que já existe

Saques do FGTS podem servir para iniciar negócio próprio ou melhorar o que já existe

No Brasil, o número de MEIS despontou em março. O país conta já com mais de 8,1 milhões de microempreendedores formalizados. Especialistas apontam que a liberação do saque do FGTS pode ser um incentivo para abrir ou impulsionar o próprio negócio

O sonho de ser dono do próprio negócio se torna a cada ano mais recorrente no Brasil. Em meio à onda de desemprego que atinge mais de 12 milhões de pessoas, conforme o IBGE, este ano o país alcançou a marca recorde de 8,1 milhões de MEIs (Microempreendedores individuais). Isso deve aquecer o mercado do empreendedorismo, segundo especialistas. As recentes mudanças nas regras do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que permitem saque do fundo são estímulos para o surgimento de novos MEIS.

O especialista em empreendedorismo e negócios, Manoel Suhet (foto), CEO do Global Business INSTITUTE (GBI), explica que esse dinheiro pode servir de incentivo para o empreendedor e o microempreendedor individual. “Esse montante tem como ser o pontapé inicial para começar o próprio negócio, como pode ainda ser um capital inesperado para aprimorar um empreendimento que já existe e está precisando de novos investimentos”, explica.

As medidas econômicas têm previstas duas modalidades de acesso ao fundo. O primeiro é uma retirada imediata, de até R$ 500 para contas ativas (do emprego atual) ou inativas (de empregos antigos). Já por meio do saque aniversário, a partir de 2020, o brasileiro terá a opção de sacar uma parte do FGTS todos os anos, mas, em contrapartida, perde o direito de receber todo o dinheiro em caso de demissão.

A liberação dos saques deve abranger 96 milhões de brasileiros, segundo o Ministério da Economia. O calendário divulgado pelo governo indica que a partir de 13 de setembro, os valores começam a ser liberados. Atualmente, há cerca de 260 milhões de contas ativas e inativas no FGTS. Desse total, cerca de 211 milhões (80%) têm saldo de até R$ 500. A previsão é que, em um período de 12 meses, R$ 42 bilhões sejam injetados na economia.

OPORTUNIDADES COM O FGTS

Para o trabalhador que exerce funções enquadradas nas atividades de microempreendedor, é uma chance de tornar o próprio negócio mais formal. “Com o saque liberado, é importante que as pessoas mantenham a essência da função deste dinheiro do FGTS. Ele tem o intuito de oferecer uma zona de segurança em um momento de vulnerabilidade econômica. Em vez de gastar esse dinheiro em projetos de curto prazo, o momento pode ser ideal para concretizar a iniciativa empreendedora e criar um MEI, por exemplo”, sugere Manoel Suhet.

Para realizar o cadastro como MEI, os empresários não podem faturar mais que R$ 81 mil mensais e devem pagar uma contribuição mensal entre R$50,90 e R$55,90. Em contrapartida, se tornam autônomos legalizados, com impostos menores, direto a aposentadoria, auxílio doença e auxílio maternidade.

Com experiência de mais de 20 anos no mercado global, Antonio Miranda, orienta os empreendedores. “Com esse dinheiro ‘extra’ talvez seja a hora de começar um negócio ou de dar um plus na empresa. Investir em pesquisa de mercado e estratégia de marketing para averiguar o que pode ser lançado ou adequado para atingir um novo universo de consumidores ou fazer com que a base existente de consumidores compre mais da sua empresa”, direciona o expert, que é diretor de marketing do GBI.

EMPREENDEDORES BRASILEIROS

O sonho de ter um negócio próprio é comum a 33% da população. Em 2018, dois em cada cinco brasileiros com idades entre 18 e 64 anos estavam a frente de um empreendimento ou desejavam iniciar a carreira de empresário. Ainda no ano passado, cerca de 52 milhões de brasileiros estavam envolvidos em uma atividade de empreendedorismo. Os dados mencionados são da mais recente pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor), que contou com o apoio do Sebrae.

Os números apontaram ainda que, 56% dos brasileiros afirmam que o “medo de fracassar” não se configura como um argumento forte o suficiente que impediria a ideia de começar um empreendimento, caso essa decisão fosse tomada. “O brasileiro é criativo e tem ideias que podem se tornar grandes negócios desde que bem orientadas. O medo não paralisa, mas a ansiedade e a falta de orientação correta pode frustrar os planos. Para não cair na estatística de empresas que não sobrevivem, é preciso planejamento e uma estratégia sólida que facilite um negócio próspero”, explica.

DO BRASIL PARA O MUNDO

O novo perfil dos empreendedores brasileiros mostra que, de fato, eles são destemidos. Cada vez mais atraídos pela globalização, uma pesquisa feita pela Apex-Brasil, levantou um dado sobre a estratégia de internacionalização de negócios: 60% dos empreendedores entrevistados têm planos para expandir a presença internacional ou abrir um novo negócio no exterior. Na mesma pesquisa, realizada com 229 empresas, 83,6% dos entrevistados reconheceram que a expansão internacional é altamente importante para empresa.

Com tamanha coragem, a criatividade do empreendedor brasileiro transpõe barreiras. “Nos Estados Unidos, temos diversos casos de empreendedores que apostaram na inovação e não teriam o mesmo sucesso caso estivessem no Brasil. Essa visão de internacionalização do negócio somente um profissional pode auxiliar o empreendedor a ter. Não existe fórmula mágica, mas planejamento é o primeiro passo”, complementa Shoet.

Mundo afora já são mais de 20 mil micros e pequenos empreendedores brasileiros formais, de acordo com levantamento mais recente do Ministérios de Relações Exteriores do Brasil – MRE. O principal destino dos brasileiros empreendedores ainda são os Estados Unidos, que concentra mais de 9 mil empresários do Brasil. O país norte americano é seguido de Japão, com 1,5 mil, e a França, com 1.320.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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