Dólar em alta, empresas baratas?

Dólar em alta, empresas baratas?

Não é de hoje que a alta do dólar é música aos ouvidos de grandes exportadores, afinal, moeda desvalorizada possibilita vantagem competitiva mundo afora. Com a deterioração do real, estrangeiros desfrutam de bens e insumos com baixo preço em nosso país tropical. Podemos dizer o mesmo para os investidores estrangeiros que desejam fazer fusões e aquisições (F&A) cross-border no Brasil?

Evidentemente que decisões de aquisições de empresas estrangeiras não se limitam a questões cambiais favoráveis. Outros fatores exógenos, como política, imprevisibilidade e intervenção do governo na economia, são algumas variáveis relevantes típicas de nosso país que influenciam a tomada de decisão. Segundo estudo feito pelo PhD em finanças e professor da Universidade Tulane (EUA), Eduardo Pablo, por meio de regressões logísticas, as determinantes que justificam F&A cross-border na América Latina são relacionadas aos maiores custos de financiamento que a empresa-alvo tem em relação às adquirentes.

Ao analisar a correlação da série histórica do Enterprise Value (valor real das companhias) das empresas listadas na B3 e o dólar no período de cinco anos (2014-2019), observa-se que não há evidências da influência da valorização do dólar no valor real das organizações, mesmo se for levado em consideração a representação de 45% dos estrangeiros na B3.

Fato é que a cada oscilação de desvalorização da moeda, ressurge nas mídias a ideia de existir boas oportunidades para estrangeiros adquirirem instituições brasileiras. Talvez uma explicação para isso seja a relação cognitiva de que viajantes pagam menos em países de moeda dispare. Tal suposição e pressuposto em fusões e aquisições teria a mesma lógica.

O que poucos mentalizam, porém, é: quando gastamos lá fora, no “dia seguinte” ganhamos em moeda local. Ao adquirente estrangeiro, que investe em países emergentes com câmbio desvalorizado – diferente do turista – receberá todos os fluxos futuros na moeda local, cuja conversão e repatriação será sempre desfavorável. Então, sob a ótica de criação de valor, o câmbio isoladamente parece não justificar o investimento.

Em meados de 2000, mesmo com o dólar desvalorizado, havia grandes investimentos estrangeiros no Brasil. Na época, emergiam expectativas: o Brasil era a “bola da vez”. Hoje, mesmo com o câmbio favorável para estrangeiros, as expectativas são baixas. A falta de previsibilidade minou qualquer possibilidade de investimentos internos e externos.

Por fim, encontrar ativos de qualidade que justifiquem a entrada de estrangeiros no Brasil nem sempre é tarefa fácil. O câmbio favorável ao adquirente internacional pode ser um estimulante adicional para F&A de baixo custo, mas embora atraentes, não são necessariamente criadores de valor. O barato sempre será relativo.

O artigo foi escrito por Fernando Cabral (foto), que é avaliador de empresas na Gordon Valuations e autor do livro “Avaliação de empresas – e os desafios que vão além do Fair Value”, publicado pela Lura Editoria.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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