Conhecer para reinventar é a estratégia do mercado financeiro na era da Transformação Digital

Conhecer para reinventar é a estratégia do mercado financeiro na era da Transformação Digital

A possibilidade de uma nova tecnologia surgir de repente e causar disrupção é um fator de preocupação que atinge desde empresas centenárias até startups, mas existe uma forma de dormir razoavelmente tranquilo em relação a isso – justamente não ignorar o fato de que isso pode acontecer. Assim, as empresas mantêm o radar ligado e ao invés de serem surpreendidas por uma ameaça, podem acabar descobrindo grandes oportunidades.

Esta foi a principal constatação do painel “As tecnologias de amanhã nos dias de hoje”, realizado no auditório do CESAR, centro de inovação de Recife, na HSM Expo 2019. O debate contou com a participação do diretor de Novos Negócios e Inovação da B3 Rodrigo Ferreira e de Rafael Palermo, da corretora de criptoativos Bitblue. Afinal, “transformação Digital também deve fazer parte do vocabulário das empresas estruturadas sobre forte base tecnológica”, conforme destacou o gerente de projetos do CESAR, Fabio Maia, moderador do debate.

De acordo com Ferreira, o monitoramento das novidades do mercado é uma prática consolidada na B3. “Temos uma área dedicada a observar e identificar oportunidades. Um laboratório com 10 a 15 pessoas que mapeiam as principais ferramentas que estão surgindo e tentam encontrar sinergia entre elas e a nossa atuação”, disse.

Em 2015, quando já se falava muito sobre blockchain, por exemplo, a Bolsa acompanhava de perto o assunto e num determinado momento a decisão foi por participar do consórcio R3 para que, junto com outras instituições ao redor do mundo, a organização pudesse estar envolvida na geração de casos de uso com essa tecnologia.

“Hoje podemos dizer que a B3 tem o domínio do uso desta tecnologia. Sabemos que ela pode ser usada em algumas aplicações da nossa operação, mas não vemos a necessidade e nem a urgência de migrar toda nossa estrutura para o blockchain”, disse.

Atualmente, a Bolsa estuda machine learning e Inteligência Artificial. “Temos um centro de excelência para identificar onde podemos aplicar estas tecnologias dentro dos nossos clientes e dentro da própria B3”.De acordo com o executivo, a organização mapeia mais de 50 oportunidades.

Outros focos de atenção são Internet das Coisas e Realidade Aumentada. “Identificamos nessas tecnologias um forte potencial para criar soluções que nos ajudem a atrair mais pessoas físicas para a Bolsa”, revela.

A estratégia da corporação estabelece como critério a escolha de duas ou três oportunidades para serem exploradas de uma forma mais prática, com prototipagem e interação com os clientes. “Hoje nós conseguimos ter uma visibilidade a respeito das inovações que podem surgir. Fazemos estudos e avaliamos a aplicabilidade das tecnologias para a indústria. Desta forma elas acabam sendo vistas mais como oportunidades do que ameaças”, conclui.

À frente do jogo

Da mesma forma como podem ser impactadas pelo surgimento de uma nova tecnologia, as empresas podem inverter o jogo e criarem elas mesmas novas tecnologias que podem impactar o mercado.De acordo com Rafael Palermo, a Bitblue tem buscado esta via. A empresa desenvolveu uma solução de pagamentos em forma de maquininha de cartão que permite a todo tipo de estabelecimento do país receber criptoativos como forma de pagamento. Outra aposta da companhia é um hard wallet ledger, dispositivo que pode ser usado para aumentar a segurança em operações de autenticação.

“A tecnologia permite otimizar muitos processos, mas a transformação digital se trata, principalmente, de melhorar a experiência dos usuários”, pondera. O blockchain é uma tecnologia que vai muito além da criptomoeda em si, e pode servir de catalisadora para uma série de serviços financeiros. “Grande parte da população brasileira ainda é desbancarizada e cerca de metade das transações no país são feitas ainda em espécie.

A moeda em papel, contudo, é muito cara de manter, produzir, garantir segurança. A tendência pela digitalização da moeda segue forte e as novas tecnologias podem atuar como aceleradoras desse processo”, afirma Palermo.

Pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva revela que 45 milhões não possuem conta bancária, mas movimentam anualmente mais de R$ 800 bilhões.“A transformação digital já está aí e é para todo mundo. Se a empresa já viveu 160 anos ela tem que se preparar para os próximos 160. Por isso, não pense em falhar rapidamente, mas sim em aprender muito rapidamente. Assim a empresa vai se adaptar melhor e conseguir sobreviver”, concluiu Eduardo Peixoto, Chief Design Officer do CESAR.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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