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Fusões e aquisições na educação devem ir além da due diligence tradicional

Passados 20 anos de abertura do mercado educacional, as necessidades dos alunos não foram verdadeiramente consideradas e atendidas. O foco dos grandes grupos educacionais ficou no mercado de investidores com resultados financeiros cada vez mais agressivos, com promessas de EBTIDA sempre crescente, sem qualquer política de inovação, de renovação dos recursos que mantinham os negócios cada vez mais atrativos financeiramente.

As aquisições foram estabelecidas em negócios bem estruturados, mas, mesmo com processos detalhados de due diligence, deixaram de lado nas suas análises, algumas características importantes do segmento educacional, como a histerese, ou seja, a proposta de fazer mais do mesmo jeito. Assim, mesmo gerando resultados, as últimas aquisições dos grandes grupos se mostraram com eficiência aquém do que se previa nas análises, considerando os valores das negociações.

O Grupo SER Educacional comprou a UNG (Universidade de Guarulhos), uma grande marca da região metropolitana de São Paulo, em um local de grande concentração humana, mas, ao implantar seus padrões curriculares e estrutura de gestão, chegou a perder cerca de 25% da base de alunos existentes na UNG e não conseguiu recuperar o número registrado quando do período de aquisição.

A Kroton, por sua vez, fez a aquisição da Somos Educação, o maior player de educação básica, que atua em editoras (Ática e Scipione), sistemas de ensino (mais de 10 sistemas de Educação Básica nas fases Médio e Fundamental I e II) e acessórios educacionais para o contraturno. Tal é a dimensão dos negócios possíveis que “a digestão” não foi concluída ainda e a integração trazendo novos resultados não aconteceu.

Por isso, o grupo Kroton Educacional foi renomeado para Cogna e dividido em quatro empresas, visando ampliar oferta de serviços B2B para escolas e universidades. Como estratégia de gestão, esta divisão ajuda a separar os resultados negativos em números menos ruins, pois a soma dos resultados negativos integrada tem assustado os acionistas e derrubado as ações da ex-Kroton, agora Cogna, diariamente por meses.

Como mais recente movimento estratégico, está a Estácio comprando todas as marcas da Adtalem, ex-Devry, pelo valor de R$ 1,9 bilhão. Seu mais importante ativo é o IBMEC, que apresenta unidades de graduação em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Para assustar menos os alunos e os financiadores de suas formações, a Estácio também mudou sua marca para Yduqs e afirma “abrir nova fase de crescimento”.

A alteração da marca da holding tem como objetivos “dedicar recursos em negócios já existentes”; “construir posicionamentos diferentes por meio de novas marcas”; e “desenvolver novos negócios”. Esta frase deixa claro que a intenção é afastar a marca Estácio da marca IBMEC, evitando mais transferências, que se iniciaram com o anúncio de descontinuidade de atuação da Adtalem.

As mudanças dos nomes das marcas por si só não trazem mais credibilidade, confiança, valor e esquecimento da forma de gestão de negócios educacionais baseados e redução de custos. Na verdade, este reconhecimento viria por uma postura muito diferente da que é adotada, em que se cortam professores e substituem aulas presenciais por EAD, sem adequações necessárias de metodologias. Novos e especiais dias virão para o setor da educação superior, sem mágicas e sem ilusões e, com eles, a redução da evasão.

O artigo foi escrito por  César Silva (foto), que é presidente da Fundação de Apoio à Tecnologia (FAT) desde 2002 e docente há mais de 30 anos. 

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Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
https://www.miriangasparin.com.br

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