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Medicina diagnóstica deve continuar evoluindo e investindo em inovação

Após uma das maiores crises da história do Brasil, em 2019 o país experimentou um período de inflação sob controle. Porém, ainda há desconfiança acerca do ritmo de crescimento, mesmo diante de uma retomada lenta e gradual da atividade econômica. Para a saúde suplementar, até agora não foi possível falar em recuperação, já que não se conseguiu reintegrar os mais de 3 milhões de beneficiários perdidos desde 2014.

Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o setor totalizou 47.255.912 usuários de planos de assistência médica em todo o Brasil, mostrando que houve discreto aumento de 0,15% no número de beneficiários até outubro de 2019 (último dado divulgado pelo órgão regulador), quando comparado com o mesmo período de 2018.

A recuperação real da saúde suplementar só deve vir com o aumento do emprego formal, já que os planos coletivos empresariais representam quase 70% da contratação de assistência médica privada no país, segundo a ANS, o que torna o setor refém tanto da retomada do emprego formal quanto do rendimento real do brasileiro. Nos dois casos a retomada é lenta, pois os números oficiais do governo mostram também que até outubro de 2019 foram criados 841.589 empregos com carteira assinada, aumento de 6,45% frente ao mesmo período de 2018, quando foram abertas 790.579 vagas formais. Mas ainda não foi o suficiente para a retomada da economia.

Para a diretora-executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Priscilla Franklim Martins, sobre a necessidade de confiança em 2019 se pode dizer que a crise impulsionou a aproximação entre prestadores de serviços, operadoras de planos de saúde, gestores e lideranças do setor.

“Isso proporcionou a chance de atores da saúde repensarem o sistema: pilotos com diferentes modelos de remuneração; qualidade para adicionar valor ao paciente, com desfecho adequado; interoperabilidade que garante racionalização com maior cuidado horizontal, e outros que estão por vir”, explica.

O mercado de medicina diagnóstica, segundo Priscilla, continuou a evoluir e inova a cada ano, e o avanço de tecnologias permite que os exames de diagnóstico – clínicos ou de imagem – sejam realizados em grande escala, em menor tempo, com melhor qualidade e precisão.

“O segmento movimenta entre R﹩ 42 bilhões e R﹩ 43,7 bilhões por ano bem como se destaca na saúde, tornando-se atrativo para a realização de investimentos considerando os diversos fatores socioeconômicos, demográficos e epidemiológicos que favorecem o crescimento e o desenvolvimento do setor no Brasil”, afirma.

Além disso, a área diagnóstica foi responsável pela manutenção de 253,5 mil postos de trabalho em 2018, o que representa 11,5% dos empregos vinculados à área da saúde, segundo dados do Painel Abramed 2019 – O DNA do Diagnóstico, publicação da Abramed que consolida dados do setor de medicina diagnóstica.

“E as tendências apontam para um cenário de fortalecimento e desenvolvimento cada vez maior nos próximos anos, com o surgimento de healthtechs focadas em soluções nos diversos segmentos que permeiam os cuidados do paciente”, destaca Priscilla.

Priscilla Franklim Martins: com a evolução da inteligência artificial, o sistema de saúde ganha em otimização de recursos.

Expansão e mudanças

Como o segmento manteve o ritmo de expansão mesmo diante da perda de dinamismo da atividade econômica e do arrefecimento do mercado de trabalho, para 2020 a perspectiva é de mudança, mesmo que lenta, com crescimento econômico e maior empregabilidade. Para Priscilla, com menos pessoas dependendo do SUS, a rede privada de serviços, de planos de saúde pode se organizar melhor.

“Esse é um ponto positivo para o Brasil. Mas ainda há a necessidade de avanços estruturais. O país está atrasado quando se fala em incorporação tecnológica e uso de procedimentos de alta tecnologia”, ressalva, lembrando que o primeiro passo deve ser em infraestrutura, para que as inovações possam chegar à ponta, com acesso fácil, no desfecho do paciente, que deve estar no centro dessas decisões.

Outra melhoria importante – e necessária -, na opinião da diretora-executiva da Abramed, é a mudança de foco da assistência, que deve passar a priorizar a promoção de saúde e prevenção de doenças em vez de o tratamento. Desde 2004, a ANS tem estimulado as operadoras à incorporação progressiva de ações promotoras de saúde e prevenção de riscos e doenças, por meio de programas que reúnem estratégias e iniciativas cujos objetivos envolvem a melhoria da qualidade de vida dos beneficiários. Assim, pretende-se uma alteração no papel dos atores da saúde suplementar na qual as operadoras se tornam gestoras de saúde.

Paralelamente a isso, é preciso garantir o investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação. “Com a evolução da inteligência artificial, por exemplo, o sistema de saúde ganha em otimização de recursos, contribuindo para a busca pela sustentabilidade do setor; o paciente ganha com a garantia de resultados mais assertivos dos seus exames de diagnóstico; e o Brasil ganha em eficiência e reconhecimento por oferecer, de forma universal e indiscriminada, saúde de qualidade a todos os seus cidadãos”, afirma Priscilla.

Ela chama a atenção também para Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entra em vigor em agosto de 2020. Na medicina diagnóstica, as empresas brasileiras precisam ter investido tempo e recursos a fim de modificar o modo como lidam com os dados pessoais, não só de pacientes, mas também de colaboradores.

“Com tantas dúvidas e interpretações possíveis geradas pelo texto da legislação, os desafios são enormes, inclusive na adaptação de novos sistemas. A mudança é necessária, pois todos nós estaremos sujeitos a penalidades pesadas, que acarretarão ainda mais prejuízos a um sistema já instável”, alerta.

Além disso, a Abramed informa que para 2020 seguirá na luta contra o desperdício em todos os pontos cruciais da cadeia, dando relevância aos debates sobre os impactos da superutilização e subutilização de exames diagnósticos – questões que interferem diretamente na sustentabilidade do sistema.

“Para isso, é indispensável que todos os envolvidos na cadeia de saúde estejam alinhados com esse desafio. Temos de rever também a necessidade de investimentos em educação continuada para a criação de gestores eficazes, capazes de transformar o atual sistema de saúde, tanto na esfera particular quanto na pública, visto que elas são complementares e indissociáveis”, conclui Priscilla Franklim Martins.

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Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
https://www.miriangasparin.com.br

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