Escalada do coronavírus pressiona empregos

Com as revisões para baixo do crescimento econômico e o início da quarentena nas maiores cidades do país devido à evolução da pandemia de covid-19, o Planalto editou medida provisória com ações a serem adotadas pelas empresas para a manutenção dos empregos durante a crise. Ainda na semana passada, o Ministério da Economia já havia revisado para baixo o crescimento do PIB brasileiro de 2,1% para 0,02%, o que provoca pressões nos empregos de diferentes perfis de trabalhadores.
De acordo com o economista Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais da ESPM SP, os informais e subutilizados compõem a primeira camada de risco entre a população economicamente ativa com a ameaça de recessão.
“A taxa de desemprego de 11,8% oculta alguns pontos importantes na dinâmica do mercado de trabalho do Brasil. Temos mais 5 milhões de desalentados fora desse grupo, que são os indivíduos em idade produtiva que desistiram de buscar trabalho, e outros 11 milhões de subutilizados, que vivem de serviços intermitentes. Esse contexto pode fazer a taxa de desemprego escalar muito rapidamente, podendo ultrapassar os 30% no curto prazo. A situação amplia as tensões já existentes no mercado de trabalho com o novo elemento da pandemia”, afirma Leonardo Trevisan (foto).Para o professor, as ações realizadas pelo governo até agora no enfrentamento econômico da pandemia divergem das realizadas por outros países nas últimas semanas.
“A linha de ação do governo está indo na contramão do que todos os países estão fazendo nessa crise, que é ampliar a rede de proteção social dos trabalhadores formais e das empresas. Isso está sendo feito até mesmo pelo presidente americano Donald Trump, que tem anunciado diariamente medidas agressivas para proteger tanto trabalhadores quanto empresas americanas da recessão.”








