Quatro cenários para investir em tempo de crise

Quatro cenários para investir em tempo de crise

A propagação do coronavírus pelo mundo e a nova crise do petróleo causaram uma forte queda dos preços das ações na última semana. Após passar por quatro circuit breakers, mecanismo que paralisa as negociações na bolsa de valores quando ocorre uma queda grande em um único dia, o Ibovespa fechou a segunda semana de março com desvalorização de 15,63%, entrando no chamado bear market, momento em que a bolsa cai mais de 20% com relação ao seu pico mais recente.

Para Samuel Torres, analista-chefe da Capital Research, o momento exige que os investidores assumam uma nova postura. “A combinação de ambos os fatores levou a um movimento significativo de aversão ao risco, causando fortes quedas nos mercados acionários”, analisa Torres, “mas justamente por isso, acreditamos que esta pode ser uma excelente oportunidade de compra para alguns investidores.”

Ciente disso, a casa de análises lançou um relatório, na última segunda-feira (9), traçando quatro cenários de como os investidores devem reagir diante desse momento de queda na bolsa de valores brasileira.

“A pergunta que todos os investidores nos fazem agora é: o que fazer? Mas para responder a essa pergunta, precisamos passar primeiro por outra: o que não fazer? E, para esta, a resposta é mais fácil: não venda!”, diz Samuel Torres.

No relatório, o analista explica que momentos de estresse fazem parte do mundo dos investimentos e dos ciclos econômicos e reconhece que é impossível saber até onde as ações continuarão caindo, mas alerta que é melhor não tentar acertar qual o momento ideal de vender, sob o risco de assumir um prejuízo maior ainda.

“O que diversos estudos mostram é que até os melhores gestores têm grande dificuldade de identificar com alguma precisão o início e o fim dos ciclos. E, na tentativa de acertar, muitos investidores vendem ou reduzem ainda mais suas posições quando os mercados começam a cair, deixando de ganhar com a alta que se sucede”, alerta Torres.

Diante disso, a casa de análises apresenta quatro cenários sobre o que fazer durante quedas na bolsa como a atual:

1. Investidor que está com uma alocação em ações abaixo da recomendada e tem alocação em reserva de emergência acima da que precisa

“Para esses investidores, recomendamos aproveitar a queda dos preços e utilizar para comprar um pouco de ações, mas sem reduzir sua reserva de emergência para patamar abaixo do que você necessita. No entanto, pode ser que os preços continuem caindo, então não indicamos que faça todas as compras necessárias para adequar sua alocação de uma vez. Se o mercado continuar caindo nos próximos dias, você pode fazer novas compras até atingir a alocação recomendada”, recomenda o analista-chefe da Capital Research.

2. Investidor que está com uma alocação em ações abaixo da recomendada e tem alocação em reserva de emergência abaixo da que precisa

“Recomendamos que não faça nada com seus investimentos atuais. Caso você tenha entradas de caixa, como o seu salário, por exemplo, recomendamos que primeiramente recomponha sua reserva de emergência antes de seguir para o indicado no item 1. Segurar a tentação de comprar ações antes de estar preparado para possíveis solavancos do mercado é seu maior desafio”, alerta Torres.

3. Investidor que está com uma alocação em ações acima da recomendada e tem alocação em reserva de emergência abaixo da que precisa

“Este cenário é muito parecido com o segundo e nós recomendamos que você não faça nada com seus investimentos atuais. Só venda ações se realmente precisar, porque você assumirá um prejuízo se fizer isso agora. Agora, se tiver entradas de caixa nesse período, recomponha sua reserva de emergência”, indica o analista.

4. Investidor que está com uma alocação em ações acima da recomendada e tem alocação em reserva de emergência acima da que precisa

“Se você se enquadra neste cenário, sua posição já é bastante confortável, então recomendamos que não faça nada com seus investimentos atuais. Agora não é um bom momento para rebalancear sua carteira. Mas, se você tiver entradas de caixa, utilize para comprar os ativos nos quais sua alocação está abaixo da recomendada. Os melhores investidores do mundo ensinam que balanceamento de carteira se faz comprando mais ativos e não vendendo aqueles que já se tem”, resume Torres.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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