Como deve funcionar o mercado de contratações pós-Covid-19

Como deve funcionar o mercado de contratações pós-Covid-19

“Aristóteles disse certa vez, há quase 2.400 anos na Grécia antiga, que a arte imitava a vida. Oscar Wilde, 23 séculos depois no Reino Unido, disse o inverso afirmando, por sua vez, que a vida imitava a arte. O contraponto dos pensamentos acima nos traz pra realidade moderna da sociedade, especificamente em 2020, quando o mundo globalizado passou a conviver com um incômodo problema viral invisível, silencioso e traiçoeiro. Seu trabalho imita sua vida pessoal? Ou sua vida pessoal imitará a cultura corporativa da empresa que você faz parte?”

O questionamento é do headhunter especializado em empresas que estão passando por processo de profissionalização, Marcelo Arone (foto), que vem analisando as transformações profundas pelas quais o mercado está passando com a pandemia do novo Coronavírus. Para ele, não se pode, ao menos por ora, afirmar que esse sistema no qual estamos inseridos mude radicalmente depois que a tempestade passar, mas é preciso compreender as lições deixadas por ela para que possamos repensar nossas atitudes no dia a dia. Seja em casa ou no trabalho. Para ele, um fará cada vez mais parte do outro.

“Muitos profissionais e executivos nos grandes centros costumam trabalhar mais da metade de um dia comum. Com o avanço da tecnologia, sem perceber você está respondendo e-mails ou fazendo o famoso “Follow-up” pelo whatsapp da sua casa”, lembra Marcelo. Vivíamos vidas em função do escritório, mesmo em casa: “aos finais de semana, ao invés de aproveitar o tempo com seus filhos, esposa ou marido, você lembrava da reunião semanal e corre pra inserir alguma informação relevante na sua apresentação pro chefe. Nos últimos 30 dias, nossa sala virou escritório, nosso cartão de ponto foi o sol, nosso trânsito foi o tempo da cafeteira e nosso sapato virou chinelo”, enfatiza.

Por isso, para o headhunter, o Home Office veio pra ficar: “muitos já o faziam, poucos de maneira mais correta, digamos, mas, sem dúvida, as empresas já assumem que o custo operacional e mesmo a eficiência em manter os colaboradores (que podem trabalhar parte da semana em casa) vale a pena”, explica.

Marcelo lembra que, em crises, sempre há quem perca e quem esteja, mesmo que indiretamente, ganhando: “se, infelizmente, o saldo total de desempregados, ao que tudo indica, será elevado em áreas como o comércio ou serviços não essenciais, em setores como E-Commerce, Tecnologia Digital, Saúde e Indústria de Alimentos não só irão manter o quadro de funcionários como buscarão no mercado novos profissionais. Quem tiver a pró atividade em entender esse contexto todo, se reinventar (essa é a palavra da moda no momento) e posicionar sua carreira e habilidades técnicas para as novas demandas que a sociedade irá valorizar mais, largará na frente”.

Num primeiro momento, lembra Marcelo, aos olhos da famosa regra de “Oferta e Demanda”, as empresas levam vantagem: “mão de obra disponível, economia em fase de reconstrução e consumo voltando. A médio prazo, acreditando que toda queda rápida volta também ao normal com agilidade, são as pessoas (colaboradores e candidatos) que terão o poder nas mãos de escolherem onde trabalhar”.

“Responsabilidade social, sustentabilidade e inclusão que já não eram há tempos somente um termo bonito dentro das empresas irão ganhar mais destaque do que nunca. Empresas que nesse atual contexto conseguem manter o quadro de funcionários, produzem itens de higiene e equipamentos médicos para quem está na linha de frente do combate ao Covid-19, ou fazem doações financeiras para ajudar as camadas mais necessitadas serão lembradas a ainda mais admiradas. As pessoas vão querer trabalhar lá e terão orgulho de divulgar. As empresas que serão escolhidas e não o oposto”, enfatiza ele, lembrando que essa é uma grande quebra de paradigma, que já estava acontecendo em alguns mercados, e deve ser expandida agora.

Para as empresas, sejam elas de pequeno, médio ou grande porte que, infelizmente, não conseguirem manter a atual estrutura, Marcelo dá uma dica: ajudar o colaborador demitido a se reposicionar na carreira: “organizar programas de recolocação profissional com consultorias especializadas, cursos de qualificação em um novo setor, carta de referência são alguns exemplos que podem servir de suporte técnico ou até mesmo emocional ao profissional que se teve que sair numa reestruturação vão proporcionar que as empresas saiam dessa crise mais humanizadas. Talvez seja a saída para se manter na dianteira”, finaliza ele.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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