Ativos alternativos ganham força em meio à instabilidade econômica e à evolução da tecnologia
No primeiro trimestre deste ano, as taxas de juros globais caíram acentuadamente e, em meio a este cenário, um volume significativo de recursos foi transferido de fundos convencionais para fundos de Private Equity e outros “investimentos alternativos” como forma de refúgio.
Mas a busca por esta modalidade de ativos no mercado externo é uma tendência já verificada nos últimos anos.
O “Relatório Global de Gerenciamento de Ativos 2020”, publicado pelo Boston Consulting Group (BCG), estima que o investimento alternativo continuará crescendo a cada ano e, até 2024, será responsável por 17% da escala global de gerenciamento de ativos e 49% da receita do setor global de gerenciamento de ativos.
Segundo o documento, cuja definição de investimento alternativo inclui Hedge Funds, fundos de Private Equity, imóveis, infraestrutura, commodities e dívida privada, o mercado mundial de gerenciamento de ativos não encolheu desde 2003, ano em que o ativo total do setor foi US$ 31 trilhões, tendo aumentado significativamente até 2019, onde atingiu US$ 89 trilhões, quantia que consegue ser mais expressiva do que a soma do PIB de muitas economias emergentes.
Na mesma toada, a Mercer, líder global de consultoria em carreira, saúde, previdência e investimentos, apresentou a pesquisa “Tendências de Alocação para Mercados em Crescimento 2020”, com informações sobre a alocação e tendências de investimento de ativos de fundos de pensão na América Latina, Oriente Médio, África e Ásia.
O estudo, que foi realizado em 16 países, com investidores responsáveis por um patrimônio de cerca de US$ 5,2 trilhões, revela que a exposição em ações cresceu de 32% em 2014 para os atuais 37%, enquanto a renda fixa vem caindo (de 57% para 49%) nos últimos seis anos. Além disso, os investimentos alternativos também ganharam um pouco mais de força nas carteiras, passando de 3,7% para 4,5% durante o período avaliado.
Os investimentos alternativos ainda são pouco disseminados entre os investidores comuns, o que eleva seu potencial de crescimento. No Brasil, por exemplo, quando se fala em diversificação, as pessoas, em geral, pensam apenas em ações e fundos imobiliários, esquecendo da ampla gama de ativos existentes. Mas esta postura tende a ser revertida e, por esse motivo o mercado de alternativos é crescente e deve se manter assim à medida que mais investidores procurarem retornos mais altos e maior diversificação diante do fim dos ganhos fáceis em renda fixa e da volatilidade das ações. Além disso, as novas tecnologias promovidas pelas fintechs democratizarão o acesso a este tipo de investimentos para as pessoas físicas.
Historicamente, sua originação sempre foi cara e difícil, o que leva esses ativos a ficarem restritos a investidores qualificados ou detentores de grandes fortunas. Tal situação é rompida pelo surgimento dos chamados robôs de investimentos.
Para se ter uma ideia, através de mecanismos como este, já foram originados cerca de R$ 400 milhões de precatórios acessíveis para os investidores comuns nos últimos 12 meses e a tendência é de que o volume cresça muito mais daqui para a frente, pois há uma gama de investidores que desejam abrir mão de liquidez para obter uma maior rentabilidade.
À medida que os investidores conhecem o mundo dos alternativos e eles se tornem mais acessíveis, sua participação ganha expressividade nas carteiras. Espaço para crescimento há e muito.
O artigo foi escrito por Arthur Farache, que é CEO da Hurst, fintech especializada em investimentos em ativos alternativos


