Trabalho dos profissionais de finanças ganha destaque nos negócios neste difícil período de pandemia

Neste período de fluxo de clientes baixo, cancelamento de contratos, vendas apertadas e, consequentemente, faturamento em declínio, o profissional de finanças tem assumido um papel fundamental e estratégico nas empresas. Eu conversei com a vice-presidente de Finanças do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná (Ibef-PR), Micheli Bovolenta (foto), e ela me disse que neste momento difícil de pandemia, as atenções das empresas se voltam para o fluxo de caixa e a garantia do capital de giro.
Segundo a executiva, a prioridade, hoje, dos profissionais de finanças é receber e pagar as contas. Os custos fixos estão sendo revistos, mas cada vez mais as negociações com fornecedores e clientes visando o alongamento dos prazos de pagamentos e a diminuição dos recebimentos estão sendo intensificados.
Êxito nas negociações
A vice-presidente do Ibef do Paraná, que também é diretora financeira da Companhia Providência, me contou que a maioria das negociações visando o alongamento dos prazos de pagamentos com fornecedores têm resultado em êxito. E isso só é possível porque existem linhas de crédito específicas para este fim. Estas linhas de crédito já existiam, mas estão sendo mais utilizadas depois da pandemia.
De acordo com Micheli, no caso das indústrias, é preciso manter a cadeia de suprimentos, e quando a negociação de prazo é apoiada por um banco fica mais fácil.
“Novo normal”
Outro item que não pode ser esquecido, é que a pandemia do novo coranavírus trouxe uma nova realidade para o mercado, relacionada à mudança dos hábitos de consumo e na forma de trabalhar. A executiva de finanças faz questão de destacar que a volta ao “novo normal” fará com que as empresas adotem novas estratégias. Em relação ao consumo, também as indústrias estão vivenciando uma realidade diferente. Por sua vez, o financeiro das companhias já está junto com o setor de negócios preparando planos para o período pós-pandemia, buscando oportunidades para alavancar o caixa e melhorar os resultados.
Eu perguntei à vice-presidente de Finanças do Ibef-Paraná sobre qual o cenário que ela projeta daqui para frente, e ela me disse no curto prazo, as empresas continuarão cortando despesas e custos, e devem dar uma atenção especial ao crédito.
“Não basta apenas vender, mas tem que receber”, destaca Michele Bovolenta.
Novo modelo para fluxo de caixa
No longo prazo a executiva prevê o fluxo de caixa das empresas num novo modelo, uma vez que o mercado e os consumidores não serão mais os mesmos. E dentro dessa nova realidade, eu perguntei à Micheli Bovolenta como é que ficarão os lucros das empresas? Na sua avaliação, em alguns setores, dificilmente os percentuais obtidos antes da quarentena se manterão.
Para ela, o importante agora é que as empresas de uma forma geral tenham agilidade na tomada de decisões e busquem novos caminhos, seja inovando ou identificando oportunidades de negócios.
Mirian Gasparin








