Por que estamos trabalhando mais e sem necessidade no home office?

Já estamos adaptados ao home office? É certo que tivemos que aprender a pilotar o avião em pleno voo, por isso os números de uma recente pesquisa do LinkedIn, com duas mil pessoas sobre trabalho em casa durante a pandemia no Brasil, mostram o seguinte cenário:

–  68% dizem trabalhar até uma hora a mais por dia

– 21% trabalham até quatro horas a mais por dia

 – 24% se sentem pressionados em responder mais rápido e estar online o tempo todo

 – 27% enviam e-mails fora do expediente e 

– 18% dizem estar preocupados em mostrar que estão ocupados com medo de perderem seus empregos

Incerteza

Estes números mostram que ainda há muita incerteza com o home office ou que os colaboradores ainda não se organizaram o suficiente? Karina Pelanda, Coordenadora de Recrutamento e Seleção da RH NOSSA, afirma que o home office veio de uma forma inesperada, mesmo que sempre esteja em pauta no mundo corporativo a possibilidade de fazer um trabalho híbrido:

“Acontece que nunca houve um planejamento de fato. Quando estourou a pandemia tudo veio de uma vez, sem tempo para se adaptar. Agora que se passaram quatro meses com muita gente trabalhando desta forma,  já há a percepção de que este é o modelo que veio pra ficar. Talvez já com aquele revezamento que especialistas imaginavam, com times presenciais, outros em home office que podem ir ao escritório em algum momento específico. O planejamento e o entendimento da nova estrutura está acontecendo somente agora”.

De onde vem o estresse

O que mais chama a atenção é o de pessoas que trabalham a mais, 68% até uma hora a mais e 21% até quatro horas extras por dia. Para Karina, isso acontece pois, algumas pessoas podem ter a sensação de que não renderam tanto quanto deveriam, passando do horário que deveriam estar trabalhando. A análise da especialista é direta: Pura falta de planejamento e organização.

O resultado é gente trabalhando horas a mais, com grupos de trabalho no WhastApp  estressando tanto a ponto de gerar a Síndrome de Burnout, que é relativa ao esgotamento físico e mental. Tem gente que realmente pensa que precisa estar online o tempo todo, gerando  esse estresse:

“Vamos pensar da seguinte forma: Quando se está em algum projeto ou trabalho em home office, a pessoa já está dedicando um certo tempo para esta atividade, correto? Então o que falta é planejamento, deixar para depois coisas que são secundárias e se organizar para render como se estivesse no escritório físico. Daí fica fácil acabar as atividades sem precisar trabalhar por mais duas, três ou quatro horas por dia,” 

Saber usar as ferramentas 

Como ninguém estava esperando e quase nenhuma empresa estava estruturada para o home office, as ferramentas que eram utilizadas para o trabalho remoto no início da pandemia foram sendo modificadas e aprimoradas. Um bom exemplo é o já citado WhatsApp,que por ser bem popular foi logo apropriada:

“É universal. Vamos lembrar que um aplicativo do gabarito do SkypeZoom ou qualquer outro da família não é acessível para todas as pessoas, pois ocupa muito espaço em alguns aparelhos ou é um pouco complicado de entender seu funcionamento enquanto o WhatsApp já está ali! Ele foi amplamente utilizado para reuniões de trabalho, com clientes ou mesmo para entrevistas de emprego”. 

E, é por ninguém ainda saber usar essas ferramentas adequadamente que surgem dados com o da pesquisa do LinkedIn. A pouca estrutura inicial do home office, sem ferramentas adequadas, fez com que muitos colaboradores se perdessem um pouco na questão tempo de trabalho em casa – e daí vem aqueles que disseram trabalhar do um pouco mais.

Palavra de ordem: Organização

Sem organização, estas pessoas sempre estarão passando dos seus horários para conseguir dar conta de seus afazeres – além de outros detalhes que geram grandes impactos:

“Não vamos esquecer da instabilidade na conexão doméstica e fatores de distração que englobam cachorro, almoço na cozinha, familiares interrompendo e carro passando pela rua. Para ter um home office minimamente viável, tem que estruturar um ambiente da casa para home office, planejar as atividades para evitar ter cinco ou seis atividades ao mesmo tempo. É muito estressante ter que trabalhar com o cônjuge perguntando, a cada meia hora, que horas vai levar o cachorro para passear” completa Karina.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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