Nova lei do gás precisa ser aprovada, mas projeto tem que sofrer alterações

Nova lei do gás precisa ser aprovada, mas projeto tem que sofrer alterações

No final de julho, a Câmara Federal aprovou um requerimento de urgência para acelerar a tramitação do projeto de lei batizado de “Nova Lei do Gás”, que altera as regras do mercado de gás natural. Este projeto foi apresentado em 2013 e passou a fazer parte do programa Novo Mercado de Gás, lançado há um ano pelo governo Jair Bolsonaro. A previsão é de que o projeto seja aprovado nas próximas semanas.

Eu conversei com o CEO da Companhia Paranaense de Gás (Compagas), e que também é vice-presidente da Associação Brasileira do Gás (Abegas), Rafael Lamastra Júnior, e ele me disse que este projeto precisa ser aprimorado para que realmente faça diferença e traga uma transformação ao mercado. Na sua avaliação, se for aprovado como está, a lei se tornará inócua.

Exploração de gasodutos

De acordo com o CEO da Compagas, a Nova Lei do Gás prevê a alteração do regime de exploração dos gasodutos de transporte do gás com o objetivo de aumentar a oferta e a competitividade do combustível. No entanto, é fundamental que seja implantado um órgão gestor, a exemplo do que já acontece no setor elétrico.

Rafael Lamastra alerta que a lei, por si só, não é suficiente para destravar a expansão do mercado. Também são necessárias novas ações do Governo Federal, inclusive para a atração de investidores, já que a tendência é o aumento cada vez maior do uso do gás.

O executivo me disse que o Brasil quando comparado a outros países possui uma rede muito pequena de gasodutos. Só para se ter uma ideia, nós temos apenas 10 mil quilômetros de gasodutos de transporte. A Argentina, que é muito menor que o Brasil em extensão,tem 30 mil quilômetros e os Estados Unidos contam uma extensão de 500 mil quilômetros de gasoduto.

Atração de investimentos

Para o presidente da Compagas, é fundamental que se crie um modelo que preveja mecanismos capazes de atrair investimentos, que promova o crescimento da infraestrutura com foco na interiorização do gás, utilizando inclusive as térmicas como âncoras do sistema. Isso permitiria um maior escoamento para a produção do gás natural para o mercado.

“Nós desejamos que o projeto não limite o crescimento do gás natural no País. Este projeto é muito importante, mas precisa cumprir seu papel de forma integral”, ressalta.

Desafios do Paraná

No caso específico do Paraná, Rafael Lamastra aponta os desafios que o estado vem enfrentando, como por exemplo, a falta de infraestrutura para interiorização do uso do gás natural; a necessidade de maior competitividade para o combustível, e a ampliação das redes locais para atendimento a novos mercados.

O presidente da Compagas me disse que a companhia possui apenas 830 quilômetros de distribuição e atinge apenas Curitiba e a Grande Curitiba.

Privatização

Por fim, Rafael Lamastra destaca que é preciso ter a consciência de que a privatização da Compagas é o que poderá garantir uma melhor oferta de preços ao mercado paranaense, principalmente à indústria.

No entanto, antes da privatização, há algumas etapas que devem ser cumpridas, como a elaboração do Plano do Gás e a renovação da concessão. A previsão é concluir essas duas etapas até o primeiro semestre de 2021, quando a Copel que é sócia majoritária (51% do capital) iniciará o processo de venda dos ativos da Compagas.

Mirian Gasparin

Crédito das Fotos – Valterci Santos 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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