Novo consumidor redesenha o mercado de biscoitos no Brasil

Novo consumidor redesenha o mercado de biscoitos no Brasil

Mudanças demográficas, maior frequência de compra e o crescimento do efeito ampulheta levam a indústria a adaptar seu portfólio às novas ocasiões de consumo

No Dia do Biscoito, celebrado nesta segunda-feira, 20 de julho, um estudo da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) mostra que as transformações demográficas do Brasil já mudam a forma como os brasileiros consomem biscoitos. O envelhecimento da população e o crescimento dos lares menores — de uma ou duas pessoas — passaram a sustentar o volume da categoria, refletindo novos hábitos de compra e consumo dentro de casa.

Essas mudanças também se refletem na relação do consumidor com o varejo. Dados da Worldpanel by Numerator mostram que os brasileiros voltaram mais ao ponto de venda para comprar biscoitos, com aumento de 4,8% na frequência de compra. Além disso, o produto está presente em 99% dos lares do país, reforçando sua relevância na rotina alimentar dos brasileiros, mesmo diante das mudanças no perfil das famílias.

Mas não é apenas a frequência de compra que mudou. Segundo estudo da NielsenIQ, encomendado pela Abimapi, a categoria cresceu 3,45% em faturamento no primeiro semestre de 2026 e o consumidor também passou a distribuir melhor seus gastos, concentrando as compras nas duas extremidades de preço e valor — um comportamento conhecido como “efeito ampulheta”.

De um lado, cresce o faturamento de opções mais simples e acessíveis para o cotidiano, como misturados e diversos (+13,7%) e doces amanteigados (+9%). De outro, ganham espaço produtos voltados à indulgência, com maior valor agregado e crescimento significativo, como os biscoitos cobertos (+20%), champagne (+16,5%) e recheado doce (+5,8%) que representou 24,6% de todo biscoito consumido no país no primeiro semestre de 2026.

Já os destaques do crescimento em volume são os cobertos (10,5%) – ocupando o lugar de sobremesas, substituindo até mesmo o chocolate em algumas ocasiões de consumo – além de misturados e diversos (10%), champagne (9,5%) e doces amanteigados (3,5%).

Protagonistas atuais

Os consumidores com mais de 50 anos são os grandes protagonistas atuais, sendo responsáveis por sustentar o volume da categoria e representando a maior fatia de consumo por faixa etária (34,4%). Analisando o volume total absoluto, a Classe C ainda detém a maior concentração do mercado (46,6% do volume consumido), assim como os lares de 3 a 4 pessoas (que representam 50,1%), mas o consumo tem migrado e ganhado força em domicílios compostos por apenas uma ou duas pessoas (29,7% do consumo).

“O consumidor atual aprendeu a equilibrar o seu carrinho de compras: ele garante o volume de itens populares para a rotina diária e reserva espaço para produtos premium nos momentos de recompensa. Esse movimento desafia a indústria a entregar inovação e eficiência para atender diferentes ocasiões de consumo, sem perder competitividade em nenhuma faixa de mercado”, afirma Claudio Zanão, presidente-executivo da Abimapi.

Para Zanão, o comportamento do consumidor reforça a capacidade de adaptação do setor. “Estar presente em praticamente todos os lares brasileiros demonstra a resiliência da categoria. A indústria acompanha de perto as mudanças demográficas e de consumo para desenvolver produtos alinhados às novas necessidades das famílias e às diferentes formas de consumir biscoitos”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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