Importações de farmoquímicos da China alcançam US$ 870,3 milhões

Importações de farmoquímicos da China alcançam US$ 870,3 milhões

Em 2019 as importações de farmoquímicos da China alcançaram a expressiva soma de US$ 870,3 milhões, o que representa 29,18% das importações brasileiras de farmoquímicos. Se acrescentarmos os US$ 30,1 milhões importados da China em medicamentos a granel (nested bulk), o total atinge mais de US$ 900,5 milhões, ou 30,2% das importações brasileiras de farmoquímicos.

A indústria farmacêutica brasileira, apesar de produzir mais de 70% dos medicamentos consumidos no País depende, de forma muito perigosa, de insumos farmacêuticos importados. Atualmente, impressionantes 85% a 90% dos insumos ativos são importadas de fornecedores diversos, notadamente chineses e indianos, que respondem pelo fornecimento de 74% dos laboratórios brasileiros. Em 2019, o déficit na balança comercial do segmento foi de US$ 2,3 bilhões,aponta levantamento da ABIQUIFI – Associação Brasileira da Indústria Farmoquímica e de Insumos Farmacêuticos.

No histórico da produção chinesa de farmoquimicos, destaca-se a presença do Shanghai Institute of Pharmaceutical Industry (SIPI), órgão mantido e dirigido pelo State Pharmaceutical  Administration of China (SPAC). Fundado há décadas, o SIPI em 1995 (quando participamos de uma viagem de prospecção à China) já tinha uma equipe de 1.050 pessoas, sendo 700 cientistas e engenheiros, entre estes 180 cientistas sênior.

O objetivo principal do SIPI se assentava no desenvolvimento de farmoquimicos, sejam os obtidos por síntese química ou os obtidos por processos biotecnológicos, incluindo a fermentação. Objetivava,  também, a obtenção de novos processos , novos equipamentos e novos materiais (como as resinas) para a renovação da indústria farmacêutica. A busca de novas moléculas se dirigia, basicamente, para os campos dos anti-infecciosos, dos antineoplásicos, dos produtos cardiovasculares, dos produtos dirigidos ao sistema nervoso central (SNC), dos antirreumáticos e dos imunomoduladores.

Em meados dos anos 1990, a necessidade de divisas fortes, levou  a China a estabelecer um Plano Nacional para aumentar substancialmente as exportações de farmoquímicos. Este plano incluía não só o aumento das quantidades de farmoquímicos produzidos, mas e, sobretudo, a elevação da sua qualidade, enquadrando-a nos procedimentos das boas práticas de fabricação (BPF), atendendo aos padrões internacionais da United States Pharmacopeia (USP) e da Farmacopeia Inglesa (BP). O plano incluía, também, aumentar o volume da importação de tecnologia.

Atestam estas assertivas o fato de várias firmas estrangeiras (americanas e europeias) terem se associado a firmas locais para a produção de farmoquímicos, não só para atender o mercado interno, mas também o mercado externo. Vale registrar que foram pioneiros neste processo de revigoramento da indústria farmoquímica chinesa as seguintes empresas internacionais: Roche (Suíça), Upjohn, Cyanamid e Warner Lambert (EUA), sendo alguns destes projetos financiados pelo Banco Mundial.

Em 1994, com 1,2 bilhão de habitantes a China já produzia 1.400 produtos farmoquímicos, com uma produção estimada em US$ 10 bilhões, com US$ 1,5 bilhão destinado à exportação. Em 2019, só para o Brasil a China exportou mais de US$ 900 milhões em farmoquímicos, conforme o quadro abaixo, ou seja, mais de 30% das nossas importações. Isto prova que o Plano chinês para o aumento das suas exportações de farmoquímicos (aumento das divisas fortes) deu certo. 

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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