Investir em dólar é vantajoso, mas requer cautela

Investir em dólar é vantajoso, mas requer cautela

O dólar é um conhecido refúgio de investidores em momentos de crise. Isso se explica pela força da moeda americana adquirida desde a Segunda Guerra Mundial quando os EUA firmaram-se como nação hegemônica.

Para os grandes investidores brasileiros, aplicar em dólar é quase uma obrigação, considerando as constantes crises econômicas pelas quais o país passa e que levam o real a ser frequentemente desvalorizado ante à moeda americana.

Trata-se de uma alternativa de proteção de patrimônio, que além do mercado de ações, também oferece opções para investidores mais conservadores interessados em ter um tesouro dolarizado. No entanto, esse tipo de operação requer cautela. A falta de conhecimento pode acarretar prejuízos desnecessários.

Cuidados

Antes de ir a uma instituição financeira e investir na compra de moeda americana é preciso tomar alguns cuidados. O primeiro passo é entender que apostar em dólar é aplicar em renda variável. Ou seja, colocar dinheiro em um ativo que segue uma dinâmica arriscada, com muitas oscilações de preço.

A tarefa requer acompanhar o preço do dólar hoje em tempo real para tomar as melhores decisões. Afinal, são muitos os fatores que implicam na cotação da moeda americana, que no Brasil é feita em reais.

Entre os fatores estão as situações políticas e econômicas tanto no Brasil como nos EUA. Um exemplo foi o que aconteceu no começo da pandemia. O clima de fragilidade no mundo, aliado à instabilidade política gerada pela gestão da crise sanitária no Brasil, fez com que o dólar chegasse quase a R$ 7, patamar que foi decrescendo ao longo dos meses. A eleição do democrata Joe Biden, nos EUA, também impactou no preço da moeda no mercado, chegando a cair 2%.

O segundo passo é procurar ajuda especializada para entender o processo de compra e venda da moeda americana e fazer movimentações mais assertivas, reduzindo prejuízos. Quando tudo isso estiver compreendido, o investidor poderá escolher o produto que melhor atende às suas demandas. Há opções para todos os perfis: desde as mais seguras, como o papel moeda até as mais arriscadas como ações de grandes companhias.

Papel moeda

Embora bastante procurada por quem começa a investir em dólar, essa não é a opção mais lucrativa. O processo de obtenção do ativo americano em espécie é bem simples. Basta ir a um banco, casa de câmbio ou instituição financeira especializada e confiável e adquirir os papéis moeda norte-americanos.

O grande problema é que essas instituições costumam cobrar taxas bastante altas e apresentam um expressivo spread – diferença entre os valores de compra e venda do dólar. Outro ponto que torna essa alternativa pouco vantajosa é que ela ainda exige o pagamento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e outras taxas adicionais.

O transporte do dinheiro em espécie também é perigoso em um país com índices de violência tão altos como o Brasil. Há a possibilidade de roubo, perda ou mesmo de o papel moeda estragar. O ideal é usar essa alternativa apenas em situações específicas como para garantir os gastos durante uma viagem internacional.

Mercado futuro

O mercado futuro pode ser uma boa opção de investimento com foco em obter lucro a médio ou longo prazo. Esse é um compromisso de compra e venda de ativos a um preço estipulado a ser pago dentro de determinado prazo. É um negócio especulativo em que o investidor negocia a expectativa de valorização daquele ativo em um período específico.

Esse é um tipo de investimento que permite uma boa diversificação da carteira porque vai além das ações. Por meio do mercado futuro, é possível investir diretamente em commodities como milho, café e soja bem como em moedas, como o dólar ou iene, ou índices como o Bovespa e o Nikkei 225.

BDRs

Para investidores que queiram apostar no mercado externo, a Bolsa de Valores brasileira oferece uma opção bastante interessante: os Brazilian Depositary Receipts (BDRs). Eles funcionam como um fundo de investimentos, por meio do qual o investidor passa a ter direito a receber parte dos dividendos de determinada empresa.

Embora não se torne um dono, propriamente dito, o brasileiro que opta pelo BDR pode obter quinhões de grandes empresas listadas na Bolsa de Valores americana como, Netflix, Facebook, Google entre outras. Esse ativo é bastante influenciado pelo dólar, sendo uma alternativa para aproveitar a variação da moeda.

Fundos cambiais

Esses são tipos de fundos de investimento aberto que permitem aplicações e resgates em ativos relacionados a moedas estrangeiras. Fundos cambiais contam com um gestor especializado para verificar as melhores opções de investimento, o que dá alguma segurança para o investidor. 

Funcionam bem como estratégia de proteção de investimentos, uma vez que quedas nas bolsas de valores no Brasil costumam ter relação com a alta do dólar. Perde-se de um lado e ganha-se do outro.

A aplicação tem custos, como Imposto de Renda, IOF e uma taxa de administração, porém, esses valores ainda são menores do que o spread e as taxas cobradas pelas casas de câmbio.

Foto – pexels

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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