Mercado de bicicletas cresce 26% na pandemia

Mercado de bicicletas cresce 26% na pandemia

Em março do ano passado, as primeiras medidas de isolamento social foram implementadas no Brasil para impedir o avanço do coronavírus. Por promover aglomerações, muitas pessoas passaram a evitar o transporte público para se locomover nas cidades. Com isso, uma “velha” conhecida de duas rodas voltou a ganhar o protagonismo nas ruas de grandes capitais: as bicicletas.

Enquanto muitos segmentos da economia tiveram impacto negativo com o fechamento do comércio não essencial, o setor de bikes foi um dos que apresentou maior crescimento. De acordo com dados do governo federal, em 2020 foi registrada a abertura de 4.800 empresas que desempenham atividades econômicas relacionadas ao setor de bicicletas, o que representa um crescimento de 26% em relação a 2019, quando o número foi de 3.800. Ao final de 2020 foram contabilizados mais de 36 mil empreendimentos no ramo, com a liderança de Microempreendedores Individuais, seguidos por Microempresas.

Paulo Emilio Martine de Souza, sócio da Bicicletaria Tatuapé (SP), percebeu um crescimento de cerca de 60% no movimento durante a pandemia. “Tivemos grande aumento na procura de manutenção e venda de bicicletas em geral, tanto para adultos como para crianças. Como não estava acontecendo a realização de outras atividades esportivas e recreativas e os parques e academias estavam fechados, as pessoas resolveram praticar na rua e a bike foi uma forma que elas encontraram para suprir a necessidade de atividade física. Para muitos, ela também foi um meio de transporte seguro, por permitir o distanciamento social”, afirma.

A analista do Sebrae, Juliana Borges, destaca que o crescimento do setor durante a pandemia foi possível devido à implementação de políticas públicas, ocorridas nos anos anteriores, entre elas a categorização do uso da bicicleta para diferentes demandas; o aumento do planejamento urbano; a mudança do Código Nacional de Trânsito, que tirou a obrigatoriedade do registro e seguro para bicicletas elétricas; o aumento dos serviços de delivery; as políticas de incentivo, como o programa Bicicleta Brasil; compras públicas; e movimentos da sociedade organizada, como o Dia Sem Carro.

Acompanhar a digitalização e entender qual o canal mais adequado para se comunicar com o cliente foram os grandes diferenciais em 2020. O segredo do sucesso da Bicicletaria Tatuapé, conta Emilio, foi a utilização de ferramentas digitais já disponíveis no mercado e das mídias sociais.

“Fizemos muito mais divulgação em redes sociais, utilizamos o WhatsApp para o atendimento e agendamento de clientes, até porque a demanda de serviços estava muito alta. Aumentamos o nosso quadro de funcionários e, mesmo assim, chegamos a ter agenda marcada para três semanas. Nosso objetivo é expandir e contratar mais, mas estamos observando bem o mercado”, destaca.

A diversificação de produtos e serviços é uma oportunidade para os empreendedores agregarem mais receita ao faturamento da empresa durante este período. Há uma gama de acessórios que podem ser oferecidos aos ciclistas, que proporcionam mais segurança e tornam o trajeto mais confortável, tais como capacetes, roupas, squeezes, óculos, tênis adequados, complementos vitamínicos, protetor solar, toalha de rosto etc.

Para Juliana, embora o cenário seja favorável para manter as empresas em um patamar de faturamento elevado, os empreendedores não devem transformar este momento em uma exploração desmedida de preços.

“Não é porque a demanda aumentou que precisa elevar o preço da peça ou da manutenção. É necessário oferecer para o cliente coisas que vão agregar valor, como – por exemplo – mostrar para o consumidor que ele precisa engraxar a bicicleta e que isso reduz a necessidade de manutenção. Apresentar o universo das bikes para quem não estava sensível a ele, que é um mundo cheio de benefícios, saúde e prazer e saúde. Não é o momento de elevar valores de produtos e serviços isoladamente, e sim de estabelecer uma relação de longo prazo”, finalizou a analista do Sebrae.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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