Spread bancário para empresas tem queda de 10% desde o início de 2021

Spread bancário para empresas tem queda de 10% desde o início de 2021
De janeiro a março de 2021, os cinco maiores bancos do país registraram uma queda de 10,11% na média ponderada no spread bancário, mesmo diante de uma alta da Taxa Selic. As taxas foram observadas em estudo realizado pela Capital Empreendedor, plataforma de crédito, sobre o Relatório Semanal de Juros do Banco Central a partir de seis diferentes modalidades de crédito pré-fixadas: antecipação de recebíveis de cartão de crédito; capital de giro com prazo de até 365 dias; capital de giro com prazo superior a 365 dias; cheque especial; conta garantida e desconto de duplicatas.
Assim, o spread bancário praticado pelas instituições que detêm cerca de 70% do mercado de crédito a empresas do país passou de uma média de 1943% para 1541% em relação à taxa Selic nas linhas de crédito analisadas, considerando o proporcional do volume de crédito de cada linha em março de 2021.

O período contou ainda com um aumento de 4% no saldo de crédito com recursos livres a empresas, passando de R$ 1,079 trilhão no início de janeiro de 2021 para R$ 1,124 trilhão ao final de março do desse ano. Na comparação com o mês de fevereiro de 2020, antes do anuncio da pandemia pela OMS, será possível observar um crescimento ainda mais expressivo, passando de R$ 891,01 bilhões para R$ 1,09 trilhão, com aumento de 22,5% na comparação entre os períodos.
Ao analisar o saldo total para empresas, incluindo recursos livres e direcionados, a cifra alcança a marca de R$ 1,81 trilhão em março de 2021, com o valor mais alto de toda a série histórica divulgada pelo Banco Central desde 2007. Até então, o valor mais expressivo registrado aconteceu em 2015, tendo como auge o mês de dezembro, com volume de R$ 1,71 trilhão a pessoas jurídicas.

“A razão para alcançar essa marca origina-se dos incentivos do governo ao mercado de crédito, através dos programas lançados em 2020 como PEAC (Programa Emergencial de Acesso a Crédito) e Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), além do incentivo, pelo Banco Central, a fintechs e novos bancos digitais. Ou seja, há mais crédito disponível no mercado, o que é uma ótima notícia para o empresário brasileiro” diz Juliano Graff, presidente da Capital Empreendedor. Entre as instituições bancárias, é possível afirmar que o Santander diversificou taxas em diferentes linhas, enquanto o Itaú teve o maior aumento entre as linhas de crédito analisadas. Caixa e Santander registraram os menores aumentos.

Seguem abaixo os principais destaques das linhas analisadas.

• Antecipação das faturas de cartão de crédito

Linha teve aumento médio de taxa de juros de 26%, com maior aumento do Itaú, de 44%, e menor aumento do Santander, com 12%. A linha representa 4,12% do saldo total de crédito no mercado, com cerca de R$ 46,36 bilhões concedidos ao fim do primeiro trimestre de 2021. Enquanto a SELIC ficou com uma taxa de 0,22% no mês de março a taxa média dos bancos ficou em 0,64% a.m. Com isso, o Spread Bancário nessa linha teve uma queda de 8% em relação ao começo do ano.

• Capital de giro com prazo até 365 dias

A linha foi a menos utilizada desde o início do ano, representando 5,37% do crédito ofertado e diminuição de R$ 67,1 bilhões para R$ 60,4 bilhões. Enquanto a SELIC ficou com uma taxa de 0,22% no mês de dezembro, a taxa média dos bancos ficou em 1,65% a.m., e queda de 4% no spread bancário. O menor aumento registrado foi da Caixa, com 1%, e o maior aumento foi do Banco do Brasil, com 78%.

• Capital de giro com prazo superior a 365 dias

A modalidade sempre foi o líder em saldo de empréstimos, mas vinha numa queda desde 2017. Comparado ao início do ano, ela sofreu um aumento no volume passando de R$ 360 bilhões para R$ 365,61 bilhões de crédito, mas com queda no percentual em relação ao total do saldo de crédito, passando de 33,36% para 32,53%. A categoria também registrou redução de 8% do spread bancário, com valor chegando a 638% e taxa média dos bancos de 1,39% ao mês em relação à taxa Selic. Na categoria, o menor aumento foi da Caixa, com 5%, e o maior aumento foi do Santander, com 48%.

• Cheque especial

Categoria segue com as piores taxas entre todas as linhas analisadas, mas seu uso vem decaindo cada vez mais, representando apenas 0,66% do saldo de crédito ofertado. Ao final do trimestre, foram R$ 7,43 bilhões ofertados, mas com a maior queda de spread: 25% ao final de março sobre o início do ano, chegando a um total de 5931% (taxa média de 12,94% ao mês) sobre a taxa Selic. O menor aumento na linha foi registrado pelo Santander (0%) e o maior foi observado no Itaú (9%).

• Conta garantida

A linha teve aumento de crédito desde o início de 2021, passando de R$ 22,99 bilhões para R$ 25,59 bilhões, com variação de 0,15% de uso e 2,28% do total do crédito concedido. O spread na categoria segue muito alto, com 1197% e taxa média de 2,61% ao mês – apesar de ter registrado queda de 17% desde o início do ano. A instituição com o menor aumento na linha foi o Bradesco, com 9%, e o maior aumento foi registrado pelo Santander, com 26%.

• Desconto de duplicata

O saldo na modalidade representa 11,47% do total de crédito ofertado, no valor de R$ 128,95 bilhões. A taxa média dos bancos ficou em 0,95% a.m. e o spread bancário nessa categoria sofreu uma queda de 18% – ainda assim, um spread de 436% da Taxa Selic. O menor aumento na linha foi do Banco do Brasil, com 3%, e o maior foi do Bradesco, com 20%.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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