Trabalho remoto e valorização da saúde mental impulsionam o mercado de benefícios corporativos

As novas relações e hábitos decorrentes das mudanças dos últimos meses devem desencadear novos padrões de comportamento e de consumo em todas as esferas. Segundo uma análise feita por mais de 50 especialistas e publicada no The Economist neste ano, há pelo menos 20 tendências previstas para o mundo pós-pandemia. Algumas delas dizem respeito ao universo corporativo, como a permanência do trabalho remoto e a valorização das empresas pela saúde mental dos colaboradores.
De olho nesse mercado e, antes mesmo do impulso dado a essas tendências, o Férias & Co., plataforma de benefícios focada em ajudar colaboradores a aproveitarem melhor os dias de descanso e lazer, viajando e vivendo novas experiências, foi uma das marcas que percebeu uma alta demanda para benefícios corporativos que unisse saúde mental, trabalho remoto e experiência.
“Com uma coparticipação, permitimos que empresas invistam no descanso e lazer dos funcionários, que têm acesso a uma plataforma de viagens para planejarem esse momento com quem mais amam e ainda podendo economizar mais de 70% comparado aos principais players de reservas do mercado de turismo.”, explica Bruno Carone, co-fundador da startup.
Lançada em dezembro de 2019, a empresa ainda não contava com o cenário externo de crise, mas ainda em um ano difícil para o turismo, conquistou o mercado. “Já são milhares de colaboradores com direito ao benefício, isso só no primeiro ano de atuação e ainda em um cenário de incerteza para o turismo. Percebemos que nosso produto também passou a entregar valor para pessoas que buscavam se isolar e trabalhar a distância sem ser de casa, ou até mesmo em busca de um ‘workation’, trabalhar ao mesmo tempo em que pudesse tirar férias com amigos e familiares”, conta Carone..
Entre as tendências apontadas pelos especialistas do The Economist, está a forte retomada do mercado de turismo após a crise. De acordo com pesquisa da Febraban/Ipespe, o que mais os brasileiros desejam para o pós-pandemia é viajar, com 25% das respostas, empatado com investir em cursos e educação, e a frente de comprar um imóvel, reformar a casa, adquirir um carro e comprar eletrônicos, respectivamente.
“Com as boas expectativas para o segundo semestre de 2021, lançamos neste mês, uma plataforma de premiação que permite às empresas reconhecer e premiar seus funcionários com viagens, ou seja, o maior desejo do pós-pandemia”, explica o co-fundador. A nova plataforma permite a gestão personalizada do RH em relação ao time, bonificando os profissionais da maneira como a empresa deseja incluindo mensagens customizadas de reconhecimento.
Autocuidado e bem-estar
Além da nova startup, aquelas que já dominavam seus negócios perceberam também uma boa oportunidade de investir no mercado corporativo. Como é o caso da Singu, marketplace de beleza e bem-estar, que entrega serviços como manicure, pedicure, escova, massagem e depilação em domicílio. “Percebemos a alta procura de empresas por ações na casa de seus colaboradores, durante o período, e que ainda tivessem ligadas a bem-estar, autocuidado e saúde mental, considerando o cenário de pandemia, principalmente”, explica a co-CEO da empresa, Maria Isabel Antonini.
Em levantamento realizado pela própria Singu em outubro de 2020, com mais de 1.300 entrevistados, com foco nos impactos da quarentena na rotina de beleza das mulheres , 71% das respondentes realizavam serviços de beleza e bem-estar uma vez na semana e, durante a pandemia, apenas 58% das mulheres realizaram esses serviços com a mesma regularidade. Além disso, entre os meses de março e maio, 69% das entrevistadas não realizaram nenhum serviço do tipo.
Ao identificar a oportunidade de alcançar mais pessoas e colaborar com o bem-estar delas, a marca lançou neste ano a versão B2B, que permite ações pontuais de envio de vouchers para os colaboradores solicitarem os serviços quando e onde quiserem, além de ações de recorrência. “No Dia das Mulheres deste ano, muitas marcas utilizaram nosso benefício para levar um pouco de cuidado às suas colaboradoras. E com as tendências para o futuro, enxergamos o grande potencial do nosso produto nesse mercado”, explica a co-CEO.
Ainda segundo os especialistas reunidos pelo The Economist, os serviços por assinatura, ou de recorrência que estejam ligados ao universo digital também prometem permanência no pós-pandemia, abrindo espaço para startups como Férias & Co. e Singu crescerem e se consolidarem nesse mercado corporativo.
Tecnologia a favor da saúde mental
O home office, adotado no último ano quase que obrigatoriamente por parte de muitas empresas, não foi possível para outras tantas, como o setor de calls centers, por exemplo, principalmente os que trabalham com informações sigilosas como bancárias. Num ambiente de incertezas, a saúde mental também tem ganhado relevância nas políticas das empresas. Com isso, o acompanhamento dos funcionários é um ponto-chave.
Por isso, a UNIKE – startup que desenvolve tecnologias de inteligência artificial para diminuir fricções por meio de biometria digital, facial e por voz – produziu o unike.WORK, solução com o uso de inteligência artificial e visão computacional para aprendizado da máquina, que consegue monitorar o funcionário pela câmera do seu próprio computador. Como funciona? Na prática, a máquina bloqueia a tela do profissional caso identifique um celular pronto para registrar uma fotografia, por exemplo, ou quando nota uma caneta na mão da pessoa – com o intuito de anotar uma informação confidencial.
Além disso, com o aumento da ansiedade no período de trabalho remoto, a mesma tecnologia também é capaz de monitorar a saúde baseada na fotopletismografia, técnica utilizada na medicina que consegue verificar por imagem as condições do paciente. Com um simples vídeo de dois minutos, é possível verificar batimentos cardíacos, ritmo das respirações e até o humor. Pressão arterial e nível de álcool também fazem parte da lista.
De acordo com o CEO da Unike, André Barretto, entre os benefícios para as empresas estão a economia com custos na saúde, a capacidade de antecipar futuros problemas e o conhecimento sobre o estado de humor dos funcionários.








