Setor de alimentos investe pesado em estratégias para atender consumidores digitais

A economia brasileira viveu uma turbulência em 2020 como consequência da pandemia de Covid-19, reflexo do avanço da doença a partir de março, das medidas restritivas e do distanciamento social. Mas, se por um lado 2020 foi um ano de queda econômica – com estabelecimentos fechando as portas e alto índice de desemprego -, por outro, registrou um recorde no e-commerce, com a inserção de 13,2 milhões de novos consumidores e a movimentação de R$ 87 bilhões.
Prova de que a pandemia acelerou o digital foi o crescimento em vendas de 41% e de 30% em número de pedidos. Os dados são da pesquisa de tendências de varejo da Nielsen, que também apontou uma elevação nas vendas de mais de 38% no primeiro trimestre de 2021. Ainda de acordo com o levantamento, o consumo restrito ao lar impulsionou o crescimento das compras em 1,4%, principalmente no setor de alimentos e produtos de limpeza, nos três primeiros meses do ano.
Reforço na distribuição online
Com o boom do e-commerce e o faturamento do setor tendo crescido 41% em 2020, o varejo brasileiro precisou se ressignificar, apostando em estratégias digitais em vendas e na distribuição on-line. A Caldo Bom, player paranaense do setor de alimentação, investe desde o último ano no ambiente virtual para ampliar a presença da marca em mais e novos pontos de vendas, estendendo a presença a outras regiões, como o Sudeste do país. Além do pequeno varejo, a empresa vem trabalhando com plataformas de e-commerce, dentro do Trade Marketing Digital.
O resultado desse posicionamento pode ser ilustrado por números. De acordo com José Felipe, gerente de Marketing da Caldo Bom, a empresa cresceu 18% de janeiro a maio desse ano e espera ganhos mais robustos entre julho e dezembro. “É inegável que o varejo alimentar foi muito favorecido pela pandemia e o setor alimentício segue se diversificando para atuar no ambiente digital, inclusive para atender aos novos hábitos do consumidor por alimentos mais saudáveis e que está em franca expansão”, fala.
Sintonizada com o novo comportamento alimentar do brasileiro, ele destaca que a empresa lançará no próximo semestre, três linhas completas de produtos que valorizam o bem-estar e que não possuem em sua composição aromatizantes e conservantes, por exemplo.
Novos caminhos e tendências
O crescimento de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma dos bens e serviços produzidos no país, desenha um caminho para a retomada da economia. Especialistas apontam que a recuperação das atividades econômicas ganhará mais robustez a partir de agosto, devido à vacinação contra a Covid-19, e estimam que a economia atinja 3,5% de crescimento até o final do ano.
A pesquisa aponta também que os brasileiros estão mais preocupados com o bem-estar dos familiares e ficaram atentos aos preços, buscando promoções inteligentes e produtos saudáveis e sustentáveis. O e-commerce no varejo alimentar cresceu muito nos últimos meses, e ainda tem oportunidade para desenvolvimento mais expressivo, considerando que, mesmo com a retração econômica e queda na renda, as vendas em supermercados tiveram uma elevação de 144% em 2020.
Para sobreviver ao restante de 2021 ainda em pandemia, a recomendação para as empresas varejistas é de mais presença no ponto de venda, prezando pela relação custo-benefício. Isso permitirá atingir novos consumidores e manter a lealdade dos já conquistados. Além disso, trabalhar com portfólio eficiente ou promoções mais assertivas, pode trazer fôlego às marcas e ampliar a visão de concorrência, levando em conta a velocidade da mudança de comportamento do consumidor.








