Concessão de crédito segue em recuperação, mas pode esbarrar em juros mais elevados

Concessão de crédito segue em recuperação, mas pode esbarrar em juros mais elevados

A concessão de recursos livres às famílias, que em março apontava retração de -4,05%, agora registra alta de 8,20% nos dados acumulados em 12 meses, segundo o Banco Central. A tendência observada foi antecipada pela Boa Vista, no caso, pelo indicador de Demanda por Crédito.  No mesmo período, o indicador da empresa, para o segmento financeiro, passou de -2,9% para 10,2%. Em junho, a inclinação da curva diminuiu em relação ao período entre os meses de abril e maio, em parte devido ao fato de que o efeito base está ficando para trás. Mas na avaliação dos economistas da Boa Vista, a expectativa de elevação na taxa de juros tende a reduzir o ímpeto do consumidor que busca por crédito.

Dentre os destaques, na mesma base de comparação anterior, o crescimento das concessões na linha de “Cartões de Crédito” passou de 4,7% em maio para 8,6% em junho; na “Aquisição de veículos”, o crescimento atingiu 20,1%, ante 17,1% no mês de maio; e o “Crédito consignado” apontou crescimento de 11,7% em junho, contra 8,7% em maio. O crédito para “Aquisição de outros bens” continua forte, mas desacelerou no período, de 37,0% para 36,5%.

Inadimplência

A inadimplência total do sistema financeiro se manteve estável, mas a inadimplência das famílias com recursos livres caiu de 4,18% para 4,12% no mês de junho. Apesar do resultado ter revertido uma tendência de três altas consecutivas na série, a expectativa para o final do ano ainda é de elevação, tanto que o indicador de Registros de Inadimplentes da Boa Vista apontou desaceleração da queda na análise de longo prazo, medida pela variação acumulada em 12 meses, ao passar de -20,0% para -17,4% entre os meses de maio e junho.

A taxa de inadimplência deve voltar a subir ao longo do ano, e motivos para isso não faltam. Primeiro, os fatores que ancoraram a inadimplência em 2020 não se fazem mais presentes, pelo menos não na mesma intensidade. Vale ressaltar, ainda, que o impacto disto tende a ser sentido mais pelos consumidores do que pelos credores, uma vez que a inadimplência não apenas permaneceria em patamares, historicamente baixos, como também as provisões feitas no ano passado foram grandes o suficiente para suportar esse período de maior risco, ou seja, a cobertura dos credores contra perdas é maior.

Comprometimento da renda

Pelo lado do consumidor, a situação é um “pouco” mais complicada e, neste campo, as razões de projetar um aumento na inadimplência são, ligeiramente, mais evidentes. De modo geral, o consumidor se depara, de imediato, com uma taxa de juros maior e com uma inflação resistente. Como se isto não bastasse, o mercado de trabalho segue desaquecido, e tanto o comprometimento de renda quanto o endividamento estão mais elevados. Em poucas palavras, são muitos, e relevantes, os fatores que devem pesar contra o orçamento das famílias, mesmo no período pós-pandemia.

Por fim, a taxa de juros caiu um pouco, de 39,94% para 39,89% em junho e, mais uma vez, enquanto o custo de captação subiu, de 7,22% para 7,26%, o spread bancário andou na direção contrária e encerrou o mês de junho em 32,63 pontos percentuais, ante 32,72 em maio. A variação, para cima, no custo de captação não é surpreendente, dado que a taxa básica de juros, Selic, está num ciclo de alta. A expectativa para a Selic ao final do ano, que já foi de 3,00%, passou para 7,00% segundo o Boletim Focus mais recente. A taxa, que agora está em 4,25%, deve subir ainda mais nas reuniões que estão por vir do Comitê de Política Monetária. A próxima delas, por sinal, na semana que vem, nos dias 3 e 4 de agosto. 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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