Mercado de capitais amplia protagonismo no financiamento da infraestrutura no Brasil

Mercado de capitais amplia protagonismo no financiamento da infraestrutura no Brasil

País vive ciclo de expansão do financiamento de longo prazo, com investidores privados apoiando projetos em energia, transporte, saneamento e telecomunicações

Na última década, o mercado de capitais vem ampliando sua participação no financiamento de projetos de infraestrutura no Brasil, das redes de energia aos corredores logísticos. Fomentadas pelas debêntures incentivadas, criadas para estimular o investimento privado de longo prazo, as emissões destinadas a esses projetos somaram R$ 554,99 bilhões, desde 2018, e consolidaram esse instrumento como uma fonte central de recursos para o setor.

Levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostra que mais de 86% desse montante foi direcionado a segmentos essenciais como energia elétrica, saneamento, transporte, logística e telecomunicações.

“As debêntures incentivadas ajudaram a estabelecer uma ponte mais direta entre o mercado de capitais e a necessidade de ampliar a infraestrutura do país. Esse instrumento ganhou escala, diversificou a base de financiamento e passou a ocupar um espaço estratégico em setores essenciais para o crescimento econômico”, afirma Erika Lacreta, Gerente de Mercado de Capitais da Anbima.

O financiamento privado da infraestrutura, porém, vai além das debêntures incentivadas. O setor também recorre a outros instrumentos do mercado de capitais como debêntures, notas comerciais e fundos de investimento em direitos creditórios, os FIDCs. Entre 2018 e 2025, o volume acumulado de emissões de títulos de dívida para infraestrutura alcançou R$ 559,7 bilhões, indicando maior diversificação das fontes de captação.

O avanço desse modelo acompanha uma mudança estrutural no perfil do investimento em infraestrutura no país. Hoje, 83,9% dos investimentos no setor são realizados pelo setor privado, enquanto 16,1% têm origem pública. O movimento ocorre em um momento em que o Brasil busca elevar o investimento total em infraestrutura para patamar próximo de 4% do PIB, segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria, a CNI. Atualmente, esse percentual está em torno de 2,2%.

O investidor conta ainda com a expansão da indústria de fundos de investimento em infraestrutura, que alocam cerca de 85% de suas carteiras nesses títulos. Em dezembro de 2025, o patrimônio líquido desses fundos chegou a R$ 352,7 bilhões, com quase 70% do volume concentrado nos setores de energia elétrica e de transporte e logística.

“Quando o investidor acessa fundos voltados à infraestrutura, ele participa do financiamento de projetos de longo prazo que têm impacto concreto nos projetos voltados a energia, mobilidade, saneamento e logística. É uma dinâmica que fortalece o mercado de capitais e, ao mesmo tempo, apoia a modernização do país”, diz Erika.

Os efeitos desse ciclo de investimento se espalham por diferentes setores da economia. Estudos do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE) apontam que, para cada R$ 1 milhão investido em infraestrutura, são gerados entre R$ 2,86 milhões e R$ 3,34 milhões na atividade econômica.

Na prática, o mercado de capitais vem se consolidando como uma fonte cada vez mais relevante para a expansão da infraestrutura brasileira. Ao ampliar a participação do investimento privado em projetos estruturantes, o setor contribui para reduzir a dependência do orçamento público e para sustentar agendas de crescimento, produtividade e modernização no país.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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