FIDCs expandem base de investidores mesmo com juros altos

FIDCs expandem base de investidores mesmo com juros altos

Expansão de investidores e volumes contrasta com crédito bancário restrito, reforçando papel dos fundos de direitos creditórios

Com o patrimônio líquido total dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios alcançando aproximadamente R$ 1 trilhão, o segmento mostra resiliência em um ambiente de juros ainda elevados, mesmo com a Selic em trajetória gradual de queda. Nos 12 meses encerrados em novembro de 2025, o patrimônio desses fundos cresceu 22,5%, enquanto o número de contas de investidores passou de 147,3 mil para 333,7 mil e o número de classes de FIDCs avançou de 3,0 mil para 3,8 mil. No mesmo período, o volume captado em ofertas somou R$ 90,1 bilhões, reforçando a expansão do mercado de crédito estruturado.

O movimento ganhou novo destaque em abril de 2026, quando a indústria de fundos registrou saída líquida de R$ 18,1 bilhões, mas os FIDCs caminharam na direção oposta e tiveram a maior captação líquida mensal da indústria, com entrada de R$ 4,5 bilhões. O contraste mostra que, mesmo em um mês de resgates, há fluxo relevante para estruturas capazes de combinar governança, previsibilidade e análise especializada de crédito.

A leitura sobre juros também precisa ser feita com precisão. A Selic não está parada, mas em queda gradual, depois de recuar para 14,00% ao ano na reunião de agosto do Copom. Ainda assim, a taxa permanece em patamar alto, o que mantém o crédito seletivo e torna mais relevante a capacidade de estruturar operações com leitura aprofundada de risco, prazo, sacado, concentração e qualidade dos recebíveis.

“O cenário atual não deve ser lido apenas como uma discussão sobre custo de crédito. O ponto central é que os FIDCs permitem estruturar operações com maior aderência ao ciclo financeiro das empresas, considerando a natureza do recebível, o comportamento da cadeia produtiva e a qualidade do risco envolvido”, afirma Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital. Segundo ele, em setores como agro, indústria e empresas de médio porte, a análise granular do crédito passa a ser determinante para transformar recebíveis em uma fonte estratégica de financiamento.

Nesse ambiente, a resiliência dos FIDCs está menos ligada a uma leitura simplista de custo de crédito e mais à natureza da estrutura. Ao contrário de fundos mais sensíveis ao humor de curto prazo do investidor, os FIDCs costumam estar conectados a recebíveis, cadeias produtivas e fluxos empresariais concretos, o que ajuda a explicar por que a classe manteve entrada líquida mesmo em um mês negativo para a indústria.

captação de R$ 4,5 bilhões em abril, a maior entre as classes, indica que o mercado segue direcionando recursos para veículos capazes de combinar previsibilidade, governança e análise especializada de risco. Em setores como agro, indústria e empresas de médio porte, essa dinâmica ganha peso adicional, porque o recebível não é apenas um ativo financeiro, mas parte do funcionamento diário da operação.

No agro, por exemplo, em que ciclos de produçãoprazo de pagamentosafralogística e exposição regional influenciam diretamente o caixa, estruturas de crédito bem desenhadas podem ajudar empresas a transformar recebíveis em capital de forma mais previsível. A Audax Capital atua justamente em segmentos como agroindústria e crédito empresarial, mas a leitura mais ampla é setorial, em um mercado que passou a valorizar gestores capazes de entender a origem do crédito, a qualidade do sacado, a concentração da carteira e o comportamento real das cadeias financiadas.

Para Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital, a queda gradual da Selic não reduz a importância dos FIDCs, porque o mercado ainda opera em um nível de juros que exige seleçãodisciplina e estrutura.

“Para o FIDC, juros baixos são melhores, pois temos menor risco e menor custo de passivo. Para o investidor quanto maior o juros, melhor, pensando em rentabilidade. No Centro-Oeste, especialmente em cadeias ligadas ao agro e à indústria, esse cuidado é ainda mais importante, porque há empresas convivendo com ciclos de caixa longospressão financeira e, em alguns casos, recuperação judicial. Mesmo nesse ambiente, uma carteira bem estruturada, com recebíveis sólidos e acompanhamento próximo, consegue preservar previsibilidade e financiar a economia real com segurança”, afirma.

Segundo ele, esse equilíbrio entre gestão de risco e cultura operacional também se reflete internamente. “A consistência de uma casa de crédito não aparece apenas na carteira, aparece também na forma como ela organiza pessoas, processos e tecnologia. A Audax manteve uma estrutura saudável, reforçou seus controles e foi reconhecida com nota 100% no GPTW, alcançando o 1º lugar no ranking Centro-Oeste entre pequenas empresas, o que mostra que disciplina de crédito e cultura interna caminham juntas”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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