Embora 78% das empresas afirmem se preocupar com saúde mental, apenas 23% possuem políticas formais voltadas ao tema

Embora 78% das empresas afirmem se preocupar com saúde mental, apenas 23% possuem políticas formais voltadas ao tema

Descompasso com nova NR-1 eleva riscos jurídicos e operacionais para o setor produtivo

Ainda que a saúde mental tenha se tornado tema central nas agendas corporativas, a institucionalização de práticas de cuidado ainda é minoritária no país. Dados de uma pesquisa nacional revelam que, enquanto 78% das empresas declaram preocupação com o bem-estar psicológico de suas equipes, apenas 23% possuem políticas formais e estruturadas para lidar com a questão emocional de suas equipes. O hiato entre o discurso e a prática ocorre em um cenário de crise epidemiológica: em 2025, o Brasil registrou um recorde de 546 mil afastamentos por adoecimentos mentais, o maior volume em dez anos.

A baixa adesão a protocolos oficiais e resolutivos deixa a maior parte das organizações em uma posição de vulnerabilidade. Sem diretrizes claras, a gestão de crises psicossociais é feita de forma reativa, o que amplia a exposição a processos judiciais e compromete a eficiência operacional, deixando em evidência a falta de comprometimento das companhias na humanização dos colaboradores dentro do ambiente de trabalho.

O gargalo da conformidade legal

A informalidade na gestão do tema colide frontalmente com a nova Norma Regulamentadora 1 (NR-1). A regra agora exige que os riscos psicossociais sejam integrados ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das companhias. No entanto, o mercado demonstra despreparo: uma parcela de 68% das empresas afirma não compreender as mudanças exigidas pela norma, o que pode resultar em autuações e sanções administrativas.

Esta lacuna regulatória expõe a necessidade de ferramentas que conectem o jurídico ao RH. É nesse ponto que a estruturação de processos deixa de ser um acessório para se tornar uma defesa institucional contra o passivo trabalhista e o absenteísmo.

Riscos da escuta informal

A ausência de políticas formais reflete a falta de canais seguros para a manifestação dos colaboradores. Sem mecanismos de governança que garantam o sigilo, segurança e ética para uma escuta acolhedora, a tendência é que o sofrimento psíquico seja silenciado até atingir o estágio de incapacidade laboral. Heloísa Moraes, Head de Gente e Gestão da Contato Seguro alerta que “a transição da preocupação teórica para a gestão de riscos estruturada é, hoje, também uma necessidade de sobrevivência financeira das organizações”.

Canal de Acolhimento como estratégia

Como parte da estratégia de mitigação de riscos, o Canal de Acolhimento da Contato Seguro surge como uma ferramenta essencial de governança. Diferente de ouvidorias tradicionais, essa estrutura oferece um espaço seguro para que o colaborador reporte situações de sofrimento psíquico ou conflitos éticos sob garantia de sigilo e com uma escuta ativa.

De acordo com a Contato Seguro, o atendimento humanizado conduzido exclusivamente por psicólogos-ouvidores, garante que o acolhimento seja técnico, isento e resolutivo. Para as empresas, o mecanismo funciona como um termômetro em tempo real do clima organizacional, permitindo intervenções precoces e embasando a criação de políticas de saúde mental mais assertivas.

Diferente de canais internos, o Canal de Acolhimento remove o medo de retaliação, já que a estrutura externa preserva a identidade do colaborador e oferece relatórios de People Analytics que transformam desabafos em dados estratégicos para a tomada de decisão da diretoria.

Diante de um cenário de recordes sucessivos em afastamentos e maior rigor fiscalizatório, a lacuna entre o que as empresas dizem e o que efetivamente entregam acaba se tornando insustentável. Até quando as organizações conseguirão suportar o custo invisível, mas crescente, da saúde mental negligenciada?

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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