Bradesco debate nova dinâmica de trabalho entre pessoas e Inteligência Artificial

Silvana Machado, CHRO e Head de Sustentabilidade do Bradesco.
A tecnologia e as pessoas precisam caminhar juntas, diz a head de Sustentabilidade do Bradesco
O avanço da Inteligência Artificial está ampliando o conceito de trabalho híbrido nas empresas. Mais do que a combinação entre atividades presenciais e remotas, as organizações passam a incorporar uma nova dinâmica em que profissionais e agentes digitais atuam de forma complementar na execução de tarefas e na tomada de decisões. Esse cenário foi debatido no painel “Liderança, cultura e governança do trabalho em um mundo híbrido”, que encerrou a trilha Engenharia do Futuro da Febraban Tech 2026 nesta quarta-feira (26).
Representando o Bradesco no debate, Silvana Machado, CHRO e Head de Sustentabilidade, destacou que a evolução tecnológica precisa ser acompanhada pela preparação das pessoas e pela adaptação da cultura organizacional para novas formas de trabalhar. “A tecnologia e as pessoas precisam caminhar juntas. No tema da Inteligência Artificial, o Bradesco tem uma trajetória de uma década com a b.ia e hoje essa inteligência está integrada ao nosso modelo operacional”, destacou a executiva.
Um exemplo dessa nova dinâmica está na combinação entre o trabalho realizado pelas equipes e a atuação dos agentes digitais. Em uma análise de crédito, por exemplo, enquanto um profissional estrutura a proposta, a tecnologia pode atuar em paralelo no levantamento e cruzamento de informações, ampliando a capacidade de análise e apoiando a tomada de decisão.
Mentoria reversa e o redesenho do trabalho
A evolução tecnológica também traz novos desafios para as lideranças. Segundo Silvana, além de contratar, desenvolver e engajar pessoas, os gestores precisam aprender a reorganizar processos e compreender como incorporar agentes de Inteligência Artificial às rotinas de trabalho, identificando quais atividades podem ser apoiadas pela tecnologia e onde a atuação humana permanece fundamental.
Para acelerar esse aprendizado, o Bradesco adotou iniciativas de mentoria reversa, nas quais jovens talentos com maior familiaridade com tecnologia e análise de dados compartilham experiências práticas e apoiam executivos no uso de ferramentas de IA e agentes digitais no dia a dia.
A iniciativa também reforça uma mudança no papel das lideranças. À medida que a tecnologia assume ou apoia determinadas tarefas, cresce a importância de competências humanas relacionadas a direcionamento estratégico, engajamento das equipes, julgamento e tomada de decisões.
Cultura como prática
Durante o painel, Silvana ressaltou que a transformação cultural não acontece apenas pela disponibilização de novas ferramentas. A adoção depende de conhecimento prático, de exemplos dentro da própria organização e da criação de mecanismos que incorporem os novos comportamentos à rotina.
No Bradesco, esse processo combina estruturas formais de governança e capacitação com mecanismos de influência e disseminação de boas práticas. A proposta é fazer com que o uso da tecnologia seja incorporado de maneira transversal à organização, envolvendo diferentes níveis e áreas do banco.
“A transformação cultural precisa alcançar toda a organização, de forma integrada, do Conselho de Administração aos jovens talentos. Não se trata apenas de disponibilizar uma nova ferramenta, mas de mudar a forma de pensar e executar o trabalho. Quando combinamos letramento, governança e o exemplo das lideranças, criamos as condições para que pessoas e Inteligência Artificial trabalhem juntas e gerem mais valor para o negócio”, conclui Silvana.








