TST julga quase 275 mil processos trabalhistas no primeiro semestre no país

Relatório estatístico do Tribunal Superior do Trabalho mostra crescimento de 25,8% no volume de processos julgados em 2026
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou 274.556 processos entre janeiro e junho de 2026, um crescimento de 25,8% em relação ao mesmo período do ano passado. O balanço revela uma Justiça do Trabalho ainda altamente demandada e mostra quais temas continuam concentrando a maior parte dos conflitos entre empresas e trabalhadores.
Embora o aumento dos julgamentos também reflita o esforço da Corte para reduzir seu estoque de processos, o relatório estatístico aponta um dado que chama atenção das empresas: o adicional de insalubridade foi o assunto mais recorrente entre as ações analisadas no primeiro semestre, superando temas tradicionais como verbas rescisórias, dano moral e horas extras.
Adicional de insalubridade lidera ranking
Entre os assuntos mais recorrentes julgados pelo Tribunal no primeiro semestre, o adicional de insalubridade apareceu em 197.423 processos, à frente de verbas rescisórias, indenização por dano moral e horas extras.
Nesse sentido, vale ressaltar que o adicional de insalubridade é um benefício que é devido aos profissionais expostos, de forma habitual, a agentes físicos, químicos ou biológicos acima dos limites estabelecidos pelas normas trabalhistas. A definição do direito depende de avaliação técnica das condições do ambiente de trabalho, fator que frequentemente está no centro das disputas levadas à Justiça.
O dado evidencia que a exposição de trabalhadores a agentes nocivos e as discussões sobre a caracterização do benefício continuam entre os principais fatores de judicialização das relações de trabalho.
Saúde ocupacional ganha protagonismo
O protagonismo da insalubridade nas ações trabalhistas acompanha um cenário que também preocupa os órgãos públicos.
Dados do Ministério do Trabalho mostram que o Brasil acumulou 6,4 milhões de acidentes de trabalho e 27.486 mortes entre 2016 e 2025, além de mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos em decorrência de afastamentos. Somente em 2025, o país registrou o maior número de acidentes da série histórica recente.
Outro levantamento do Ministério da Saúde contabilizou 340.701 notificações de doenças e agravos relacionados ao trabalho apenas no primeiro semestre de 2025. Desse total, 76,9% estavam relacionados a acidentes de trabalho, reforçando que a prevenção continua sendo um dos principais desafios das empresas.
Na prática, esses indicadores mostram que a saúde ocupacional deixou de ser apenas uma obrigação legal para se tornar uma estratégia de gestão. Seguindo o que mandam as novas regras da NR-1, o acompanhamento dos riscos ocupacionais, a atualização de laudos técnicos, a correta utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a organização das informações trabalhistas são medidas que contribuem para reduzir afastamentos, fortalecer a segurança dos trabalhadores e minimizar a exposição a passivos judiciais.
Prevenção tende a ganhar espaço
Os números divulgados pelo TST mostram que a judicialização das relações de trabalho continua elevada e reforçam a importância de investir em prevenção antes que os conflitos cheguem aos tribunais.
Nesse contexto, a integração entre Recursos Humanos, Saúde e Segurança do Trabalho (SST) e Departamento Pessoal ganha relevância para manter registros atualizados, acompanhar o cumprimento das normas regulamentadoras e fortalecer a conformidade trabalhista.
Mais do que reduzir riscos jurídicos, a gestão preventiva da saúde ocupacional tende a produzir impactos positivos na produtividade, na qualidade do ambiente de trabalho e na sustentabilidade das organizações, especialmente em um cenário em que temas relacionados à insalubridade permanecem entre os principais motivos de ações trabalhistas no país.








