Assédio no trabalho: como gestão e supervisão devem agir para evitar estragos na imagem e reputação?

Imagine a seguinte situação: você começou a trabalhar há pouco tempo na empresa dos seus sonhos, precisa muito desse emprego e começa a receber uma atenção exagerada do seu supervisor. Conversa vai, conversa vem, ele sempre te elogia e com o decorrer do tempo começa a encostar no seu rosto quando ninguém vê.
O que muita gente não sabe é que esse excesso de atenção e toques inapropriados se tratam de uma forma de assédio sexual, prática comum no mercado de trabalho que vem sendo cada dia mais denunciada por colaboradores e até mesmo pessoas famosas como no movimento #metoo. Movimento contra o assédio sexual que mobilizou as pessoas a quebrarem o silêncio contra os seus abusadores.
Quase metade das mulheres já sofreu algum assédio sexual no trabalho, segundo pesquisa do LinkedIn e da consultoria de inovação social Think Eva, que ouviu 414 profissionais em todo o país, de forma online. Entre elas, 15% pediram demissão do trabalho após o assédio. E apenas 5% delas recorrem ao RH das empresas para reportar o caso.
Assunto crítico
“Assédio é um assunto muito crítico porque, no fundo, a empresa perde bastante com isso. A pessoa começa a perder a espontaneidade, gasta energia onde não deveria (pensando em como evitar fazer algo ou como se comportar e falar), o relacionamento afetivo com as pessoas muda e o engajamento diminui, a performance cai e elas acabam minando suas carreiras. Muitas mulheres, por conta de estruturas machistas, não se dão conta que a culpa não é delas”, alerta Renata Moraes (foto), especialista em inclusão no mercado de trabalho. Por isso os canais seguros de denúncia são essenciais.
Empresas precisam se posicionar e tomar decisões antes que mais pessoas fiquem sabendo e evitando assim até um exposed nas redes sociais. Exposed vem do inglês e significa exatamente expor alguma situação errada ou inapropriada. A empresa ficar calada e não tomar uma atitude contra o colaborador que está assediando sexualmente outro colaborador é algo grave, porque na cabeça do público a companhia está se isentando de culpa e isso prejudica a vítima e faz com que os abusos se perpetuem.
Assédio pelas redes sociais
O LinkedIn também aplicou um questionário dentro da própria plataforma para analisar como as usuárias são atingidas por casos de assédio sexual nas redes sociais.
O Facebook aparece em primeiro lugar entre as redes com maior possibilidade de ocorrer assédio sexual, seguido pelo Instagram, Whatsapp, Twitter e LinkedIn.
Do total, 13,4% das mulheres afirmaram ter passado por casos de assédio no próprio LinkedIn. De 795 mulheres que usam o LinkedIn pelo menos uma vez ao dia, 29,8% dizem ter sido assediadas, 5,9% não têm certeza se já passaram por isso e 44% afirmaram ter presenciado um caso na rede.
A maior parte dos casos aconteceu de forma velada, por meio de mensagens privadas (61,4%) seguida por comentários em artigos ou publicações (27,3%).
A maioria das mulheres não respondem às mensagens ou bloqueiam os contatos dos assediadores, não tomando medidas formais para isso, como os mecanismos de denúncia da plataforma. Outras simplesmente abandonam a plataforma (18%).








