Setor Elétrico: perspectivas de novos investimentos em 2022

Setor Elétrico: perspectivas de novos investimentos em 2022

Apesar da continuidade da crise hídrica e energética, empresário aposta num ano de maiores investimentos no setor

Entramos, literalmente, nos últimos dias úteis de 2021. O ano sem dúvida alguma foi de muitos desafios. A pandemia trouxe incertezas e um novo olhar para a vida, para os setores e para o mercado em geral.

Os últimos meses, com uma estabilização na crise sanitária, o Brasil foi cenário de alta na inflação e uma das maiores crises hídricas vivenciadas. Para 2022 ainda é previsto altas constantes no preço da energia, fator esse desencadeado pela questão climática e erros de planejamento do governo.

Como as expectativas para esse setor ensejam cautela, devido as estratégias adotadas de mitigação à crise hídrica e pressão do mercado internacional pela alta procura de combustíveis que abastecem as usinas térmicas, ainda teremos períodos tensos em se tratando de energia.

No entanto, segundo o CEO da startup Energia das Coisas, Rodrigo Lagreca, as empresas já começaram a se planejar para esse período. “Hoje, muitas indústrias estão utilizando da tecnologia para enfrentar a escassez de chuvas e alta no preço da tarifa energética”, explica. Para ele, o uso correto da energia elétrica, ou seja, de forma inteligente e eficiente, além do seu tratamento e controle podem influenciar num melhor aproveitamento das instalações comerciais e industriais, nos equipamentos elétricos e com o controle do consumo, consequentemente no aumento da produtividade.

Volta do planejamento estratégico

Com a reabertura e a expectativa de um retorno à normalidade, as empresas passam a pensar novamente em um planejamento estratégico para os próximos anos. Segundo o consultor e sócio fundador da Partner Consulting Rui Rocha, a falta de perspectivas em relação ao que aconteceria em 2020 e 2021 fez com que as empresas se mobilizassem para a sobrevivência dos negócios, deixando o planejamento estratégico a longo prazo para depois. “Hoje já estamos tendo demandas e procuras de diversos setores para projetos a longo prazo”, ressalta.

“O cenário desafiador que vivemos em 2020 e 2021 nos mostrou oportunidades para crescer e tornar um negócio competitivo. As ameaças podem ser dribladas com um bom planejamento, com a capacitação e o desenvolvimento de pessoal. O ambiente econômico ou o futuro são especulações, que talvez não sejam a realidade no próximo ano. Não sabemos o que vai acontecer nas eleições, os rumos a taxa de câmbio e de juros, além dos números sobre o crescimento do país. O que podemos fazer é nos preparar internamente para aproveitar as oportunidades e alavancar o negócio”, afirma David Zini, professor da Fundação Dom Cabral (FDC).

“Estamos vivendo um momento de muita ansiedade, que é uma consequência do ‘novo normal’, instalado pela pandemia. Para lidar com um cenário volátil, a cabeça das lideranças precisa mudar a chave. Todo o processo de mindset dentro de uma organização começa pelos líderes”, ressalta Zini.

Ressaca do setor industrial

Em 2021 o foco do Energia das Coisas foi entrar no mercado industrial, apresentando a solução de monitoramento que leva o mesmo nome da startup. Já para 2022 o objetivo é solidificar a empresa e angariar investidores. “O setor elétrico passou por uma grande ressaca em 2021, para o próximo ano, acredita-se no retorno de investimentos. E para a Energia das Coisas em específico, vislumbramos a expansão de negócios”, enfatiza.

A solução Energia das Coisas vem sendo desenvolvida desde 2017, quando o sistema de monitoramento foi instalado em fase de pré-testes em mais de 50 domicílios distribuídos em 06 concessionárias pelas cinco regiões do país. Lagreca explica que a ferramenta busca trabalhar o comportamento das pessoas, o que conduz naturalmente a uma diminuição dos gastos com luz e a possibilidade de poderem ainda avaliar ineficiências em seus equipamentos, a partir do monitoramento em tempo real, readequar suas operações e ainda usufruir das funções de liga e desliga remoto, eliminando o risco de luzes e aparelhos de ar-condicionado deixados ligados por esquecimento.

“É uma ferramenta que possibilita o engajamento do consumidor, pois a cada ato que o usuário faz, como por exemplo ligar o ar-condicionado, o monitor acusa esse aumento de carga. Essa resposta rápida que o equipamento proporciona permite o envolvimento e o entendimento que os impactos que isso causa, gerando assim o consumo consciente e o menor desperdício de energia elétrica”, aponta.

Economia de 10% a 30%

Rodrigo Lagreca, CEO Energia das Coisas
Rodrigo Lagreca.

Segundo Lagreca, para as empresas é uma excelente alternativa e a redução podendo ter uma economia de 10% a 30% ou mais, dependendo do seu engajamento nas ações de eficientização escolhidas. “O mais importante, além da economia propriamente dita, é o consumo inteligente que os colaboradores passam a executar, além de aprender conceitos de eletricidade e aprender os benefícios de comprar equipamentos corretos que possuam o selo PROCEL”, explica. “Além do que, com o aplicativo, o consumidor passa a entender quanto custa o tempo do uso do de uma determinada máquina, o custo de se manter o ar-condicionado ligado. Quanto mais acompanhar o consumo e notificar o sistema, mais inteligente o monitoramento se tornará e mais ajustado a interpretar o consumo”, enfatiza.

Essas possibilidades, há pouco tempo tidas como um futuro intangível, já são realidade, e chegaram em um momento que não poderia ser mais providencial. Segundo o empresário, as tecnologias desfarão o último mito da energia: a invisibilidade. “A partir de agora, ela poderá ser visualizada, rastreada e controlada. É necessário que reinventemos nossos próprios conceitos e crenças não só sobre energia, mas sobre a água também”, ressalta. Segundo ele as contas de energia irão aumentar, e junto os custos das empresas, nossa competitividade será ameaçada. “Há caminhos para mitigar esses riscos e quem primeiro se movimentar, terá vantagem nessa disputa. A hora de mudar é agora!”, finaliza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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