Governança corporativa pode salvar empresas familiares

Governança corporativa pode salvar empresas familiares

Menos de um terço das empresas nacionais têm um plano de continuidade nos negócios, o que significa que 73% das empresas que fizeram parte de uma pesquisa realizada pela KPMG Brasil não possuem maturidade com relação ao planejamento de continuidade. O estudo foi feito entre maio e julho de 2021 e ouviu empresas de vários segmentos.

A boa notícia é que mais de 50% acredita na importância de implantar um plano nesse sentido. É aí que a governança corporativa entra para garantir a sobrevivência no mercado. Para Gilson Faust, consultor sênior da GoNext –  consultoria especializada na implantação do sistema de governança corporativa e sucessão em empresas familiares – o dado não é surpresa.

“As empresas brasileiras passaram a se preocupar com governança há cerca de 10 anos. Ainda é um processo que está sendo maturado pelos empresários, que já entendem a necessidade de cuidar dos negócios de uma forma planejada e com mecanismos de monitoramento e orientação estratégica”, afirma Faust.  

Para ele, a segunda geração é parte essencial desta transformação, pois a união entre sucessor e sucedido para implantar um sistema de governança pode garantir a permanência de uma empresa no mercado em que atua, independente do que aconteça com os acionistas.  

Mas afinal, o que é a governança?  

Para que uma empresa cresça de forma estruturada, é fundamental que ela tenha organização em seus processos internos. A gestão dela precisa acompanhar sua complexidade. Para isso, investir em uma política de governança fará muita diferença em curto, médio e longo prazo.  

“Mas o que exatamente é a governança corporativa?”, muitos se perguntam. Ela consiste em uma atividade que objetiva trazer clareza para os processos internos de uma empresa. “É um método com práticas de gestão empresarial, um conjunto de regras e padrões de processos que permitem administrar e monitorar uma empresa com mais controle e orientação estratégica”, pontua Faust.  

A governança se baseia em quatro conceitos principais: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. Assim, as boas práticas permitem o alinhamento entre gestores, colaboradores, acionistas e todos que fazem parte do negócio. 

“A implantação da governança tem uma metodologia, não é empírica, e a aplicação é desenhada para que cada organização seja vista em sua totalidade e assim possibilitar a visão macro do negócio. Com a governança é possível que cada setor trabalhe de forma autônoma, mas de acordo com as métricas definidas, e isso possibilitará otimização da produtividade de toda a empresa.

De forma resumida, a governança corporativa funciona como um mecanismo que converte os princípios e valores de uma organização em orientações claras que impactam positivamente a qualidade da gestão”, resume Faust. 

Os benefícios com a implantação da governança corporativa são muitos. É possível preservar o valor econômico da empresa em longo prazo, como também descentralizar a gestão, facilitar o acesso de recursos externos, ter mais agilidade e transparência aos processos internos e reduzir riscos e falhas, assim como fraudes.  

Como a consultoria aplica a governança corporativa 

Gilson Faust esclarece que dentre os vários passos para a implantação da governança, o primeiro consiste em estabelecer com clareza a estrutura hierárquica da organização e seu planejamento estratégico. 

“Definimos o organograma e o papel que cada membro irá desempenhar, pois com a liderança de cada um bem definida, o processo de decisão fica claro, pois cada integrante da organização atua com foco e eficácia”, esclarece.

O segundo passo é a criação de um conselho, consultivo ou de administração, essencial para a descentralização da gestão e melhoria do processo de decisão das importantes questões que envolvem o negócio.

“O conselho é o órgão responsável pela tomada de decisões da empresa, que vai assegurar o cumprimento das práticas de governança e garantir que interesses, necessidades e demandas dos stakeholders e da organização sejam atendidos e harmonizados”, explica.  

Cases

A Caemmun, indústria e conectivo de móveis, sediada em Arapongas (PR), tem quase três décadas de atuação, mas recentemente implantou a governança corporativa. Com herdeiros envolvidos no negócio, um plano de sucessão também passou a ser pensado para que a empresa pudesse continuar crescendo de geração em geração e de maneira organizada. Atualmente presidente da Caemmun, Diego Munhoz conta que a governança foi – e é – essencial para estruturar e traçar novos planos de crescimento. 

“Buscamos implantar um conselho de administração para melhorar a tomada de decisão e deixar o papel de cada um bem definido. Com o passar do tempo, fomos aprendendo que a empresa não cresce na proporção que a família cresce e trabalhar na sucessão, além de todos os outros processos de gestão, passou a ser uma prioridade para os fundadores e herdeiros”, conta Munhoz. 

Ele conta que com a metodologia aplicada, a questão da sucessão foi acelerada. “Os fundadores tiveram muita sabedoria e pediram para que nós, segunda geração, plantássemos novas sementes. Iniciamos novos negócios, agora com mais estrutura, apoio, e aí iniciamos, junto com os acionistas e a consultoria da GoNext, um processo de novos desafios. A implantação da governança foi fundamental para entendermos onde estávamos e onde queremos chegar”, define Munhoz.  

Também herdeiro, e assim como Munhoz, desde jovem o administrador Herick Carcereri atua na empresa de saneamento da família, a Carcereri – Soluções em Saneamento Básico. Ele tem todo suporte dos gestores mais antigos, que são o pai e o tio, atua como diretor comercial e está sendo preparado há 10 anos para a sucessão da empresa, que tem 800 funcionários e abrangência nacional.  

A tradição em saneamento básico da família vem de longe, dos tempos dos tios avós, e a empresa faz parte do grupo de empresas familiares brasileiras, que são cerca 90% do total das empresas no país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ou seja, em algum momento haverá a passagem de bastão da direção e o acompanhamento de uma consultoria se faz necessária para o sucesso e continuidade dos negócios.  

Gilson Faust explica que as habilidades técnicas e emocionais garantem que o sucessor assuma a empresa com êxito. “A identificação do perfil dos envolvidos na sucessão é uma das metodologias da governança e quanto antes este tema é tratado, mais êxito é alcançado. Existe então uma construção com sucedido e sucessor de um novo momento da empresa, com foco e planejamento”, destaca.  

Os herdeiros devem ser conscientizados de que não vão herdar uma empresa, mas uma sociedade composta por pessoas. Logo, é preciso separar claramente os conceitos de família, propriedade e empresa.  

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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