Digitalização do agronegócio deve crescer ainda mais nos próximos anos

A cadeia do agronegócio brasileiro que, de uma forma geral, já vinha registrando aumento gradativo do uso de canais de vendas digitais, deve apresentar um período de crescimento ainda maior daqui para frente. Isso porque, o uso da tecnologia é o ponto de partida para alcançar a meta de digitalizar todo o agronegócio até 2030.
Eu conversei com o CEO da Grão Direto, que é a maior plataforma digital de comercialização de grãos da América Latina, Alexandre Borges, e ele me disse que a tecnologia permite a democratização das inovações. Hoje, por exemplo, com a Grão Direto, um pequeno comprador pode usar a mesma plataforma que as maiores empresas do agronegócio do mundo utilizam, propiciando a ambos um relacionamento digital amplo, independentemente do seu tamanho.
Em 2021, foram mais de 200 mil ofertas de compra e venda disponibilizadas por meio da plataforma. Alexandre Borges me adiantou que a companhia já atingiu a casa do milhão de toneladas em termos de negócios conectados digitalmente, atendendo desde pequenos fazendeiros até grandes grupos produtores nos processos de venda; e pequenos granjeiros até grandes tradings internacionais, passando por cooperativas, fábricas de ração, revendas, corretoras e todos os perfis do agronegócio, nas transações de compra. A plataforma tem clientes em mais de 1.100 cidades.
Eu perguntei ao executivo se houve alguma alteração nas negociações agrícolas nestas duas semanas de guerra entre Rússia e Ucrânia, e ele me contou que o volume negociado continua normal, porém o que preocupa é a grande volatilidade de preços das comodities. Em relação ao Paraná, o CEO da Grão Direto ressalta a pujança do agronegócio no Estado e prevê crescer ainda mais em número de clientes.
Novos investidores

Para dar escala às suas operações, a agtech acaba de levantar recursos da ordem de R$ 40 milhões, na terceira rodada de investimentos. A operação permitirá acelerar a digitalização das negociações de commodities agrícolas, proporcionando à plataforma um verdadeiro salto em termos de volume, receita, alcance, liquidez e novos clientes em todo o território nacional e, potencialmente, também em outros países.
Dessa forma, a Grão Direto terá a Amaggi, ADM, Cargill e Louis Dreyfus Company (LDC) como novos investidores, juntando-se à Bayer, Lanx, Grupo Rendimento, Barn, além de outros fundos e investidores individuais, como grandes executivos internacionais e produtores rurais. Os quatro novos sócios participaram da terceira rodada de investimento promovida pela plataforma.
A operação foi submetida para análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Dois dos novos sócios, ADM e LDC, já utilizam os serviços da Grão Direto e constataram na prática os impactos positivos da digitalização nos negócios. Amaggi e Cargill, além de investidores, também passarão a utilizar as soluções da Grão Direto, juntando-se às centenas de empresas compradoras de grãos já clientes da plataforma e podendo negociar com os milhares de agricultores em diversos estados que acessam diariamente o marketplace.
O grupo de investidores diversificado – combinando vários setores e perfis; as parcerias da Grão Direto – como o inédito acordo de conexão direta com a Bolsa de Chicago (CME Group); a amplitude de suas soluções ao longo de um processo de negociação 100% digital; e, por fim, os resultados e volumes já alcançados pela plataforma, colocam a Grão Direto como o mais promissor marketplace digital de grãos do mundo.
Ecossistema digital
Esta terceira rodada de investimento consolida a visão da empresa de construir um ecossistema digital seguro ao redor das negociações de commodities agrícolas e de expandir ainda mais. A Grão Direto, que já contava com investidores estratégicos em suas rodadas anteriores, avança neste sentido com a entrada destas quatro novas empresas e o objetivo é seguir crescendo. “Assim como as bolsas de valores ao redor do mundo surgiram a partir da colaboração de diversos operadores de mercado, queremos seguir trazendo novos investidores estratégicos, sejam eles compradores, distribuidores, cooperativas, indústria e, obviamente, agricultores”, explica Alexandre.
“O agro é muito diverso e queremos replicar esta diversidade aqui, reforçando nossa neutralidade, independência e inovação em prol de uma agricultura moderna no Brasil e no mundo”, ressalta o CEO.
A companhia já planeja novas rodadas de investimento nos próximos 18 meses e projeta uma potencial abertura de seu capital dentro dos próximos cinco anos, permitindo ao longo deste processo que os próprios usuários e clientes da plataforma se tornem sócios. “Nossos usuários são nossos maiores embaixadores, já estamos estudando formas de tornar possível, no futuro, que eles também possam ter seu pedacinho, ou seu ‘grãozinho’, nesta imensa lavoura de oportunidades”, explica Alexandre.
O novo aporte permitirá acelerar este caminho. Os investimentos previstos incluirão crescimento ainda maior de seu time (que já quintuplicou de tamanho em 2021, passando de 15 para 75 profissionais), presença em todo o Brasil, ampliação do portifólio de produtos, desenvolvimento tecnológico para oferecer serviços de negociação ainda mais completos – incluindo produtos financeiros, além da ampliação dos serviços de dados e inteligência de mercado.
Sustentabilidade
A sustentabilidade também é uma prioridade para a Grão Direto e a expectativa é que os novos sócios e a startup colaborem para impulsionar ainda mais as iniciativas sobre o tema.
Recentemente, a Grão Direto passou a disponibilizar em sua plataforma o “Selo de Práticas Mais Sustentáveis”, desenvolvido em colaboração com a equipe global de sustentabilidade da Bayer e que indica na plataforma quais agricultores estão utilizando práticas agronômicas mais benéficas ao meio ambiente. Além do selo, outros dados relacionados a ESG, organizados a partir de diferentes fontes — como órgãos governamentais e empresas de monitoramento e compliance — são utilizados para verificar, por exemplo, sobre apontamentos em lista de trabalho escravo e conformidade com outras diretrizes sociais e ambientais.
“A digitalização da comercialização de commodities agrícolas contribuirá enormemente para as ações de sustentabilidade, pois permitirá melhor rastreabilidade, automatizações e muito mais colaboração entre diferentes elos da cadeia ao redor das práticas de ESG. O futuro do agro é digital e sustentável e o Brasil pode ser protagonista nesta transformação do setor! Na Grão Direto, queremos ser um grande facilitador deste movimento”, finaliza Alexandre Borges.








