Dólar a menos de R$ 5? Especialista fala sobre as previsões da taxa de câmbio

Dólar a menos de R$ 5? Especialista fala sobre as previsões da taxa de câmbio

O real brasileiro recomeçou a ganhar valor frente à moeda americana. O dólar, que atingiu seu patamar mais elevado após o anúncio da pandemia, alcançando o valor de R$ 5,85 em fevereiro de 2020, teve em março de 2022 uma das suas mínimas mais relevantes dos últimos dois anos, sendo negociado R$5,01.

De acordo com Mariana Gonzalez, especialista em mercado financeiro do ISAE Escola de Negócios, uma combinação de fatores locais e externos trouxe um forte fluxo de capital estrangeiro que contribuiu para o ganho de força do real, entre eles a alta da taxa de juros básica. “Em termos de juros, sempre fomos um país atraente do ponto de vista do investidor estrangeiro, com uma das mais altas taxas do mundo comparado aos pares emergentes. Agora, com a Selic a 11,75% e com possibilidade de ultrapassar 13% ainda neste ano, mais ainda”, diz.

Outro fator importante é o preço descontado das empresas brasileiras na bolsa de valores, que apontam grande fluxo de capital estrangeiro não só para renda fixa. “Observamos um grande interesse externo nas empresas brasileiras listadas na bolsa que estavam sendo negociadas a preços relativamente baixos, com uma das melhores relação preço/lucro desde a pandemia”, afirma a especialista.

Os números positivos nas exportações também são responsáveis pela valorização do real brasileiro. “Nosso país é um grande exportador mundial de commodities, como o minério de ferro e a soja. O preço das commodities em alta e as safras recordes fizeram com que tivéssemos o maior saldo positivo histórico entre as exportações e importações”, comenta. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que o superávit atingiu o patamar recorde de US$ 61,2 bilhões em 2021, um acréscimo US$ 10,8 bilhões em relação ao saldo de 2020.

Contudo, a especialista não enxerga sinais de que o dólar deva continuar em patamares mais baixos ou mesmo ter um novo recuo. “Podemos presenciar forças contrárias voltando a elevar o câmbio, como por exemplo a inflação americana pressionando o Banco Central Americano a subir suas taxas de juros”, aponta. “Além disso, o cenário político brasileiro segue desfavorável, devido a aproximação das eleições, o abandona das reformas estruturais e a constante ameaça ao teto de gastos, o que pode reverter o fluxo positivo do real”, finaliza Mariana Gonzalez.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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