“Melhores para o Brasil” aponta tendência de crescimento sustentável para micro e pequenas empresas

“Melhores para o Brasil” aponta tendência de crescimento sustentável para micro e pequenas empresas

No Brasil, a ascensão da Nova Economia* tem se fortalecido nos últimos anos e as Micro e Pequenas Empresas (MPEs) têm se destacado neste cenário promissor. De acordo com a pesquisa Melhores para o Brasil, conduzida pela Humanizadas, empresa de inteligência de dados, as MPEs brasileiras superam as grandes empresas em cinco princípios: Propósito, Estratégia de Valor, Cultura Consciente, Aprendizado & Mudança e Liderança Consciente.

Por trabalharem estes pilares de maneira mais simples, ágil e integrada, as MPEs possuem resultados superiores em múltiplos capitais (humano, ambiental, social e cultural), tendo índices mais altos de reputação de marca, performance ESG, satisfação dos clientes, bem-estar dos colaboradores, confiança, ética, transparência, capacidade de inovação, diversidade e inclusão.

Para que essas empresas consigam entregar a experiência desejada por clientes e colaboradores, os líderes têm que investir em valores como ética, confiança, trabalho em equipe e agilidade. Ou seja, se uma MPE não estiver atendendo a esses pontos, há risco de perda de clientes e de não reter talentos. Em contrapartida, um investimento fortemente orientado pelo empreendedor para essas características revela-se um acesso a grandes oportunidades de diferenciação e crescimento.

Segundo o coordenador da pesquisa, Pedro Paro, CEO e fundador da Humanizadas, pesquisador de doutorado do Grupo de Gestão de Mudanças da Universidade de São Paulo (USP), a análise dos dados dos múltiplos stakeholders (clientes, investidores, lideranças, colaboradores, parceiros, meio ambiente e sociedade em geral) dessas micro e pequenas empresas aponta que, diante de um cenário de mudanças e incertezas da economia, ter a compreensão da identidade, do propósito e dos valores de uma organização pode ajudar os empreendedores a se diferenciar do mercado, ter melhores lucros e impactar de maneira positiva a vida de todos os públicos interessados no sucesso do negócio.

“Na Pesquisa Melhores para o Brasil, sobretudo neste recorte específico de micro e pequenas empresas, vemos que valorizar a qualidade das relações é algo rentável e sustentável para todos os portes, não apenas para médias e grandes organizações. Um outro ponto relevante é achar que esse viés demanda altos investimentos por parte do empreendedor. Esse ‘investimento’ é mais uma questão como a organização se comunica e se relaciona com os seus diferentes públicos, interno e externo; tem a ver com a experiência que a empresa proporciona na vida das pessoas; portanto, falar de Nova Economia é algo mais simples do que as pessoas imaginam. É resgatar a verdadeira essência dos negócios”, analisa Paro, acrescentando que falar de propósito, liderança e cultura não é tema apenas de grandes corporações como Magalu, ClearSale e Reserva.

“Os resultados da pesquisa ajudam a quebrar o paradigma de acreditar que propósito, diversidade, ESG e Nova Economia são questões para serem trabalhadas apenas por grandes empresas. Na verdade, o desafio da Nova Economia é maior para as médias e grandes, quando comparadas às micro e pequenas. Diante desse cenário, se as MPEs estiverem preparadas para surfar a onda da Nova Economia, elas podem encontrar uma série de diferenciais competitivos que irão proporcionar crescimento sustentável do negócio no longo prazo”.

Na percepção de Pedro Paro, é mais fácil para uma empresa com 10 ou 20 colaboradores manter a essência do propósito, sobretudo, porque tem os fundadores no cotidiano dos profissionais envolvidos. “O propósito é aquela energia que engaja, motiva e inspira as pessoas. Em uma micro e pequena empresa é mais fácil gerenciar, perceber e comunicar o impacto que o negócio tem na vida das pessoas. Claro que a variável determinante é esse grupo acreditar em um propósito que realmente seja genuíno, nutrir e exercer a liderança consciente todos os dias. De qualquer forma, o desafio para manter o propósito vivo e uma cultura forte em uma empresa gigante como Magazine Luiza (que é um dos destaques da pesquisa Melhores para o Brasil), com mais de 30 mil colaboradores no Brasil, por exemplo, é absurdamente maior”, afirma.

Qualidade das relações

O recorte da pesquisa – focado na análise de micro e pequenas (MPEs) – comprova a tese que a qualidade das relações que as empresas desenvolvem e mantêm com os seus múltiplos interlocutores tem influência direta na performance financeira, governança, social e ambiental dessas organizações. Com base na ciência de dados, a startup Humanizadas criou uma metodologia inédita que identifica o grau de evolução das companhias no tocante à qualidade das relações que as empresas desenvolvem e mantêm com seus múltiplos interlocutores.

“Costumo dizer que a Nova Economia é uma jornada do EGO para o ECO, onde as lideranças e as organizações estão migrando para uma lógica na qual as necessidades de sobrevivência mais básicas da organização evoluem ao longo do tempo para um olhar que reconhece, compreende e busca gerar impacto positivo na vida das pessoas e no próprio planeta, equilibrando lucro e propósito. Não tenho dúvida de que lideranças mais conscientes podem levar o Brasil a um outro patamar social, econômico e ambiental’, afirma o professor.

DESTAQUES DO RECORTE | MELHORES MICRO E PEQUENAS PARA O BRASIL

A edição 2022 da pesquisa Melhores para o Brasil traz a percepção de mais de 86 mil stakeholders (lideranças, colaboradores, clientes, parceiros e sociedade em geral); compara os resultados das Melhores para o Brasil versus a média do mercado brasileiro; apresenta grau de confiança de 95% e margem de erro de 5%.

 Em uma lista de 63 diferentes características, os 10 valores que melhor representam o perfil dos respondentes e os que mais são valorizados em suas relações pessoais e profissionais: ética, confiança, aprendizado contínuo, trabalho em equipe, agilidade, humildade, transparência, lealdade, criatividade e crescimento profissional.

_No perfil das Melhores para o Brasil, 39,9% das empresas são micro (até 19 colaboradores); 32,8% são pequenas (até 99 colaboradores); 26,5% são médias (até 999 colaboradores); e 9,8% são de grande porte (mais de 1.000 colaboradores). A maior parte das empresas selecionadas são da região Sudeste (79,4%) e Sul (11,3%); Centro-Oeste e Nordeste têm, cada, 3,9% de empresas participantes; e Norte apenas 1,5%. O Estado de São Paulo tem a maioria das selecionadas (57,84%), seguido de Minas Gerais (10,78%), Rio de Janeiro (6,86%) e Espírito Santo (3,92%).

_ Neste recorte exclusivo, a pesquisa apresenta uma análise comparativa da performance de organizações de micro, pequeno, médio e grande porte, em diferentes indicadores avaliados. Essa análise revela que a tendência é que as micro e pequenas possuam resultados superiores em indicadores da Nova Economia.

Dentro desse grupo de empresas avaliadas, quando fazemos o recorte para analisar a performance das Melhores Micro e Pequenas Empresas para o Brasil versus a média do mercado brasileiro, identificamos que elas possuem resultados ainda mais superiores em itens como confiança nas relações; reputação da marca; reputação com a sociedade; performance ESG; experiência dos clientes; bem-estar dos colaboradores; perspectivas de futuro; aprendizado contínuo; segurança psicológica; inclusão e diversidade; inovação e melhoria contínua; liberdade de expressão; autonomia dos colaboradores; legado para a sociedade e o planeta; integridade e coerência da liderança; desenvolvimento humano; satisfação dos colaboradores; e satisfação dos clientes.

Trabalhar os conceitos da Nova Economia pode ser um grande diferencial e uma oportunidade de crescimento para as micro e pequenas empresas; de acordo com a pesquisa, as Melhores MPEs, que já estão liderando a ascensão de uma Nova Economia no país e assumindo o compromisso de serem as melhores organizações para todos os stakeholders, possuem performance superior em vários índices: elas possuem confiança nas relações 127% superior à média do mercado brasileiro; possuem performance em práticas ESG 85% superior; possuem capacidade de inovação 107% superior; avaliação de experiência dos clientes 61% superior; bem-estar 126% superior tanto das lideranças quanto dos colaboradores; 52% melhor perspectiva de futuro do negócio; 52% ambientes de maior inclusão e diversidade.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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