Mudar de carreira aos 40: já pensou se não é hora de ter seu próprio negócio?

Em tempos de crise, não faltam pessoas insatisfeitas com suas carreiras e dia a dia no trabalho. Não está infeliz só a parcela avassaladora da população que enfrenta o desemprego no Brasil — aqueles que têm a “sorte” de estar empregados também não estão satisfeitos. Longas jornadas de trabalho, sobrecarregados por estarem desempenhando a função de múltiplos funcionários e, muitas vezes, eles estão infelizes simplesmente por estarem na função errada.
De acordo com Thiago do Val (foto), advogado, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie e empreendedor, a culpa não é só desses profissionais. “Essa na verdade é uma situação extremamente previsível. Culturalmente, no Brasil, já começamos a jornada profissional da forma errada: priorizando o retorno financeiro e a estabilidade de emprego, antes de se identificar na fila do pão. É muito difícil tomar a decisão certa nessas circunstâncias”, diz o especialista. Combinado a isso, falta autorreflexão contínua ao longo da vida e os processos seletivos também deixam a desejar para escolher as pessoas certas para as oportunidades que existem.
Atuando há cinco anos como mentor de negócios, Thiago do Val identifica uma grande oportunidade no setor de empreendedorismo inovador neste momento no país. Segundo ele, grande parte dos empreendedores com quem lida começou com a insatisfação profissional e com o desgosto de trabalhar da mesma forma engessada por anos a fio.
“O empreendedorismo nasce de uma necessidade — tanto do mercado quanto do empreendedor. É comum que novas empresas sejam criadas por profissionais que atuaram por anos no mercado de trabalho, identificaram oportunidades e dores, e se propuseram a resolvê-las. Não é uma tarefa fácil, mas o Brasil dispõe de um mercado imenso a se explorar e existem caminhos para o sucesso”, diz.
De acordo com a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), quase 2500 novas startups foram fundadas no país nos últimos cinco anos. Só em 2021, 11 delas se tornaram unicórnios — aquelas que atingem valor de mercado acima de US$ 1 bilhão. Esses números demonstram o aquecimento do ecossistema de inovação nacional, que segue em crescimento.
Thiago afirma que, ainda que tenha se popularizado, a concepção de startup ainda está nos seus estágios iniciais para o brasileiro. Inclusive na faixa etária dos 40, que tem receio de se aventurar no mundo da tecnologia. No entanto, uma coisa é um fato: o mercado demanda soluções cada vez mais eficientes e ágeis e as novas empresas têm a responsabilidade de oferecê-las ao consumidor. “Existe a noção de que é preciso ser afiado em programação para criar uma startup, mas o fundador não precisa ser programador. Na verdade, parte essencial do processo empreendedor é justamente encontrar profissionais de peso para entrar na jornada consigo e compartilhar as responsabilidades entre as aptidões de cada um”, explica Thiago.
Segundo ele, a experiência profissional e pessoal dessa faixa etária já permite que exista bagagem o suficiente para saber quem é e sabedoria para seguir a carreira de forma mais seletiva. “Muitos atrelam a crise dos 40 a um retorno à juventude mas, na verdade, é a meia idade selecionando o que quer para o futuro a partir da experiência do que passou, para não repetir os mesmos erros e trabalhar com mais alegria e propósito”, diz.
Ou seja, para empreender é preciso paixão e muito suor. Mas, para quem está entediado, angustiado e se sentindo subutilizado na função que exerce, talvez seja uma boa opção.
Segundo o especialista, a jornada empreendedora é repleta de desafios e requer organização, visão sistêmica do plano de negócio, conexões valiosas — para isso, vale entrar em programas de aceleração para procurar mentores e entrar no ecossistema inovador — e, é claro, uma ideia excelente que tenha um público alvo amplo e determinado. A boa notícia é que este ambiente está cheio de profissionais que estão sempre dispostos a compartilhar conhecimento, contatos e feedbacks.
Por fim, o professor exalta o dinamismo da vida de empreendedor. “Se você busca sair do marasmo que a sua carreira se transformou, não tenha medo e busque criar algo seu. Solucionar problemas de forma criativa é enriquecedor e assistir pessoas utilizando sua solução é melhor ainda.”








