Setor industrial brasileiro passa de fornecedor a consumidor internacional de máquinas

Setor industrial brasileiro passa de fornecedor a consumidor internacional de máquinas

Por muito tempo, a indústria brasileira foi visto pelos seus pares internacionais como fornecedora de matéria-prima, peças e mão de obra para o mundo. Nos últimos anos, no entanto, o cenário mudou e, hoje, além de fornecer equipamentos altamente inovadores para multinacionais, as fábricas do Brasil passaram a comprar máquinas tecnológicas do exterior ou produzidas aqui.

Essa é a percepção do executivo alemão Friedemann Bürk, diretor da divisão Farmacêutica, Alimentícia e de Biotecnologia do grupo GEMÜ, grupo fabricante de máquinas e equipamentos com sede na Alemanha e atuação em 50 países. Em viagem ao Brasil para visitar clientes e feiras do segmento de alimentação, ele falou sobre novas oportunidades para a indústria mundial e seu compromisso em alimentar a população crescente do mundo.

“Há cerca de três anos, percebemos uma mudança no Brasil, que passou a ser visto como um mercado importante para o consumo de equipamentos industriais, pois existe demanda de montadoras OEM (Original Equipment Manufacturer) significativo aqui”, explica. O executivo conta ainda que “empresas OEM buscam cada vez mais máquinas que sigam as regulamentações internacionais para os seus processos produtivos locais, o que abre novas perspectivas comerciais para as grandes fabricantes internacionais”.

Novos alimentos para a população crescente

Outras importantes transformações para a indústria em todo o mundo sãoo aumento da população mundial, que deve passar dos atuais 7,6 bilhões para quase 8,6 bilhões em 2030, e a necessidade de alimentar e prover medicamentos para todos. Segundo Bürk, entre os novos mercados em expansão no mundo estão o de saúde, focado no tratamento do câncer e análises genéticas, por meio de medicina personalizada – algo que está mais avançado em países da Europa e EUA, mas logo deve chegar ao Brasil – e o de alimentos criados em laboratório, chamados “New Food”.

“Investimos em novas máquinas estéreis para fermentação de proteína baseada em plantas para consumo humano e também na carne cultivada a partir de células animais, usando biorreator”, explica. Segundo ele, a demanda mundial por alimentos exige fortes investimentos em novas alternativas, e até a quebra de paradigmas para solucionar tamanhos desafios.

No Brasil, o grupo GEMÜ tem investido no mapeamento de perspectivas desse mercado e atuado junto aos principais fabricantes de alimentos. “Ganhamos a missão por parte do grupo GEMÜ de buscar entender os rumos desse mercado, seja no acompanhamento de pesquisadores do ramo de novos alimentos ou junto às próprias fabricantes”, explica Hans Paul Mösl, gerente geral de vendas da área na GEMÜ do Brasil.

“Hoje o pólo dessa nova indústria está em Israel, mas é possível que o Brasil abrigue instalações de New Food em breve, e queremos estar à frente”, explica o gerente. Ou seja, a GEMÜ fornece não apenas o maquinário do futuro, mas almeja se tornar o laboratório de inovação mundial.

“Ao mesmo tempo, temos os efeitos do aquecimento global, que inviabiliza a produção agrícola tradicional em algumas partes do mundo, o que contribui para a busca de soluções inovadoras e novos locais de cultivo. Nesse caso, o Brasil sai na frente pela sua relevância no agronegócio, um mercado cada vez mais tecnológico e preciso”, explica Bürk.

O grupo GEMÜ produz no Brasil máquinas e equipamentos para os setores farmacêutico, alimentício, de biotecnologia, siderurgia, mineração e muitos outros.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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