Volume financeiro aplicado pelos brasileiros alcança R$ 4,6 trilhões no primeiro semestre

Volume financeiro aplicado pelos brasileiros alcança R$ 4,6 trilhões no primeiro semestre

Puxado pelos clientes do varejo, montante é 2,8% superior a dezembro de 2021

Os investimentos dos brasileiros cresceram 2,8% no primeiro semestre deste ano, chegando aos R$ 4,6 trilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O avanço foi puxado pelos clientes do segmento de varejo e representa o total alocado por 140 milhões de contas de investidores – não corresponde ao total de CPFs, já que cada pessoa pode ter mais de uma conta.

O segmento de varejo tradicional foi o que teve a maior evolução no período, com uma variação positiva de 5,9%, alcançando R$ 1,6 trilhão. Na sequência o varejo alta renda avançou de 5,4%, chegando a R$ 1,3 trilhão. Os investidores do private – aqueles que, em geral, têm pelo menos R$ 3 milhões em aplicações financeiras – tiveram uma redução de 1,7% no patrimônio líquido, caindo de R$ 1,8 trilhão em dezembro de 2021 para R$ 1,7 trilhão em junho deste ano.

“Os clientes do varejo têm a maior parte dos investimentos alocada em produtos de renda fixa, que se beneficiaram pelas elevações da taxa Selic. Já os investidores do private têm carteiras pulverizadas e com produtos expostos a mais volatilidade, o que explica a variação negativa do segmento no período”, comenta Ademir Correa, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima.

Acompanhando a alta da taxa de juros, que passou de 9,25% em dezembro para 13,25% em junho, a parcela de investimentos de renda fixa cresceu. Essa classe de ativos representava 57,5% da carteira dos brasileiros no final do ano passado e chegou a 61,3% no primeiro semestre deste ano. Enquanto isso, a renda variável perdeu espaço, de 19,5% para 16,7%, na mesma base de comparação. “Os clientes fazem esse movimento em direção à renda fixa procurando um porto mais seguro diante de momentos de turbulência no mercado, como o atual cenário macroeconômico de pós-pandemia, queda das bolsas e guerra da Ucrânia”, explica Ademir.

Produtos financeiros

Entre os produtos, o volume aplicado em CDBs (Certificados de Depósito Bancário) ultrapassou o total alocado em ações. Os certificados avançaram 13,6% no primeiro semestre, alcançando os R$ 647,7 bilhões, enquanto as ações caíram 10,7%, somando R$ 576,9 bilhões.

O destaque do período ficou com as LCAs e LCIs (Letras de Crédito do Agronegócio e Imobiliárias, respectivamente): elas cresceram mais na primeira metade de 2022 do que em todo o ano de 2021. As LCAs bateram os R$ 249,6 bilhões em junho, uma variação de 38,5%, ou R$ 69,4 bilhões, enquanto as LCIs somam patrimônio líquido de R$ 162,4 bilhões, uma evolução de 25,4%, ou R$ 32,9 bilhões. Em 2021, esses produtos subiram 24,2% e 12,3%, respectivamente.

Entre os fundos de investimento, os de renda fixa e imobiliários avançaram 4,5% e 5,3%, chegando aos R$ 473,8 bilhões e R$ 85,1 bilhões, respectivamente. Em contrapartida, os fundos multimercados e de ações sofreram quedas de -5,1% e -18%, fechando o semestre com patrimônios líquidos de R$ 649,7 bilhões e R$ 176 bilhões, nessa ordem.

Regiões do país

O Centro-Oeste teve a maior variação de volume financeiro em 2022. Com elevação de 8,6%, a região concentra R$ 244,3 bilhões em investimentos dos clientes. Esse montante equivale a 5,3% das aplicações de todo o país. O Norte, que responde por 1,6% do patrimônio líquido total das pessoas físicas no Brasil, teve um aumento de 4,3% e agora tem R$ 75,9 bilhões.

A região Sudeste teve a terceira maior variação: 2,5%. Com esse resultado, chega aos R$ 3,1 trilhões, o que equivale a 67,8% do volume financeiro dos brasileiros. Sul e Nordeste concentram 16,9% e 8,3% do patrimônio líquido do país. Essas regiões tiveram altas de 2,4% e 1,8%, fechando o semestre com R$ 786,2 bilhões e R$ 387,9 bilhões, respectivamente.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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