Montadoras aumentam investimento na produção de veículos elétricos e buscam opções para reduzir riscos

Montadoras aumentam investimento na produção de veículos elétricos e buscam opções para reduzir riscos

Estudo global da Coface mostra desafio na busca por carbono zero

As principais montadoras de veículos do planeta estão na linha de frente da transição para a neutralidade de carbono e investem cada vez mais para produzir veículos elétricos. No entanto, enfrentam cada vez mais barreiras que retardam seus planos nessa área, de acordo com estudo da Coface, líder global de seguro de crédito e serviços relacionados, como cobrança de dívidas.

De acordo com o estudo, o principal risco de curto prazo enfrentado pelas montadoras está ligado à disponibilidade dos recursos necessários para fabricar veículos e baterias. É que esse trabalho depende de matérias-primas específicas (lítio, cobre, níquel, hidrogênio etc.), ao mesmo tempo em que a mudança maciça e rápida para veículos de baixo carbono está gerando uma forte pressão na produção e no fornecimento. Na estimativa da Coface, essa tendência deverá manter-se a médio e longo prazo, dadas as necessidades de armazenamento de energia.

Também no curto prazo, existe um risco significativo de que fabricantes e fornecedores de equipamentos europeus dependam de determinados países e players. Este é particularmente o caso da Europa, onde a proibição da venda de veículos tradicionais a combustão em 2035 depende de projetos de reindustrialização imaturos – mineração e enormes fábricas – e aumenta a vulnerabilidade a crises na cadeia de abastecimento (escassez logística, bloqueios marítimos etc.).

A Coface lembra também que esses desafios acontecem em um cenário de perspectivas econômicas pessimistas, que terão impacto negativo no setor. As vendas de veículos estão diretamente ligadas à saúde da economia, e a Coface prevê uma desaceleração no crescimento do PIB global para 1,9% em 2023 (2,8% em 2022). A confiança das famílias é baixa e o aumento do custo dos empréstimos deverá ter impacto na procura. E o preço dos veículos de baixas emissões continua elevado a médio prazo num contexto em que o custo da energia afeta toda a cadeia de valor (custos de produção, custo de operação dos concessionários etc.). A falta de redes de carregamento também está afastando os compradores.

Resta saber se uma parte do modelo econômico poderia se basear em novas soluções inovadoras de mobilidade, como aluguel de longo prazo, compartilhamento de carros para carros elétricos ou um serviço de assinatura.

Mobilidade e carbono, desafios globais

O estudo da Coface lembra também que a eletrificação de veículos tornou-se uma competição global: “Participantes de todos os setores – economias avançadas e emergentes, países mineradores e assim por diante – estão se preparando para garantir que não ‘perderão o barco’ que é a mobilidade de baixo carbono. A China já deixou sua marca como ator-chave na produção de baterias: possui 60% da capacidade mundial de refino de lítio, 77% da produção global de células de bateria e 60% da fabricação global de componentes de bateria”.

Mais ainda, destaca a Coface, a descarbonização também está no topo da agenda política dos países da OCDE. Além das preocupações ambientais, os desafios econômicos (criação de empregos e reindustrialização) e a soberania industrial são fatores importantes. O subsídio à compra de automóveis é uma das ferramentas regularmente utilizadas pelos governos para apoiar o negócio e estimular o consumo. As autoridades chinesas e americanas introduziram recentemente subsídios para as famílias comprarem veículos elétricos. Esses dois países podem contar com seus vastos mercados domésticos para desenvolver a indústria.

Na França, o governo está considerando o “arrendamento social” para ajudar as famílias mais pobres a comprar veículos elétricos, além de bônus de conversão. Mas o estudo recorda: “No entanto, podemos nos perguntar como essas medidas serão sustentáveis, dado o cenário econômico pessimista mundial e o aumento da inflação”.

A Coface recorda também que os principais atores da indústria automobilística estão trabalhando na integração vertical das cadeias de valor: “Vários fabricantes de veículos e equipamentos anunciaram joint ventures para baterias de íons de lítio e hidrogênio. O desafio é controlar o abastecimento e os custos em todas as etapas do processo industrial (matérias-primas, baterias, motores e veículos).

Os especialistas da Coface consideram que a expansão desse mercado deve permitir o surgimento de novas oportunidades para todos os atores da cadeia produtiva. Mas alerta: “A pressão estrutural sobre os fabricantes de equipamentos e concessionárias de automóveis ainda existe e a tendência é de crescimento”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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